Solenidade de Cristo Rei do Universo – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

O último domingo do ano litúrgico, nos faz assistir ao ato conclusivo da história humana: o juízo universal: «Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda». A primeira mensagem contida neste evangelho não é a forma ou o resultado do juízo, mas o fato de que haverá um juízo, que o mundo não vem do acaso e não acabará por acaso. Começou com uma palavra: «Faça-se a luz… Façamos o homem» e terminará com uma palavra: «Vinde, benditos… Afastai-vos de mim, malditos». Em seu princípio e em seu final está a decisão de uma mente inteligente e de uma vontade soberana. A existência do mal e da injustiça no mundo é certamente um mistério e um escândalo, mas sem fé em um juízo final, seria infinitamente mais absurda e trágica. Em tantos milênios de vida sobre a terra, o homem se adaptou a tudo; adaptou-se a todos os climas, imunizou-se contra toda doença. Mas a uma coisa ele não se adaptou nunca: à injustiça. Continua sentindo-a como intolerável. E a esta sede de justiça responderá o juízo universal. Este não será só querido por Deus, mas, paradoxalmente, também pelos homens, também pelos ímpios. «No dia do juízo universal, não será só o Juiz o que descerá do céu – escreveu o poeta Claudel –, mas toda a terra se precipitará ao seu encontro.» A festa de Cristo Rei, com o evangelho do juízo final, responde a mais universal das esperanças humanas. Assegura-nos que a injustiça e o mal não terão a última palavra, e ao mesmo tempo nos exorta a viver de forma que o juízo não seja para nós de condenação, mas de salvação, e possamos ser daqueles a quem Cristo dirá: «Vinde, benditos de meu Pai, entrai em posse do reino preparado para vós desde a fundação do mundo».

 

Neste domingo, encerramos o ano litúrgico com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Percorremos mais um ano de reflexão dos mistérios da vida de Cristo, guiados pelo evangelista Mateus que hoje nos apresenta Cristo, como Senhor do tempo e da história, ponto de chegada para toda a humanidade e toda a criação. O seu reinado teve início com o seu nascimento; teve como ponto máximo (cume) a Páscoa, quando depois de ressuscitado foi exaltado à direita do Pai donde reina glorioso; na plenitude dos tempos, entregará o “reino a Deus seu Pai, depois de ter aniquilado a soberania, a autoridade, o poder e a morte” (cf. segunda leitura). Esta solenidade foi instituída pelo Papa Pio XI em 1925 perante a descristianização que imperava na Europa depois da primeira guerra mundial. A Doutrina Social e a Moral da Igreja eram ignoradas e paz entre os povos estava ameaçada pela ânsia de poder dos homens. O Papa pretendia com esta solenidade que os cristãos reconhecessem a soberania universal de Cristo; o reino de Cristo é um reino de paz e de respeito pela vida humana em todas as suas dimensões. As circunstâncias atuais não são muito diferentes das do tempo em foi instituída esta solenidade. A nossa sociedade também está muito alheia à doutrina social e à doutrina moral da Igreja e o laicismo crescente despreza os valores cristãos. Porém, sabemos que somente Cristo oferece uma vida digna e a felicidade a todos os homens e mulheres. A missa deste domingo deve ser festiva: flores, canto, vestes litúrgicas solenes, incenso, alegria… Sugerimos substituir o ato penitencial pelo rito da aspersão com água benta para recordar que foi o batismo que nos tornou cidadãos do reino. Não podemos deixar de salientar a petição do Pai-Nosso: “venha a nós o vosso reino”. Os textos bíblicos e eucológicos (orações do missal), como sempre, são muito importantes, porque nos falam das características do reino que Cristo veio trazer a terra, um reino muito diferente dos reinos terrenos. A primeira leitura e o salmo responsorial comparam o nosso rei a um bom pastor. O rei, como o pastor, está ao serviço do seu povo, do seu rebanho: preocupa-se com todos, como o pastor com as suas ovelhas (“eu próprio irei em busca das minhas ovelhas”), defende-nos e nos salva do perigo (“guardarei as minhas ovelhas, para tirá-las de todos os sítios em que se desgarraram”), alimenta-nos (“eu apascentarei as minhas ovelhas”), e trata quem está doente (“tratarei a que estiver ferida”). O reino que Cristo nos oferece não se rege pelas categorias humanas. Os reis e os reinos que conhecemos somente procuram o poder, a riqueza, a ambição, o domínio, a força… Mas o reino de Cristo é muito diferente: é um reino que semeia paz e unidade entre todos (oração sobre as oblatas), é um “reino de verdade e de vida, de santidade de graça, de justiça, de amor e de paz” (prefácio). Com todos estes dados, podemos apresentar dignamente neste domingo a essência do reino. Mais o mais importante do reino de Deus é o amor, ou seja, o exercício da caridade. É isto que nos afirma Jesus na parábola do evangelho. No fim dos nossos dias seremos examinados sobre o amor que praticamos ao nosso próximo. Tomaremos parte do reino definitivo se tivermos dado de comer ao faminto, de beber ao sedento, de dormir ao peregrino, de vestir o nú, de visitar os doentes e os presos… Qualquer aluno sonha em descobrir as perguntas do seu exame final. Nós temos essa sorte: Cristo já as revelou. Mas, conhecer já as perguntas não basta. É necessário preparar as respostas às mesmas, através do exercício da caridade, ou seja, é preciso obedecer com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do Universo, para merecermos viver para sempre com Ele no reino celeste (cf. oração depois da comunhão).

