Surto religioso atual: As Revelações Particulares em Nossos Dias

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 345 – fevereiro 1991
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Em síntese: O Grupo “Pastorais et Sectes” filiado ao Episcopado Francês publicou um estudo sobre as revelações particulares apregoadas em nossos dias tanto dentro como fora da Igreja Católica. Esse documento, após enunciar as modalidades de tais visões e revelações, propõe critérios para discernir a autenticidade das mesmas:
1) critérios subjetivos (saúde psíquica do vidente, honestidade moral e, no caso de vidente católico, fidelidade ao magistério da Igreja);
2) critérios objetivos (mensagem consentânea com a doutrina católica, mensagem sóbria ou isenta de pormenores fantasiosos).

A respeito de Medjugorje em particular, a Igreja ainda não se pronunciou oficialmente: as opiniões diferem entre si, enquanto uma Comissão de teólogos nomeada pelos Bispos estuda o caso. Na verdade, os frutos espirituais colhidos pelos devotos em Medjugorje são muito positivos, mas não se pode dizer que as mensagens respectivas sejam de importância indispensável à fé católica, como nota o Cardeal Joseph Ratzinger.

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Os novos Movimentos religiosos têm chamado continuamente a atenção do público pelo seu caráter proselitista, apoiado, às vezes, em “revelações” e “milagres”. O Brasil tem grande experiência de tais fenômenos. . .

Existe na França um Grupo designado pelo Episcopado Francês para estudar sistematicamente as expressões e as causas de tais correntes religiosas. O Grupo (“Pastorale et Sectes”) realizou seu primeiro encontro em 28/05/1990 na Secretaria Geral do Episcopado em Paris, estando presentes os PP. Jean Vernette, Pierre Le Cabellec, Norbert Gauderon, Yvon Le Mince, Damien Sicard, Claude Cesbron et a Sra. Yvonne Vitré. O Grupo elaborou e publicou um relatório sobre as Revelações particulares, ocorrentes tanto dentro como fora do Catolicismo. Visto que o texto pode ser útil ao público brasileiro, vai, a seguir, traduzido para o português a partir do Boletim SNOP (órgão do Episcopado Francês) datado de 22/06/1990.

1. O TEXTO

“As revelações particulares mobilizam de novo a atenção…

Para começar, falaremos indiferenciadamente de todas as revelações atualmente ocorrentes dentro e fora da Igreja, reconhecidas oficialmente por alguma instancia ou não. São uma das formas de expressão mais típicas da nova religiosidade. Interessam ao público por diversos motivos: mensagens tidas como provenientes do Alto; manifestações de contato com habitantes do Além; descrição estupenda de fenômenos maravilhosos; levitação; movimentação do sol; odores suaves; suor de óleo; insistência dos mensageiros sobre os perigos iminentes que o mundo corre se não se converter; atração espiritual e aliciamento coletivo, em conseqüência dos quais há peregrinações de devotos aos lugares ditos das aparições; fatos portentosos, em especial curas, tidos como sinais que autenticam a revelação; surto de grupos religiosos férvidos em torno do personagem ou do lugar ‘agraciado’.

Ligadas a esses sinais portentosos, há manifestações populares de fé ou de credulidade, de religião ou de religiosidade. Com efeito; encontram-se as mais diversas atitudes religiosas suscitadas pela crença no portentoso.

Para permanecer apenas no quadro da França e dos países vizinhos e da época atual, podem-se apontar os seguintes fenômenos maravilhosos:

Aparições da Virgem SS., devidamente reconhecidas pela Igreja;

Aparições de Jesus Cristo acompanhadas de revelações feitas, por exemplo, a Michel Potay, o profeta da ‘Revelação de Ares’ (atualmente em grande voga);

Locuções interiores, levando as mamães a redigir, por escrita automática, numerosas mensagens provenientes de seus filhos falecidos;

Contatos com indivíduos extra-terrestres nas religiões dependentes de OVNIs, (1) tais como ocorrem com os grupos Appert e os Raelianos;

(1) OVNIs = Objetos Voadores Não Identificados.

