A Vida Consagrada

Por Mons. Inácio José Schuster

Na visão do apóstolo São Paulo (1Cor 12, 4-11), a comunidade cristã é constituída com uma riqueza incalculável de dons e ministérios, todos sob a ação do Espírito Santo, em vista do bem comum. É a chamada diversidade na unidade, um corpo com membros diferentes e distintos na sua ação.
Assim temos na Igreja a Vida Religiosa, organizada atualmente nos chamados Institutos de Vida Consagrada. São instituições existentes e aprovadas pela Igreja, nas quais as pessoas livremente ligam-se, de forma muito natural, buscando objetivos muito definidos. E isto é fruto da ação do Espírito Santo, enriquecendo e animando a caminhada da Igreja.
Uma das características de quem entra para a Vida Religiosa, é fazer os votos dos Conselhos Evangélicos, isto é, voto de castidade, de pobreza e de obediência. Além disto, devem viver a vida fraterna em comunidade, onde tudo é colocado em comum e ninguém é dono de nada. O desprendimento deve ser total, como “sinal” do Reino de Deus.
A Vida Religiosa santifica e dá força à Igreja na sua história. É o Espírito de Deus quem vai despertando, nos chamados “fundadores”, um estilo de vida cristã com objetivos específicos.
A Vida Religiosa é uma consagração da pessoa a Deus. É como um verdadeiro matrimônio que se estabelece com Deus, numa doação exclusiva e contínua. Os seus membros fazem votos, que podem ser perpétuos ou temporários, ficando estes últimos, sujeitos à renovação de tempo em tempo. Faz também parte da estrutura da Vida Religiosa a fraternidade vivida em comum por todos os seus membros.
Após os votos, ou a partir do momento em que um membro passa a pertencer oficialmente ao Instituto, os seus bens são colocados em comum. Ele perde a capacidade de ter bens pessoais, mas no conjunto, é beneficiado por tudo o que é de todos. Na verdade é chamado a viver na pobreza, porém não lhe faltando o necessário para a sua vivência na comunidade.
A vida religiosa acontece a partir de uma vocação divina. E um dos primeiros passos, de forma mais oficial, é o noviciado. Ali começa a vida no Instituto (Congregação). O vocacionado tem que ser admitido pelo Superior, mediante algumas condições: idade mínima de dezessete anos, saúde suficiente e comprovada maturidade para assumir tal estado de vida. Um destaque todo especial deve ser dado à liberdade na decisão. Ninguém pode ser forçado ao fazer a própria escolha do estilo de vida na Igreja.
O noviciado deve cultivar nos noviços a vivência das virtudes humanas e cristãs, a busca da perfeição pela oração e pela renúncia de si mesmos, a contemplar os mistérios da salvação, a ler e meditar as Sagradas Escrituras, a prestar culto a Deus pela liturgia, a levar uma vida consagrada a Deus e aos homens, mediante os conselhos evangélicos, com os votos da obediência, da castidade e da pobreza, numa visão de amor à Igreja.
O noviciado prepara a pessoa para ser admitida na profissão temporária. E é um tempo, não só de formação, mas também de discernimento e de prova. Existe uma grande seriedade no processo que culmina com a profissão religiosa, quando o membro assume publicamente a observância dos votos, consagrando-se a Deus pelo ministério da Igreja. A partir daí ele é incorporado ao Instituto com os direitos e deveres que lhes são próprios.
A riqueza da Vida Religiosa enriquece também a Igreja. Os religiosos “puxam” a Igreja. Fazem com que ela reflita e tome posições concretas na sociedade. São quase como uma oposição, que faz com que, quem está na situação, mexa-se e coloque-se a serviço. Mas é a Igreja em movimento, fazendo acontecer a sua missão no mundo, construindo o Reino de Deus.

A Congregação das Irmãs de Santa Catarina, presente em nossa Paróquia, dedica-se com toda generosidade às obras de misericórdia. Unindo a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos no Hospital Regina, com a educação das crianças e da juventude no Colégio Santa Catarina. Dedicam uma atenção particular à pastoral das obras sociais. Com abnegação, as Irmãs de Santa Catarina, juntamente com a sua fundadora, a Beata Regina, abraçam com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: «Como Deus quer» são o mote da sua vida. O amor ardente da qual são possuidoras, levam-nas a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus, não temendo aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado em nosso meio.