 

Homilia do D. Henrique Soares da Costa – Solenidade de Cristo Rei
Ez 34,1-12.15-17 / Sl 22 / 1Cor 15,20-16.28 / Mt 25,31-46

Neste último Domingo do Ano Litúrgico, a Igreja nos apresenta Jesus Cristo como Rei do universo. O Evangelho no-lo mostra cercado de anjos, sentado num trono de glória para o julgamento final da história e da humanidade. Ele é Rei-Juiz, é o critério da verdade e da mentira, do bem e do mal, da vida e da morte. Por mais que a humanidade queira fazer a verdade do seu modo, por mais que distorça o bem em mal e o mal em bem e procure a vida onde não há vida verdadeira, vida plena, uma coisa é certa: somente em Jesus Cristo tudo aparecerá, um dia, na sua justa realidade, na sua inapelável verdade. Nós cremos com toda firmeza que a criação toda, a história toda e a vida de cada um de nós caminham para o Cristo e por ele serão passadas a limpo, nele serão julgadas! Ele é Rei-Juiz: ao final “todas as coisas estarão submetidas a ele”. Fora dele não haverá salvação, nem esperança nem vida. Ele é a Vida! Mas, se Cristo Jesus é nosso Rei-Juiz, isto se deve ao fato de ser primeiramente nosso Rei-Pastor, aquele que dá a vida pelas ovelhas. Ele é “o que foi imolado”, o mesmo que, com ânsia e cuidado, procura suas ovelhas dispersas, toma conta do rebanho, cuida da ovelha doente e vigia e vela em favor da ovelha gorda e forte. Eis o nosso juiz, eis o juiz da humanidade: aquele ferido de amor por nós, aquele que por nós deu a vida, aquele que se fez um de nós, colocando-se no nosso meio! Atualmente, a nossa civilização ocidental perdeu quase que de modo total a consciência da realeza de Cristo. Dizem hoje, cheios de orgulho, os sábios da sabedoria do mundo: “O homem é rei!” Gritam: “Não queremos que esse Jesus reine sobre nós! Não queremos que nos diga o que fazer, como viver; não aceitamos limites do certo e do errado, do bem e do mal, do moral e do imoral… a não ser os nossos próprios limites. E, para nós, não há limites!” Eis o pecado original, a arrogância fundamental da humanidade atual. Nunca fomos tão prepotentes quanto agora; nunca tão iludidos e enganados como atualmente! E, no entanto, Cristo é Rei, o único Rei verdadeiro, cujo Reino jamais passará. Mas esse Rei nos escandaliza também a nós, cristãos. É que ele não é um rei mundano, estribado na vã demonstração de poder, de glória, de imposição. Não! Ele é o Rei-Pastor que se fez Rei-Cordeiro manso e humilde imolado por nós. Por isso “é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele o poder pelos séculos”. A grandeza e o poder do Senhor neste mundo não se manifestarão na grandeza, mas nas coisas pequenas, na fragilidade do amor, daquele amor que na cruz apareceu como capaz de entregar a vida pelos irmãos. Gostaríamos de um Cristo-Rei na medida das nossas vãs grandezas… Gostaríamos de uma Igreja forte, aplaudida, elogiada, reverenciada. Mas, não! A Igreja, continuadora na história do mistério salvífico de Cristo, tem de participar do escândalo do seu Senhor, de pobreza do seu Senhor. E, então, neste Cristo-Rei de 2006, vemo-la humilhada e manchada por tantos escândalos. Pobre Mãe católica! Não merecia isso de seus filhos, de seus ministros, de seus pastores! Mas, faz parte das dores do Reino do Senhor! Faz parte do mistério do Reino a pobreza de Cristo, a mansidão de Cristo, a derrota de Cristo na cruz, o silêncio de Cristo, a morte de Cristo. E tudo isso tem que estar presente também na vida da Igreja e na nossa vida! Como nos exorta São Paulo:“Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos. Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm 2, 8.11). Eis, pois, caríssimos no Senhor. Celebremos hoje a Realeza de Cristo, dispondo-nos a participar da sua cruz. Na Igreja, no Reino de Deus, reinar é servir. Sirvamos, com Cristo, como Cristo e por amor de Cristo! No Evangelho desta Solenidade, o critério para participar do Reinado do Senhor Jesus é tê-lo servido nos irmãos: no pobre, no despido, no doente, no prisioneiro, no fraco. Que Reino, o de Cristo! Manifesta-se nas coisas pequenas, nas pequenas sementes, nos pequenos gestos, no amor dado e recebido com pureza cada dia. Na verdade, segundo os Santos Padres da Igreja, o Reino de Cristo, o Reino que ele entregará ao Pai, somos nós; nós, que fizemos como ele fez, lavando os pés do mundo e servindo ao mundo a única coisa que realmente compensa: a amor de Cristo, a verdade de Cristo, o Evangelho de Cristo, o exemplo de Cristo, a salvação de Cristo, a vida de Cristo… para que o mundo participe eternamente do Reino de Cristo! Caríssimos no Senhor, despojemo-nos de todo pensamento mundano sobre reis, reinos e coroas. Fixemos nosso olhar no trono da cruz, naquele que ali se encontra despido e coroado de espinhos. Aprendamos com admiração, estupor e gratidão que nossa mais gloriosa herança neste mundo é participar do seu reinado, levando a humanidade a descobrir quão diferentes dos nossos são os critérios de Deus. Quando aprendermos isso, quando a humanidade aprender isso, o Reino entrará no mundo e o mundo entrará no Reino, Reino de Cristo, “Reino de verdade e de vida, Reino de santidade e de graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. Domine, adveniat Regnum tuum! – Senhor, venha o teu Reino! Amém.

