Combate ao comunismo no Pontificado de São João Paulo II

Questões históricas

Papa polonês conheceu de perto regime comunista e procurou, ao longo de seu pontificado, promover a dignidade da pessoa humana

Jéssica Marçal, com colaboração de Jakeline D’Onofrio / Da Redação

Ao longo da história, Igreja Católica e comunismo andaram em lados opostos, já que a ideologia materialista fere princípios defendidos pela doutrina católica, como a liberdade humana. Esse contraste se manifestou de forma especial no pontificado de João Paulo II, um Papa polonês eleito enquanto o regime ainda estava em vigor.

João Paulo II conheceu de perto o regime comunista, tendo vivido nele por mais de três décadas. Para o arcebispo de Porto Nacional (TO), Dom Romualdo Matias Kujawski, isso influenciou o discurso do Papa em relação ao comunismo.

“Sem dúvida nenhuma, o conhecimento pessoal influenciou nos discursos que o Santo Padre fazia. (…) Ele tentou positivamente explicar o Evangelho e concretizar a dignidade da pessoa humana”.

Assim como João Paulo II, Dom Romualdo é polonês. Ele conta que o Papa sofreu com esse sistema pautado por uma ideologia ateia, que acaba oprimindo a pessoa. Dessa forma, o posicionamento do Papa polonês, bem como o da Igreja, sempre foi contrário ao regime. “Sempre aquela luta, aquela fala, por necessidade da liberdade da pessoa e também liberdade religiosa”.

O esforço de João Paulo II em disseminar os princípios da liberdade e do direito do homem revelaram-se em seus documentos. Como exemplo, pode-se citar sua primeira encíclica, Redemptoris Hominis, de 1979, com reflexões sobre a liberdade do homem, sua situação no mundo contemporâneo e seus direitos. Em outro documento, datado de 1981, Laborem Exercens, o Santo Padre reflete sobre o trabalho humano.

Essas e outras reflexões de João Paulo II foram tão marcantes e incidentes que se atribui a ele uma grande contribuição para o fim do regime comunista, o que ficou marcado definitivamente pela queda do Muro de Berlim em 1989.

Pouco tempo depois, em 1º de dezembro de 1989, aconteceu a audiência histórica entre João Paulo II e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachov, que foi recebido cordialmente pelo então Pontífice.

“A casa do Papa é, desde sempre, a casa comum para todos os representantes dos povos da Terra. Senhor presidente, seja também cordialmente bem-vindo”, disse João Paulo II a Gorbachov na ocasião.

Nesse encontro, também foi abordada a situação internacional e alguns problemas mais urgentes na época.  João Paulo II e Gorbachov também falaram do desenvolvimento de contatos recíprocos tanto para a solução de problemas da Igreja Católica na União Soviética quanto para promover um empenho comum em favor da paz e da colaboração no mundo.

“Esta colaboração é possível já que tem como objeto e sujeito o homem. De fato, ‘o homem é a via da Igreja’, como tive oportunidade de recordar desde o início do meu pontificado  (Redemptores Hominis, 14), acrescentou o Santo Padre.

Dom Romualdo destaca ainda que, em sua caminhada para anunciar o Evangelho, João Paulo II não adotou uma postura moralista, mas simplesmente queria oferecer a visão de Jesus. Não se tratava de uma ideologia, mas de uma consequência do Salvador que criou o ser humano para a felicidade, para a liberdade.

“João Paulo II continua me inspirando nos contextos das dificuldades, para não agir de impulso, mas exatamente refletir um pouquinho mais e agir a partir do que Jesus faria”, conclui Dom Romualdo.

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