 

VIDA RELIGIOSA
Muitos estão sendo vencidos pelo medo de seguir, até o fim, o projeto de Jesus
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

“O hábito não faz o monge”, diz o provérbio, mas, sem dúvida, chama um pouco, ou muita, atenção. Talvez uma criança curiosa tenha nos incomodado com perguntas inocentes querendo saber: “Por que aquela pessoa estava vestida daquele jeito?” Claro que podemos sair da pergunta com uma resposta curta e grossa: “É uma freira” ou “É um frei”. E se a criança insistir, querendo saber mais, saberíamos responder à altura e com gosto? Ou nos esconderíamos atrás do banal “deixa pra lá”, equivalente a não saber ou ao não querer responder? Tenho certeza: digam o que quiserem, finjam não ver, ignorem a presença deles e delas, mas os religiosos e as religiosas chamam atenção. Não porque queiram isso. Mas – ou por usarem o hábito ou pelo jeito – obrigam-nos a perguntar por que eles e elas escolheram aquela forma de viver. Por quê? Insisto sobre os questionamentos pelo fato de a vida religiosa também ter mudado. A freira que anda pelas casas do bairro pobre é formada em Pedagogia e está estudando Ciências Sociais. O monge, que abre a porta do convento e acolhe os mendigos é mestre em Letras pela PUC de São Paulo. O frei que anda de bicicleta, evitando os buracos e a lama da periferia, é advogado. A irmãzinha que cuida da creche é enfermeira diplomada e continua estudando Medicina de noite. O irmão que está no acampamento dos sem-terra é doutor em Teologia. E assim poderíamos continuar. Quem tem uma imagem dos irmãos e das irmãs como de “coitadinhos” meio perdidos e fora do tempo está muito enganado. Não somente porque eles e elas, hoje, estudam mais, mas porque continuam sabendo muito bem o que querem. Eles têm um grande projeto de vida. Querem ser felizes vivendo o Evangelho. Querem contribuir com a sociedade de hoje seguindo as pegadas de Jesus Cristo. Se a vida religiosa podia parecer, no passado, um refúgio para ter uma “certa” tranqüilidade, ou uma fuga por medo das coisas perigosas do mundo, hoje é exatamente o contrário. Vida religiosa não é para pessoas fracas. É cada vez mais exigente. Dizem que o celibato para o Reino de Deus e a virgindade consagrada são coisas para sexualmente frustrados. A pobreza é considerada excesso de loucura e inaptidão administrativa. A obediência, uma inútil inibição dos projetos pessoais, uma afronta à liberdade individual. Essas coisas são bobagens, claro, mas só para os acomodados, os que ficam alucinados e iludidos pelas coisas do mundo, para os que adoram encontrar defeitos nos outros e só sabem criticar. Por isso, a vida religiosa sempre será questionada e sempre chamará atenção. O caminho é difícil e a porta estreita. É preciso empurrá-la para entrar, não é para todos. Se não entendemos tudo isso, ou não sabemos responder bem às perguntas acima, tenhamos ao menos o bom senso de não falar à toa e, quem sabe, aprendamos a agradecer a essas pessoas, que pagam com a própria vida as suas escolhas. Se não fosse assim, a Irmã Dorothy Stang não teria morrido. O padre Bossi, do PIME, não teria sido seqüestrado lá nas Filipinas. Os religiosos e as religiosas podem ter muitos defeitos, como todos, mas não são nem bobos nem ingênuos. A chamada crise da vida religiosa pode ser pela quantidade; mas com certeza não o é pela qualidade. Talvez aos jovens, hoje, falte coragem. Estão sendo vencidos pelo medo de seguir, até o fim, o projeto de Jesus. Sentem medo de parecer diferentes ou de incomodar aos outros; de começar a mudar a história, mudando a própria vida. Por isso Jesus repetiu tantas vezes aos discípulos: não tenham medo… E o repete ainda em nossos dias. Para nós todos.

 

Queridas Irmãs de Santa Catarina,Virgem e Mártir!