 

CRISTO REI DO UNIVERSO
Por Dom Emanuele Bargelini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
34° domingo do Tempo Comum
Ez 34, 11-12; 15-17;  1 Cor 15, 20-26;28;  Mt 25, 31-46

Na ábside de várias igrejas européias dos séculos 11 e 12, se apresenta em toda sua beleza artística e transparência espiritual, a imagem em mosaico do “Cristo, Senhor de todas as coisas – Rei do universo”, o Cristo “Pantocrator”, segundo a clássica expressão da linguagem da arte cristã antiga e medieval, e dos ícones. É também muito comum encontrar nas paredes interiores das igrejas cenas do AT e do NT; da criação (Gênesis) até a multidão dos redimidos sem número, que seguem o Cordeiro imolado e vivente rumo ao trono do Pai, celebrando a glória do Altíssimo (Apocalipse). O Cristo é normalmente representado em atitude majestosa e severa, e ao mesmo tempo compassiva e acolhedora, os braços abertos para acolher o mundo inteiro, os olhos cheios de luz e compaixão, na mão esquerda o livro aberto da vida, e a mão direita abençoando, segundo o uso ortodoxo[1]. A linguagem da beleza exprime com grande potência a intuição profunda da fé da Igreja, resumida, em maneira simbólica, na carta de Paulo aos Colossenses: “Tudo foi criado por ele e para ele….. É a cabeça da Igreja que é seu corpo. É o principio, o primogênito dos mortos, tendo em tudo a primazia, pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e reconciliar por ele todos os seres, os da terra e os dos céus, realizando a paz pelo sangue da sua cruz” (Cl 1, 16-20). “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós, Deus Pai onipotente na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda a glória, agora e para sempre”, canta, ou proclama em voz alta o Presidente da celebração, na solene Doxologia ao final da Oração Eucarística. Em seguida, a assembléia dos fieis proclama seu assenso com o canto poderoso do “Amém!”. A imagem do Cristo Pantocrator das antigas igrejas e a doxologia solene da Oração eucarística exprimem, com a linguagem da beleza e da adoração, o sentido mais profundo da liturgia do domingo de “Cristo Rei do universo”, com o qual a Igreja vai concluir a celebração do mistério pascal de Cristo, que foi desenvolvendo-se através do inteiro ano litúrgico. De fato, este 34º domingo é o último do ano litúrgico. Em maneira surpreendente, seu horizonte espiritual coincide com o do primeiro domingo de Advento, que é também o primeiro do novo ano litúrgico. Jesus Cristo, o Verbo encarnado, crucifixo e ressuscitado, agora glorificado à direita do Pai, é a meta e o fim da história da nossa salvação e, ao mesmo tempo, é seu fundamento e início. Um ciclo litúrgico inicia onde o primeiro acaba, de um ano para outro, num movimento em espiral ascendente sem cessar, na interação recíproca, até que o dinamismo transformador da páscoa manifeste todas suas potencialidades na vida dos homens e das mulheres que estão caminhando na espera da vinda gloriosa do Senhor. O ano litúrgico, com sua linguagem ritual e sacramental, manifesta e nos faz experimentar, através das variadas celebrações que articulam seu movimento ao redor da páscoa, o dinamismo do Espírito que atua no seio escondido e fecundo da história, até, e na espera, da vinda gloriosa de Cristo. A espiritualidade, alimentada pelo Advento e pela celebração do Cristo, Rei do universo, constitui uma realidade articulada e indivisível. É o âmago da espiritualidade cristã. É a espiritualidade da encarnação e da tensão escatológica. Do compromisso na história do hoje, e da liberdade de quem exerce o discernimento no Espírito, e enxerga mais à frente como o profeta. A espiritualidade que conjuga os dois pólos do ano litúrgico tem múltiplos aspectos que interagem entre si: compromisso para realizar a novidade