Relacionamento com entidades do Além por meio de canais próprios, como os descreve a atriz Shirley Mac Laine em seu livro best-seller, publicado em milhões de exemplares;

Visões de cenas do Evangelho relatadas em numerosas narrações por Maria Vàltorta;

‘Leitura no Astral’ de episódios da Vida de Cristo em diversos grupos esotéricos;

Revelações não reconhecidas, mas ligadas a lugares aos quais se dirigem peregrinações constantes, como San Damiano, Garabandal, Kerizineo, Espis, Dozulé;

Grupos de New Age (Nova Era), como Vida Universal, oriunda da profetisa Gabriela Witeck;

Comunicações com os habitantes do céu, tais como os Diálogos com o Anjo de Gitta Mallasz, traduzidos para as principais línguas.

Entre os numerosos grupos, organizados ou não, que se formam em torno do maravilhoso, alguns dizem derivar-se do catolicismo; seriam, entre outros, o IVI, de Yvonne Trubert, e El de Joanna. Alguns desses grupos dão origem a igrejas paralelas, como Le Frechou e Palmar de Troya. Há cristãos que querem ambiguamente pertencer tanto à Igreja Católica quanto à comunidade paralela.

Algumas mensagens têm provocado conversões, como as mensagens de Marta Robin e de Medjugorje. Outras, porém, desencadeiam violentos ataques contra a Igreja, como as de Michel Potay em Ares, ou querem transmitir lições à Igreja, como o Petit Caillou e Bayside.

Somos assim chamados a procurar discernir em cada nova ‘revelação’ o admirável e o inaceitável.

A multiplicação desses casos corresponde a uma necessidade, existente no público, de portentos e também de luz para guiar os passos dos homens. Por conseguinte, importa sempre analisar caso por caso (impressos, atividades, mensagem. . .).

Os elementos característicos das revelações particulares

Distinguem-se diversos parâmetros ou traços típicos nas revelações particulares:

—    Os videntes são de todas as idades, mas freqüentemente citam-se crianças e mulheres nas aparições em ambientes católicos. São discretos ou tagarelas, simples ou reivindicativos.

—    Nos mesmos ambientes, a pessoa que transmite a mensagem é geralmente a Virgem SS., às vezes um anjo (de preferência, São Miguel), ocasionalmente Jesus. Esses traços são convencionais ou prendem-se ao contexto sócio-cultural do vidente.

— Os ritmos e os lugares são os mais variados. Acompanham-nos símbolos extraordinários: um grande véu azul em Le Frechou; uma imensa cruz em Dozulé.

As mensagens têm seus pontos constantes (embora em dosagens diferentes): apelo à conversão, pregações, pedido de fundação de um santuário, um templo, profecias de sabor milenarista, ([1]) ameaças de castigo, pedidos de práticas rituais precisas.

Por conseguinte, quando alguém começa a estudar uma revelação particular, encontra-se diante de elementos um tanto genéricos: manifestações físicas, luzes e cores; manifestações psicológicas (êxtases, visões, mensagens). . . Mas esses elementos são dispostos em sínteses bem diferentes umas das outras. Há, por exemplo, aparições que a Igreja reconhece porque as tem como humanamente sadias e espiritualmente aceitáveis, além de coerentes com a Grande Tradição cristã. Há também revelações duvidosas, se se leva em conta a saúde psíquica e espiritual dos videntes e as suas incoerências com os Livros Sagrados.

Critérios de discernimento

As pessoas agraciadas realmente com revelações ou vozes são geralmente sinceras e convictas. Alegam: ‘Tendo visto o que vi e ouvido o que ouvi, eu não posso não falar’. Elas se sentem investidas de uma missão. Mas o sentimento subjetivo de certeza não garante por si a autenticidade de uma mensagem, assim como a sinceridade não é o equivalente de verdade. É necessário que pratiquemos o discernimento dos espíritos. Distingamos, pois, ulteriores critérios tanto no plano meramente humano e natural como no plano da fé:

— No plano humano: o equilíbrio e o bom senso do indivíduo, o apagamento do mensageiro diante da mensagem, a estrutura do grupo criado: A quem toca a autoridade? Como é esta exercida? Qual o funcionamento financeiro? Que margem de liberdade interior é deixada aos membros do grupo?

— No plano cristão: quais são os frutos de tal revelação particular? A mensagem é coerente com a Tradição cristã? Que traz de novo ao mundo e à Igreja? Qual o aspecto da Revelação cristã mais focalizado pela mensagem do vidente?

— Que controle a comunidade é capaz de exercer sobre si mesma? Tal carisma está voltado para servir ao bem comum?

