A beleza da família e o exemplo de Chiara Luce

A educação na fé cristã não pode deixar de mostrar a beleza da família

A Beleza da Família

O que é a beleza? Como a beleza reflete-se nas pessoas e nas coisas? Que significa ser portadora de uma beleza que não pode faltar no mundo?

Essas questões terão suas respostas a partir de uma contemplação que todas as pessoas deveriam viver. Contemplar e anunciar a beleza familiar. Olhar, enxergar, ver a beleza dos gestos, das atitudes, das palavras, de momentos concretos e comoventes… das horas vividas junto dos familiares, cada dia e cada época passada e presente.

A família é bela! Há muitas famílias que vivem dentro de tantas casas, barracos, que têm alguma beleza brilhando entre quatro paredes! A beleza é algo de divino presente nas circunstâncias mais cotidianas da vida familiar. A beleza é a “impressão digital” de Deus no mundo e só um observador atento e com olhar contemplativo, como acredito que você é, será capaz de captar essas linhas divinas “digitalizadas” da beleza diária da sua família.

Para te ajudar nesse sentido cito o exemplo de uma jovem dos nossos tempos, verdadeira “detetive”, especializada em ler as digitais de Deus na vida cotidiana. Chiara Luce, beatificada em 2010, foi uma das intercessoras da JMJ Rio 2013. No dia 7 de outubro de 1990, faleceu em casa, no seu quarto, perto dos seus pais, familiares e amigos.

Com uma doença grave corroendo seu corpo jovem, essa menina tinha a percepção da beleza divina presente até mesmo nas horas escuras da dor, da sua agudíssima dor e dos sofrimentos visíveis dos seus pais.

Escreveu ela, um dia, no seu diário íntimo: “cada momento é precioso e, portanto, não deve ser desperdiçado (…) a dor não deve ser perdida, mas adquire sentido tornando-se uma oferta para Ele”.

Para sua mãe dá um conselho a fim de que ela viva naquela hora da vida que pouca gente deseja viver: a hora da visita ao cemitério para rezar diante do túmulo da filha querida. Chiara dizia: “Quando for ao cemitério, olhe para o céu e verá as estrelas: procure-me numa estrelinha”.

Logicamente palavras desse quilate de ouro só podem sair da boca de uma pessoa que habituou o seu olhar a ser contemplativa, a ver a beleza da vida desde Deus, e para pessoas normais, todos os dias da vida são dias em família, são dias onde as “impressões digitais” de Deus estão visíveis.

Um último exemplo de Chiara, bem significativo e muito sugestivo para você, leitor amigo, viver na sua vida. Alguns meses antes de ir contemplar a Beleza de Deus no céu, que no seu mistério íntimo é uma Família conforme nos ensinou São João Paulo II, Chiara copiou para uma amiga uns versos de uma das suas poesias preferidas. “O mais belo dos mares é o que não navegamos. A mais bela das crianças ainda não cresceu. O mais belo dos dias ainda não o vivemos. E as palavras mais belas que queria dizer-te ainda não te disse”.

Quando se quer tornar a família transmissora e uma educadora da fé cristã não se pode deixar nunca de mostrar um caminho claro e luminoso, o caminho da beleza da família, mesmo quando entre as quatro paredes há sofrimento. Quando se busca contemplar a “impressão digital” de Deus sempre se vê algo de belo e de bom na vida familiar.

Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro

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