Solenidade da Santa Mãe de Deus

Por Mons. Inácio José Schuster

1º de janeiro, ano novo, oitava do Natal. Primeira Leitura tirada do Livro dos Números:

“O Senhor disse a Moisés, ‘Fala a Aarão e a seus filhos e dize-lhes: assim bendireis os israelitas e lhes direis: o Senhor te abençoe e te proteja, o Senhor faça brilhar sua face sobre ti e te seja favorável, o Senhor volte para ti o seu olhar e te conceda a paz”.

Com esse augúrio, retirado da Palavra de Deus, nós iniciamos um novo ano, 2017. Que o Senhor te abençoe e te proteja! Poderíamos transmitir augúrio mais adequado? Que o Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja propício durante todos os 365 dias deste ano. Que o Senhor te conceda a paz!

Hoje trocamos augúrios e nos cumprimentamos. Cada um de nós deseja a seu irmão, parente, amigo ou conhecido, a paz, a felicidade, a tranqüilidade. Mas é Deus quem pode verdadeiramente conceder-nos estes dons.

Este ano que se inicia é um livro; ele está apenas começando. Quantas coisas acontecerão? Acontecerão por certo, assim esperamos e desejamos, coisas boas. Pode ser que aconteçam coisas não boas também. O livro está em branco. Nós, juntamente com Deus, iremos escrever este livro, cada dia uma página e, quando completar 365 páginas nós o terminaremos.

Será uma tragédia? Será um romance? Será uma maravilha? Será algo surpreendente para nós e para outros? Que é que sabemos de tudo isto neste dia 1º de janeiro, quando desejamos a outros e a nós mesmo feliz ano novo? De qualquer maneira, nós colocamos este ano de 2017 aos pés de Jesus Cristo, o Senhor da História, o Senhor de todos os tempos, o Senhor da nossa vida também!
Nós colocamos este ano sob a proteção da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.  É exatamente sob este título que nós a saudamos neste dia, a ela consagrado: Mãe de Deus. Nós lhe pedimos humildemente que nos acompanhe nos nossos mistérios gozosos, luminosos, gloriosos, mas, sobretudo, se algum mistério doloroso tiver que ser trilhado por nós este ano. Cheios de confiança colocamos 2017 em Suas mãos e disso não nos esqueceremos em nenhum destes dias.

De qualquer maneira sabemos que Deus não abandona aquele que nele coloca a sua esperança. Deus não retirará as nossas dificuldades e os nossos sofrimentos, mas promete-nos, neste dia 1º de janeiro, entrar conosco em tudo, até mesmo nos piores momentos que poderiam sobrevir. Ele fará com que até o mal se transforme em bem para nós.

Com esta segurança e, sobretudo com esta confiança: Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo a você e a todos os seus.

Em Belém, pátria de Davi, pastor depois rei, nasceu Jesus, Bom Pastor e Rei Messias: há uma harmonia e correspondência da mesma forma que na vocação dos primeiros apóstolos, pescadores, se tornam “pescadores de homens”. Eles passam a noite, significando, por assim dizer, a antítese em relação à Luz que brilha nas trevas, característica do Natal. Passam a noite velando pelo rebanho, o que nos faz lembrar a recomendação de Jesus aos seus discípulos, para que permaneçam na atitude espiritual de quem vigia, na expectativa do seu retorno. As parábolas do administrador e das dez virgens prudentes nos exortam a esta atitude.

A aparição dos anjos, que os tranqüiliza: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova”, faz com que eles entrevejam a glória de Deus, vindo do mais alto do céu sobre a terra pela Encarnação do Seu Filho unigênito. E esta glória do Senhor os envolveu, glória que significa o esplendor interior e o esplendor que brilha e ilumina todos eles. Como a Primeira Aliança se concretizou pela entrada de Moisés na Glória de Deus se manifestando sobre o Sinai, a nova Aliança, que é o próprio Jesus, faz também entrar nesta mesma Glória os pastores, primeiros fiéis e anunciadores do Evangelho.

Eles encontraram Maria e José e o Menino “posto numa manjedoura”. E eles saem a proclamar o que tinham visto e ouvido. Eles fazem conhecer o que o Senhor lhes tinha feito conhecer: identidade entre a Revelação recebida e o que eles transmitem, como testemunhas oculares. Eles se atem ao essencial, o Menino, que o anjo tinha saudado com o tríplice nome divino de Salvador, Messias e Senhor. Maria, a mãe de Jesus, “conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração”. De fato, diz Orígenes, “sem Deus a casa não é construída, mas também não sem a cooperação dos homens”. Maria é toda acolhida do dom de Deus, envolta em sua Glória, é a testemunha fiel. Pela sua vida melhor que qualquer outra pessoa ela comunica o que o Senhor lhe fez conhecer. É ela a Mãe do filho de Deus, Jesus.

“Mãe Santíssima, rogai por nós para que sejamos fiéis testemunhas do Evangelho e de Jesus em todos os momentos de nossa vida. Protegei-nos e guardai-nos do pecado e de todo mal”.

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