Nesta época de florescimento de mensagens inspiradas, de novas religiões proselitistas e de fenômenos milagrosos, é importante fornecermos aos cristãos esses critérios de discernimento”.

2. COMENTÁRIO

1. Vê-se que a multiplicidade de expressões religiosas de nossos dias atribuídas a intervenções do Além exige, da parte do estudioso, cautela para discernir, do fantasioso e talvez mórbido, o que possa ser autenticamente inspirado por Deus. Em vista disto, apontam-se critérios subjetivos e objetivos:

a) Critérios subjetivos:

— requer-se saúde psíquica da parte dos videntes ou mensageiros. Esta implica equilíbrio mental, capacidade de resistir a sugestionamentos e condicionamentos superficiais;

— honestidade ou retidão de vida, comportamento irrepreensível;

— fidelidade ou docilidade à Igreja e ao seu Magistério (no caso de visões ocorrentes dentro do Catolicismo).

b) Critérios objetivos:

—    a mensagem deve ter um conteúdo ortodoxo, isto é, consentâneo com as verdades da fé católica;

—    a mensagem seja sóbria, isto é, isenta de pormenores fantasiosos, mais aptos a satisfazer à curiosidade do que a edificar a fé. Tal é a diferença entre os Evangelhos canônicos e os apócrifos: enquanto aqueles são geralmente sóbrios e simples em seu estilo, os apócrifos são exuberantes e dados ao fantástico.

2. A respeito de Medjugorje em particular, a Igreja ainda não se pronunciou definitivamente. Em 1986, o episcopado iugoslavo constituiu uma segunda Comissão destinada a averiguar os fatos; desde 24 de junho de 1981 crê-se que a Virgem SS. aparece a alguns jovens. O grande número de “aparições” e a sua duração até 1990/1 são dados insólitos, que deixam alguns estudiosos um tanto perplexos. O Bispo de Mostar (Herzegovínia, Iugoslávia), Mons. Pavão Zanic, é cético em relação às aparições de Medjugorje, paróquia de sua diocese; ao contrário, Mons. Frane Franic, Arcebispo emérito de Split, é-lhes francamente favorável.

Na verdade, são muito numerosos os frutos produzidos pela notícia das “aparições” em Medjugorje: conversões, grandes graças de índole espiritual e física têm sido obtidas por multidões de peregrinos que afluem a Medjugorje. A ponderação dos fatos ainda não permite um juízo seguro sobre a autenticidade ou não dos mesmos.

O Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em entrevista concedida a Vittorio Messori em 1985, pronunciou-se sobre Medjugorje em termos que até hoje são válidos:

“Neste terreno, mais do que em qualquer outro, a paciência é um elemento fundamental da nossa Congregação. Nenhuma aparição é indispensável à fé; a Revelação chegou à sua plenitude em Jesus Cristo; Ele mesmo é a Revelação. Mas é certo que não podemos impedir que Deus fale ao nosso tempo através de pessoas simples e valendo-se de sinais extraordinários. . . As aparições que a Igreja aprovou oficialmente — Lourdes, antes do mais, e, posteriormente, Fátima —(1) ocupam um lugar preciso na história da Igreja do último século. Mostram, entre outras coisas, que a Revelação — mesmo sendo única, plena e, por conseguinte, irreformável — não é algo de morto; é viva e vital. Doutro lado, à margem do caso de Medjugorje, sobre o qual não posso exprimir juízo algum, pois está sujeito a exame na minha Congregação, um dos sinais dos nossos tempos é que as notícias de ‘aparições’ marianas se estão multiplicando no mundo”.

(1) A aprovação oficial, no caso, quer dizer reconhecimento da legitimidade do culto a Nossa Senhora em Lourdes, Fátima, com festa própria no calendário litúrgico. Não significa, porém, que a Igreja professe as aparições de Nossa Senhora como artigo de fé. — De resto, a mensagem de tais revelações coincide com a do Evangelho e sintetiza-se na fórmula: “Oração e Penitencia!” (Nota do Tradutor).

3. CONCLUSÃO

A leitura do relatório do Grupo “Pastorale et Sectes” leva a crer que:

1) no mundo atual pode, sem dúvida, haver autênticas manifestações do Senhor Deus, especialmente através de Maria SS. Esta é a Estrela da Manhã e a Porta do Céu, pela qual Deus se digna de consolar os homens. Para averiguar a genuinidade das ditas aparições marianas, apliquem-se os critérios atrás recenseados.