do reino de Deus na própria vida e na sociedade; confiante espera da sua plenitude na vinda gloriosa do Senhor ao fim dos tempos; atenção às misteriosas visitas do Senhor na vida cotidiana e obediência generosa às suas exigências (cf Mt 25, 31-46. Evangelho); memória fecunda da vinda do Senhor na humildade da encarnação, alimentada pela consciência que tal processo ainda continua no mesmo estilo, e solicita de nós nossa completa adesão. Nessa linha, Jesus diz que “o reino de Deus não vem ostensivamente… porque está entre vós” (Lc 17, 20-21).Estas atitudes interiores e este estilo de atuar na vida promovem e exigem um autêntico “espírito contemplativo”, atento à realidade profunda da existência, e alimentado pela intimidade com Deus na constante oração. A oração do dia traduz em termos de invocação a grande contemplação teológica de Paulo, que abre a carta aos Efésios, como uma solene sinfonia de louvor. Ele constata com estupor que a Deus, quando o tempo se cumpriu segundo seu misterioso desígnio, aprouve tomar a decisão de “em Cristo encabeçar todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra” (Ef 1,9-10). “Deus eterno e todo poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. (Oração do dia) A tradução do verbo grego “anakefalein” com “encabeçar” (Bíblia de Jerusalém), diz literalmente “fazer encontrar em Cristo” a cabeça, o princípio vital que alimenta, unifica e orienta a existência de toda a realidade. A tradução do mesmo verbo com “restaurar”, (texto litúrgico), privilegia o sentido de “reconduzir toda a realidade” à seu destino inicial, ao seu fim, segundo o projeto original de Deus. Este é também o sentido profundo do caminho cristão pessoal. Esta orientação para Cristo infunde um dinamismo incessante de conversão do coração e unifica a existência. No centro da visão expressa pelo apóstolo, na carta aos Efésios, assim como na carta aos Coríntios, proclamada hoje, (segunda leitura), está a primazia de Cristo. Ele exercita seu senhorio sobre a criação, o pecado, a morte, e a história inteira, orientando-a novamente ao Pai com o dinamismo transformador do Espírito Santo. Desde já, os que foram alcançados pela misericórdia de Deus com o dom da fé, participam desta “realeza espiritual” de Jesus: “Mas Deu,… quando estávamos mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo… e com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, em Cristo” (Ef 2, 4-6).  A vida presente dos cristãos se torna já de fato uma vida de “ressuscitados”, de vencedores da morte, em Cristo. Homens e mulheres capazes de exercitar sua liberdade diante do mal, que continua habitando o coração deles e o mundo, e diante das armadilhas das situações e das coisas que atraem a si e dominam as pessoas, mas se revelam inconsistentes (cf Cl 3, 1-4). A reconciliação entre judeus e gregos com base na cruz de Cristo, (Ef 2, 11-18), constitui o início e o símbolo do dinamismo universal da páscoa. Este tende, pela energia do Espírito do ressuscitado, a reconduzir tudo e todos à sua vocação original, à unidade e à comunhão nas diversidades. Impele para “encabeçar”, “restaurar”, tudo no amado Filho, e, nele, nos amados filhos e filhas. Na primeira carta aos coríntios (segunda leitura), Paulo destaca com vigor o início da constituição da nova humanidade em Cristo, a partir da sua ressurreição. O confronto entre Adão, origem de um processo de morte que atinge toda a humanidade, e Cristo, “primícias” do processo de ressurreição que atingirá “todos os que pertencem a Cristo” até sua vinda gloriosa, fortalece a visão de uma progressiva afirmação da “realeza” do próprio Cristo. Ela se torna efetiva na medida em que cada um se abre à sua energia transformadora, “para que Deus seja tudo em todos” (1 Cor 15, 28). O concílio