Queremos fazer chegar nosso carinho e gratidão, a todas as Religiosas Consagradas que dão a sua vida pelo Evangelho na ação pastoral da Paróquia Nossa Senhora da Piedade e arredores, segundo os conselhos evangélicos da pobreza, da obediência e da castidade, através da entrega da própria vida pelos irmãos, e, além dos vários serviços de missão, evangelização, catequese, música, também nos diversos organismos de caridade, educacionais, do cuidado com a saúde, no desvelo com a terceira idade e de promoção humana existentes.
Vocês Religiosas Consagradas são um dom precioso da Igreja e do mundo, este tão carente, tão sedento de Deus e de sua Palavra, mas também de testemunhos.
Porém, antes mesmo do vosso serviço prestado às pessoas, a vossa mais importante missão é o «ser», quer dizer, o testemunho de vida em comunidade, doada diariamente com alegria e generosidade. Vocês são os «sinais escatológicos» do Reino de Deus.
No mundo do descartável, do prazer sem limites, na opulência do dinheiro e do ter, da autossuficiência, sentimo-nos atraídos, através da Vida Consagrada, a uma outra proposta de seguimento mais sublime de Jesus Cristo através da dedicação a Deus pelos conselhos evangélicos e, desta forma, vocês Irmãs de Santa Catarina são um doce e eloquente sinal de Deus neste mundo.
Nosso reconhecimento pelo que as Irmãs de Santa Catarina são e realizam junto às Comunidades de fé, junto às populações mais carentes, nos trabalhos pastorais e sociais e de promoção humana, lá onde a vida está ameaçada.
A Vida Religiosa Consagrada é um dom de Deus à Igreja e ao povo, através da Beata Regina que fundou a Congregação das Irmãs de Santa Catarina, inspirada pelo Amantíssimo Esposo, para que continuasse a revelar ao mundo um aspecto específico da vida de nosso Salvador.
O Tesouro encontrado se tornou o Objeto de encantamento e paixão da vida das nossas Religiosas, que se expressa na missão junto ao povo a quem são enviadas, nas comunidades fraternas às quais pertencem e nas atividades pastorais ou sociais. O modelo de vida das nossas Irmãs é Jesus Cristo, em quem devem ter os olhos fixos, seguindo os passos do Mestre, os seus ensinamentos.
Damos graças a Deus por todas as nossas Irmãs de Santa Catarina, que são como que uma luz de Deus junto às pessoas, sobretudo as mais necessitadas, e que pelo Brasil afora, são presença profética nos lugares mais difíceis. Aquelas que vivem além-fronteiras anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus junto aos mais pobres e aquelas que buscam viver sua vida e missão com fidelidade criativa. Parabéns queridas Irmãs de Santa Catarina, que procuram viver com jovialidade a sua entrega a Deus, levando a missão de Cristo com amor e zelo apostólico.
Nesta semana da Vocação à Vida Religiosa Consagrada, queremos enviar um afetuoso abraço de encorajamento na sua vocação e na sua missão a todas as Irmãs de Santa Catarina que trabalham no âmbito de nossa Paróquia e no apostolado sem fronteiras, que fazem a diferença do rosto de Cristo e da Igreja. Agradecemos a Deus e pedimos-Lhe que continuem a ser um sinal de graça perene no mundo, na construção da justiça e do amor.
Com a prece e a bênção
Pe. Inácio e Pe. Ronaldo

 

Que esta bênção ilumine e guie os passos das nossas Irmãs de Santa Catarina…

Senhor Jesus, cobre a cabeça das nossas Irmãs para que todos os seus pensamentos venham da Tua Sabedoria, enchendo-as com a graça e a paz que vem de Ti.
Senhor Jesus, abre os olhos das nossas Irmãs para que possam enxergar claramente Tua Providência, e os ouvidos para que possam escutar o grito dos pobres em volta de si e o sussurro de Tua Palavra.
Senhor Jesus, toca os lábios das nossas Irmãs para que possam proclamar a Boa Notícia de Tua Missão pelo Teu Evangelho.
Senhor Jesus, segura nas mãos das nossas Irmãs para ajudarem e sararem muitas vidas que estão quebradas e ameaçadas. Para que possam fazer o bem, trazendo esperança aos desesperados.
Senhor Jesus, fortalece os pés das nossas Irmãs para caminhar no Teu caminho, correr e nunca cansar, ficarem firmes na Tua justiça e na Tua verdade, sem medo!
Senhor Jesus, inflama o coração das nossas Irmãs com o calor e a compaixão de uma generosidade genuína para todos os que estão necessitados.
Senhor Jesus, toma nossas Irmãs por inteiro, para que possam Ter a coragem de responder com todo o seu ser às demandas diárias da Tua Graça.
Ó Deus, fonte da Vida, pela força do Teu Espírito Santo, fecunda os trabalhos das nossas Irmãs de Santa Catarina no seguimento do Teu Filho Jesus Cristo, o Amantíssimo Esposo, hoje e sempre. Amém.

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda