Omissão e indiferença, o grande pecado contra os pobres, afirma Papa

Dia Mundial dos Pobres

Domingo, 19 de novembro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em celebração do Dia Mundial dos Pobres, Francisco relembrou a importância do amor a Deus e ao próximo

A omissão é também o grande pecado contra os pobres, foi o que afirmou Francisco na missa deste domingo, 19, o último do ano litúrgico e data em que toda a Igreja celebra o Dia Mundial dos Pobres. A solenidade aconteceu na Basílica de São Pedro e teve a participação de 4 mil pessoas entre pobres e necessitados, associações de voluntários e dioceses do mundo todo.

A celebração do dia, instituída por Francisco em novembro de 2016 ao final do Jubileu da Misericórdia, teve como evangelho dominical a parábola dos talentos, ponto de partida para a reflexão do Santo Padre sobre as missões designadas por Deus. De acordo com o pontífice aos olhos de Deus nenhum filho pode ser descartado, sendo destinado a todos, talentos e missões, conforme a capacidade de cada um.

“Vemos, na parábola, que a cada servo são dados talentos para os multiplicar. Mas enquanto os dois primeiros realizam a missão, o terceiro servo não faz render os talentos; restitui apenas o que recebera. (…). Em que o terceiro servo desagradou ao Senhor? Diria, numa palavra (talvez caída um pouco em desuso mas muito atual), a omissão. O seu mal foi o de não fazer o bem”, afirmou Francisco.

Ao relacionar o evangelho com o tema da celebração dominical, o Papa fez alusão a realidade dos que se compadecem, mas não lutam em favor dos pobres. “O servo mau, uma vez recebido o talento do Senhor que gosta de partilhar e multiplicar os dons, guardou-o zelosamente, contentou-se com salvaguardá-lo; ora, não é fiel a Deus (…), como diz a parábola, aquele que junta novos talentos é que é verdadeiramente ‘fiel’, porque tem a mesma mentalidade de Deus e não fica imóvel: arrisca por amor, joga a vida pelos outros, não aceita deixar tudo como está. Descuida só uma coisa: o próprio interesse. Esta é a única omissão justa”, refletiu.

“Dizer: ‘Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade’. É passar ao largo quando o irmão está em necessidade, é mudar de canal, logo que um problema sério nos indispõe, é também indignar-se com o mal mas sem fazer nada. Deus, porém, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem”, alertou o Santo Padre. Para agradar a Deus, concretamente, Francisco afirmou que é preciso conhecê-lo para que as ações destinadas a Ele não sejam mais do agrado de quem as executa, do que Dele que as receberá.

De acordo com o pontífice os gostos do Senhor são facilmente encontrados no Evangelho e nos textos da bíblia. “Ele diz: ‘Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes’. Estes irmãos mais pequeninos, seus prediletos, são o faminto e o doente, o forasteiro e o recluso, o pobre e o abandonado, o doente sem ajuda e o necessitado descartado. Nos seus rostos, podemos imaginar impresso o rosto d’Ele; nos seus lábios, mesmo se fechados pela dor, as palavras d’Ele: ‘Este é o meu corpo’”, afirmou.

Nos pobres manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, se fez pobre, lembrou o Santo Padre. “No pobre, Jesus bate à porta do nosso coração e, sedento, pede-nos amor. Quando vencemos a indiferença e, em nome de Jesus, nos gastamos pelos seus irmãos mais pequeninos, somos seus amigos bons e fiéis, com quem Ele gosta de Se demorar”, acrescentou.

“Por isso neles, na sua fragilidade, há uma ‘força salvífica’. E, se aos olhos do mundo têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso ‘passaporte para o paraíso’. Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais”, afirmou o Papa.

Para o pontífice aproximar-se de quem é mais pobre é lembrar-se daquilo que conta verdadeiramente, o amor a Deus e ao próximo, princípio eterno do que permanece, diante de todo o resto que desaparece. “Hoje podemos perguntar-nos: ‘Para mim, o que conta na vida? Onde invisto?’ Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante de nós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Com efeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se dá, e ‘quem amontoa para si não é rico em relação a Deus’. Então não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará”, concluiu.

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