Vaticano II pôs em evidência como o batismo coloca todos os cristãos na condição de participar à dimensão sacerdotal, profética e real de Cristo. A vida e as atividades concretas pessoais, familiares, profissionais, constituem para cada um o lugar e as condições nas quais é chamado a fazer presente, com suas atitudes interiores e suas escolhas, o senhorio que partilha com o próprio Cristo (LG 36). O filho do homem, ao “assentar-se no seu trono glorioso, acompanhado por todos os anjos” (Mt 25, 31), para exercitar o grande juízo escatológico sobre os povos e os indivíduos, fará vir à luz, a verdade que se passou escondida no secreto das consciências e sob as aparências do eventos. “Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!” (Mt 25,34). Cada um gostaria ouvir para si estas palavras abençoadas do Senhor, ao encontrar-se com ele! Na realidade, como já na parábola dos talentos, somos nós a colocarmos as palavras de vida ou as de maldição na boca do juiz e pastor, dependendo se, ao longo da vida, teremos reconhecido e servido com amor ou não o mesmo Senhor, nas pessoas de todos os necessitados. Como a “vida eterna”, segundo a linguagem mística de João, é por nós participada desde o presente pela fé e o amor aos irmãos, pois neles se manifesta a verdade do único mandamento do amor a Deus e ao próximo, assim a triste exclusão dela, infelizmente, está sendo construída pelo nosso próprio descuido para com eles. “Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber…. Senhor, quando foi que te vimos com fome….Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes!…. Todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes” (Mt 25, 35.38.40.45). O juiz que desvela a verdade de cada um a si próprio é o mesmo pastor que tem cuidado, com ternura e força, de cada ovelha, como se fosse uma filha. Por isso, exige que os chamados a guiar e animar a comunidade tenham a coração antes de tudo as necessidades das ovelhas mais fracas, e não o próprio interesse. Cada um também, ao mesmo tempo, é responsável pelo seu irmão (Ez 34, 11-12. 15-17), e disso irá responder. No estilo com que é exercitada a autoridade e são vivenciadas as relações recíprocas na comunidade cristã, se manifesta e se atua nela a realeza de Cristo, o crucificado por amor, ou então, ela realeza, é desmentida para dar lugar ao poder mundano, embora este se esconda sob a máscara das estruturas eclesiásticas e dos ritos sagrados. O Juiz divino destaca, como única justificativa para ter acesso à herança do Pai, o amor para ele, escondido nos necessitados, e a procura do autêntico sentido da vida, mesmo quando a pessoa não conseguir alcançar o conhecimento explícito do próprio Cristo. Quantos hoje, entre nossos irmãos e irmãs em humanidade, vivem esta peregrinação interior rumo à Verdade! Uma jovem poetisa italiana, Ilaria Bevacqua, interpreta muito bem esta procura incessante da verdade e da vida, que brota do coração sincero. Seu titulo significativo é “Roubei…” (2011). “Roubei as estrelas ao céu / presenteando aos olhos apagados / a beleza de descobrir.//Roubei a água ao mar / para dar o gosto saboroso /a quem procura na insipidez / o segredo da vida. // Roubei os minutos ao tempo / para doar a lentidão / a quem corre e não acaba de chegar//.Roubei… tudo e nada…. Não satisfeita, porém, ainda… roubarei”. Com esta meditação sobre a solenidade de Cristo rei do universo, que vai concluir o ano litúrgico 2010-2011, eu mesmo vou despedir-me dos amigos leitores que acompanharam nosso caminho, seguindo o Senhor na progressiva manifestação do seu mistério pascal. Agradecendo a todos pela atenção fraternal, desejo para eles e elas e para mim mesmo, que a bondade do mesmo Cristo, bom Pastor, continue nos acompanhando na espera da sua vinda gloriosa.

