Como driblar os conflitos do casal com a chegada dos filhos

Compreensão

O casal precisa entender que os conflitos com a chegada dos filhos não são mais fortes que o casamento

Coisa maravilhosa é ver um casal jovem recebendo a notícia de que irá se tornar pai e mãe. Quanta alegria! Quantas emoções misturadas de amor, medo, ansiedade e gratidão! Um momento marcante na história da família. E realmente, ter filhos é uma das maiores graças que uma pessoa pode ter. Um verdadeiro presente de Deus, que vai inaugurar uma nova fase (muito diferente) na vida do casal. Mas é preciso encarar a realidade: o início dessa nova fase será de crise importante no relacionamento matrimonial. Mas muitos casais, infelizmente, não sobrevivem a isso.

A chegada do filho gera uma imensa mudança na rotina da família. Horários, comida, lazer, vida sexual, corpo… Tudo é afetado. Nos primeiros meses, a mãe é sugada pelo relacionamento com o recém-nascido, e sua atenção e carinho estão totalmente voltados para o bebê. Com isso, o esposo sofre a falta de sua companheira, há a sensação de abandono associado à luta para aprender a cuidar de um ser tão pequeno e frágil.

A vida sexual, muitas vezes, torna-se um evento raro, e a mulher sofre os efeitos de ter um envolvimento afetivo tão intenso com a criança; o desejo reduz drasticamente, o cansaço é quase incapacitante e a autoestima está abalada pelas transformações no próprio corpo. Com isso, o vínculo de intimidade do casal é fragilizado, gerando dificuldades no diálogo e na tolerância nas dificuldades do dia a dia.

Para contornar tudo isso, é muito importante se preparar para esse momento. O diálogo durante a gravidez ajuda muito a fortalecer o companheirismo e a intimidade. É importante conhecer bem o que cada um espera do outro, quais são seus conceitos do que é ser pai e mãe. Partilhar quais regras de criação e educação cada um acha importante estabelecer. Buscar livros que falem dessa fase, para que os dois se preparem para o que enfrentarão.

O planejamento de estratégias para diminuir a imensa carga de tarefas no pós-parto também ajuda: buscar alguém para contribuir na limpeza/cozinha; dividir as tarefas entre marido e mulher; ter pessoas de confiança para cuidar do bebê (mesmo que só por alguns minutos para que a mãe possa tomar banho ou tirar uma soneca!).

O mais importante é o homem e a mulher entenderem um conceito familiar: o vínculo afetivo mais importante na vida matrimonial é o casamento. Parece até estranho falar isso, mas os filhos são passageiros. Eles entram na vida do casal, “bebem” de sua vida e amor, e depois saem para construir suas próprias vidas de adultos. O amor mais saudável que o filho pode receber não é o que vem da mãe ou do pai, mas sim o que ele absorve vendo o amor entre eles, entre marido e mulher.

Entendendo isso, o casal vai poder viver essa fase difícil com a certeza de que ela vai passar, e de que retornarão a ter um no outro o carinho e a intimidade de que precisam. A vida sexual é muito importante para ajudar nessa redescoberta do amor matrimonial. Com os filhos, a família muda de fase e nunca mais será a mesma. Mas se o casal mantém como prioridade a vida a dois, eles se reencontrarão em um novo equilíbrio, ainda melhor do que era antes.

Esse é um assunto tão importante, que conversaremos mais sobre isso em breve.

Roberta Castro é Ginecologista e especialista em terapia familiar. Coordenadora do Ministério de Música e Artes da Renovação Carismática Católica no Estado do Espírito Santo.

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