[1] Um exemplo de particular relevo é o Pantocrator da catedral de Cefalú (ano 1156), na Sicília, Itália. Esta e outras imagens do Cristo Pantocrator podem ser encontradas na rede mundial de computadores através de uma ferramenta de busca colocando os dizeres “cristo pantocrator”.

 

JESUS CRISTO, JUIZ E REI DO UNIVERSO
Padre Bantu Mendonça

Do Evangelho de hoje podemos deduzir que o Filho do Homem se declara Rei e Juiz de todas as nações. É a glória devida a Seu triunfo sobre a cruz, pois Ele é o poder de Deus e a Sua sabedoria (cf. I Cor 1,24). Cristo, o Jesus ressuscitado vindo com poder e grande glória (cf. Lc 21,27), assume as funções do verdadeiro Deus: Sua sentença é definitiva e eterna, como o fogo eterno preparado pelo Pai aos anjos rebeldes. Ele está rodeado de todos os seus anjos o qual indica ser superior a eles (cf. Hb 1,3-4), embora – segundo o que sabemos pelos padrões da época – o homem era inferior aos anjos (cf. Hb 2,7). Trata-se de um “Juízo Final” ou do início de uma era histórica após a destruição de Jerusalém? No primeiro caso, Jesus – o Filho do Homem – será o juiz definitivo como vemos no segundo parágrafo. No segundo caso, indica quais estarão a formar parte do novo reino entre os gentios. Os escolhidos serão os misericordiosos que alcançarão misericórdia (cf. Mt 5,7), ou seja, os que agiram com compaixão para com os mais necessitados. A condenação não será por atos de perversidade, mas sim de omissão. Talvez porque os primeiros atos [de perversidade] já estavam incluídos na mentalidade antiga. Os segundos [de omissão] eram o grande pecado e ainda são dos batizados chamados discípulos de Cristo. Por outra parte, o Evangelho de hoje serve para responder à pergunta: “Como poderão salvar-se os que não conhecem Jesus ou consideram verdadeira a sua própria religião?” Obviamente a fé será substituída pelas obras de misericórdia, necessárias também entre os cristãos porque a fé, “se não se traduz em ações, por si só está morta” (cf. Tg 2,17) e Paulo afirma que a fé que tem valor é a que atua mediante o amor. Sobre o fogo preparado para o diabo e os seus anjos, devemos comentar que na época de Jesus não se esperava que o diabo estivesse no inferno, porque sabemos pelas palavras do próprio Jesus que viu “Satanás cair do céu como um relâmpago” (cf. Lc 10,18). Portanto, o inferno não era sua morada, mas o fogo ou lago de fogo será o destino definitivo do diabo (cf. Ap 20,10) ao qual será lançado quem não for escrito no livro da vida (cf. Ap 20,15). Talvez isso explique a influência do maligno em nossa história. O Rei, que é ao mesmo tempo Juiz, também é o Bom Pastor que sabe separar as ovelhas. Porque está escrito: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com Ele, então se assentará no trono de sua glória, e todas as nações serão reunidas em sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas. E Ele porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda”. Jesus é o Bom Pastor. Assim o conhecemos pelas histórias dos evangelistas. Pense no Evangelho de João, capítulo 10: “Eu sou o Bom Pastor”, diz Jesus. E assim nós O vemos trabalhando: sempre com muitas pessoas ao Seu redor. “Um rebanho que não tem Pastor”, assim Jesus chamou – num certo momento – as pessoas que O encontraram. E Ele ficou em pé e os curou, porque Ele é o Bom Pastor. O Senhor tem misericórdia, porque o povo de Israel são as ovelhas d’Ele. Mas ninguém cuida delas. Elas são vítimas daquelas pessoas que são como “os leões e os lobos”. Por isso o Senhor ajuda, e o profeta Ezequiel mostra isso (1ª leitura). O Senhor mesmo vai guardar as ovelhas. Primeiramente, Ele as congregará e depois procurará um bom lugar para elas. Ele buscará as perdidas e tornará a trazer as desgarradas. As ovelhas quebradas ligará e as enfermas fortalecerá. Apesar disso, há um outro perigo para as ovelhas. Não só pastores maus, mas há também outras ovelhas que ameaçam o bem-estar do rebanho. O Bom Pastor deve interceder. E Ele faz isso com as Suas mãos e com o Seu cajado. E o Senhor fala quando está intercedendo. Podemos ver isso com pessoas que sempre vivem com animais, assim o fazendeiro fala com os seus bichos de criação e as crianças falam também com o seu gato, cachorro ou outro bicho de estimação. Então, da mesma maneira, Ezequiel apresenta o Senhor como um pastor que está falando com as ovelhas. Jesus diz: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos”. No lugar desta palavra servir, o nosso Senhor, originalmente, usou a palavra “diakonein”. É uma palavra estranha, grega. Mas não tão estranha. Ele queria dizer que chegou para ser diácono, servidor. E assim nós O vemos trabalhando. Ele deu muito aos outros. Paz, saúde, até a própria vida. Ele deu a vida em resgate de muitos. Cristo foi o melhor exemplo para todos os diáconos, que estão trabalhando agora. O maior Diácono, que este mundo conheceu, vivia assim e está esperando a mesma coisa dos Seus discípulos. Por isso, Ele nos avisa prematuramente. E, por esse motivo, os apóstolos estavam praticando isso logo após o dia de Pentecostes, porque todos os que acreditavam vendiam suas propriedades e bens e os repartiam entre todos, segundo a necessidade de cada um. E no momento que este trabalho era demais para eles, não desistiram, dizendo: “É demais, então deixa! Pregar e ensinar são muito mais importantes do que este trabalho”. Os apóstolos não disseram isso, mas logo escolheram sete diáconos que ajudavam e coordenavam o serviço na comunidade, estimulando os membros da Igreja primitiva no serviço aos irmãos. É muito importante que toda a Igreja seja diaconal. Não só os diáconos. Quando Cristo chegar, Ele não convidará apenas os diáconos para entrar no Reino de Deus. Ele convidará todos os irmãos que serviram a outras pessoas. O primeiro Diácono do mundo será o último Juiz. E o julgamento d’Ele será sobre o serviço que tivermos prestado aos nossos irmãos. Ele chamará e congregará todos os Seus diáconos, dizendo: “Vinde benditos de meu Pai, recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo, porque tive fome e me destes de comer”.

 

JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO – A
“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele glória e poder através dos séculos”.
Padre  Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

Irmãos e irmãs, Chegamos com a solenidade de JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO, que celebramos hoje, ao encerramento do ano litúrgico A, dedicado à reflexão do Evangelho de Mateus. A festa de hoje tem um sentido eminentemente militante: o Reino de Cristo na Terra. A Liturgia realça o caráter transcendente e escatológico do reinado e Senhorio de Cristo, que encarna ao mesmo tempo a figura de Pastor (Rei Messiânico) e de Juiz (Filho do Homem que morreu na cruz pela remissão de todos os pecados da humanidade), anunciando a todos o Juízo e a Paz. A Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo REI DO UNIVERSO foi instituída no Ano Santo de 1925, pelo Papa Pio XI, em comemoração aos 16º centenário de proclamação conciliar do Dogma da Consubstancialidade de Jesus Cristo ao Pai, ou seja, que Ele é consubstancial ao Pai, verdade legada pelo Concílio de Nicéia. Cristo, como “primogênito de todas as Criaturas” (Cl 1,15), é o rei e centro de todo o universo, que tem como coroa a multidão dos santos e nos convida a segui-Lo com entusiasmo e com unção, por ser “Soberano bendito, Rei dos reis, Senhor dos senhores” (1Tm 6,15). A festa deste domingo, portanto, nos leva a refletir sobre a convergência para Jesus Cristo. A convergência de todas as criaturas da terra e do céu, ainda que seja preciso ter presente que esta convergência é fruto de uma intensa atividade das criaturas, como as “obras de misericórdia”. Caros fiéis, O Pastor é a imagem para indicar os reis e sacerdotes de Israel: o proprietário do rebanho é o Pai mesmo. Os pastores de Israel não serviram; por isso veio o dia da catástrofe – destruição de Jerusalém em 587 aC. O proprietário mesmo conduzirá agora o seu rebanho: Javé reconduzirá o povo disperso e cuidará especialmente das ovelhas desprotegidas, das ovelhas mais fracas. O Pastor fará justiça dentro do Rebanho, entre as ovelhas fracas e as ovelhas fortes. Ele será o Juiz que fará justiça entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes, como nos ensina a Primeira Leitura(Ez 34,11-12.15-17). Meus caríssimos irmãos, Hoje celebramos a plenitude do Reino de Deus, Reino de Cristo, que é o Senhor e Juiz dos vivos e dos mortos, dos santos e dos pecadores. Reino de homens e mulheres que, pela dignidade de Cristo, são elevados à condição divina e ressuscitados como a mais bela, incorruptível, incontaminada e imarcescível existência no céu. Jesus hoje, no Santo Evangelho(cf. Mt 25,31-46), fala da dialética do amor-caridade como o ideário básico da vida cristã, como uma cartilha a ser seguida e vivenciada com grande e renovado entusiasmo pastoral e evangelizador. A lei do amor e da caridade é a lei do julgamento final, da parusia.  Quem tem caridade e amor será digno de transpor os umbrais do Paraíso. O próprio Senhor nos pede que sejamos amorosos e caridosos, porque teremos a recompensa no céu: “Faze isto e viverás” (Lc 10,28). Se Jesus Cristo é o Rei do Universo, todos nós somos convidados a participar deste Reinado. Com isso, todos nós devemos aspirar ao céu e procurar aqui e agora preparar alcançar esta realidade, porque todos os homens são co-herdeiros de Cristo e, tendo os mesmos sentimentos de Cristo, contando com a graça de Deus, todos nós seremos admitidos no Reino das Bem-aventuranças, relembrando a parábola dos talentos de domingo passado: “Vem participar da minha alegria!”. Irmãos e irmãs, Jesus se auto-intitula FILHO DO HOMEM. Aqui reside a profecia desta Liturgia que nos chama a atenção: Deus, com poder e majestade, implantou a justiça e a santidade entre os homens. Jesus, depois no Evangelho, se auto intitula REI. Isso tudo para dizer que o Filho do Homem, que é nosso Rei, nos admitirá no Reino dos Céus, depois do JULGAMENTO, que é o JUÍZO. Esse julgamento não se o imagina com os olhos humanos, pois será com os critérios de Deus: cada qual será julgado em conformidade com as boas obras que praticou e será condenado em conformidade com as más obras que espalhou. Tudo na sua medida correta, dentro da JUSTIÇA E DA SANTIDADE. Na cultura rural do tempo de Jesus, o Evangelho apresenta a figura da separação entre os cabritos e as ovelhas. Isso porque, no final do dia, o pastor separava as ovelhas dos cabritos; estes sentiam mais frio e precisavam ser mais protegidos. Jesus faz uma releitura desta figura: as ovelhas são aqueles que fazem as boas obras e os cabritos, apesar da proteção, são aqueles que andam pelos descaminhos do mal. A  hora da morte e do Juízo é comparada ao declinar do dia. Jesus virá pessoalmente, revestido de honra e poder real, como único Senhor da HISTÓRIA e JUIZ DO MUNDO, devendo julgar a todos com misericórdia e mansidão, os pesos de sua medida, de conformidade com as boas e as más obras praticadas em vida. Tudo isso nos leva a refletir, a propósito, sobre a convocação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que é a convocação de Jesus: uma íntima ligação com o irmão sofredor, com aquele que passa fome e sede, com aquele que é excluído, com aquele que precisa ser acolhido e amado. Foi lançado pela CNBB o “Mutirão de Superação da Fome e da Miséria”, que já está sendo trabalhado pelas comunidades católicas do Brasil. Acolher ao pobre e sofredor e lhe dar dignidade, convidando-o a participar do Banquete das Núpcias do Cordeiro, é a proposta do Episcopado Brasileiro, na plenitude do amor-caridade. O importante não é ter somente as mãos limpas, como a ausência do pecado, com a vivência rigorosa da Lei Mosaica. O importante é ter a mão cheia de misericórdia e de obras de caridade, na vivência fraterna da Lei de Cristo. O Evangelho de hoje é destinado pelos méritos de Jesus e a colaboração nossa garante, portanto, que o Reino de Deus só se conquista pela prática de boas obras, nascidas da fé. A bondade gratuita e pura revela-se quando nos dedicamos aos que não podem retribuir. É na doação ao “último dos homens”, ao pobre, ao marginalizado, ao abandonado, que damos prova de uma misericórdia laivos do mesmo sentimento divino. Viver, segundo a Liturgia de hoje, é assumir a causa dos que mais precisam. Deus mesmo fez assim e este é o critério da participação garantida no senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois se somos “imitadores” dEle é provável que, desde já, teremos forças para chegarmos a uma eternidade com Ele. Meus irmãos, Jesus Cristo, pela segunda leitura(cf. 1Cor 15,20-26.28), venceu a todos os inimigos e especialmente a morte, com a sua ressurreição ao terceiro dia. Jesus submeteu tudo ao Pai e também como Rei Messiânico, de todo o Universo. Não um rei triunfalista, mas um Rei Amor e de Caridade que nos convida à conversão e à mudança de vida. Se Cristo, Rei do Universo, venceu o pecado e a morte para nos salvar, todos somos convidados a vencer o pecado e ascender à graça de Cristo, levando como meta de vida para o AMOR e a CARIDADE. São Paulo descreve a vitória universal de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a morte. Esta vitória é a prova cabal do senhorio de Cristo, de sua realeza universal. Mas esta não é a sua: é do Pai. O Filho Jesus em tudo o que fez, entregará seu Reino ao Pai, uma vez que estará arrematado: Quando não mais existir o pecado e a morte. Então, Deus será tudo em todos e em todas as coisas. “Ubi caritas era amor, Deus ibi est”, canta a Sagrada liturgia na Quinta-feira Santa. “Onde há amor e caridade, Deus aí está”. São João nos questiona: “Como pode alguém amar a Deus, a quem não vê, se não ama o seu próximo, a quem vês?” (Jo 4,20). Amando o próximo, amamos a Deus, pois onde há amor e caridade, Cristo viverá. Vivamos a plenitude desse amor. Desta forma, estamos efetivando o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo neste mundo, até o dia de seu retorno glorioso

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