2) Ao lado dessas possíveis manifestações autênticas, há também, e sem dúvida, muitas ditas “revelações” que não são a expressão senão do estado de ânimo ansioso e angustiado de parte da humanidade contemporânea; a procura emocional, quase irracional, de uma resposta para a problemática contemporânea leva muitos a imaginar seres extra-terrestres (corpóreos, luminosos, belos, ou meramente espirituais) transmitindo aos homens mensagens de reconforto, estímulo e orientação. O pulular de fenômenos ditos “sobrenaturais” em nossos dias se reduz, em boa parte, ao mecanismo da psique humana, que procura num falso Além a garantia e a segurança que o aquém (inclemente como é) não lhe fornece.

Na verdade, também o cristão sente a ingratidão dos tempos presentes, mas na fé (que o leva à oração, à leitura das Escrituras e aos Sacramentos dentro da Igreja) encontra paz e força, cheia de esperança para atravessar os tempos atuais. A exuberância do “extraordinário” de nossa época, oriunda do psiquismo humano desorientado, deveria ceder a um fortalecimento da fé cristã, remédio para tanto desatino contemporâneo. “O justo vive da fé”, diz três vezes o Apóstolo (Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,38), parafraseando o Profeta Habacuc (2,4).

Dom Estêvão Bettencourt
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[1] O Milenarismo é a doutrina que professa a vinda de Jesus Cristo para reinar visivelmente durante mil anos sobre a terra em bonança e paz.

 

O FIM DO MUNDO OU A RENOVAÇÃO DO MUNDO? EB
Categoria: Perguntas e Respostas / Publicado em 3 de fevereiro de 2011

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 411 – Ano: 1996 – p. 337  

Pululam profecias relativas a catástrofes e flagelos que devem assolar o mundo nos próximos anos em preparação do ano 2000, que deverá ser uma data de fim da era atual da história. Essas previsões apavoram a quem lhes dá crédito. A multiplicidade das mesmas parece ser a expressão de certo desânimo da sociedade contemporânea, que não encontra nos recursos convencionais a solução para os problemas que a afligem.
Bem diverso é o pensamento oficial da Igreja. O Santo Padre João Paulo II, em sua Carta Apostólica sobre o Terceiro Milênio, considera com certo otimismo este fim de século, que coincide com o Jubileu do nascimento de Cristo.
O Papa propõe a renovação da vida dos fiéis mediante convicta e generosa resposta aos apelos do Senhor: conversão mais coerente e radical, oração mais intensa hão de ser os exercícios marcantes destes anos, Jesus iniciou sua pregação precisamente com as palavras: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).
João Paulo II deseja que o ano de 1997 seja dedicado a Cristo; será o ano em que reavivaremos nossa consciência de batizados e fortaleceremos nossa fidelidade ao Senhor, aprofundando a fé que a Igreja nos transmite. O ano de 1998 será dedicado ao Espírito Santo e ao sacramento da Crisma, que nos faz adultos em Cristo. O ano de 1999 focalizará o Pai e promoverá a redescoberta do sacramento da Penitência, via de retorno Àquele que é o Alfa e o Ômega de toda a história. O ano de 2000 será o ano da Eucaristia, o sacramento da unidade: João Paulo II espera que naquela data, entre outros dons do Céu, se verifique maior aproximação dos cristãos separados.
– Tal é a atitude oficial da Igreja diante da perspectiva do Jubileu do nascimento de Jesus, nos escritos do Santo Padre não se encontra uma palavra sobre profecias, calamidades, reino milenar de Cristo (…). Ora convém aos fiéis católicos “sentir com a Igreja”, caminhar fielmente com a Igreja. O Senhor Jesus recusou-se a revelar o dia e a hora do fim dos tempos; cf. At 1,7. Muito sabiamente o fez, pois, para o cristão, mais importante do que a data da consumação dos séculos é a do seu encontro com Cristo no fim desta caminhada terrestre. É urgente a preparação desse momento através de uma conduta de vida pura e santa.
O Evangelho insiste nessa preparação, como se depreende das palavras de Cristo: “Vigiai, porque não sabeis nem o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mt 25,13).
João Paulo II faz eco a esta exortação: “É necessário suscitar em cada fiel um verdadeiro anseio de santidade, um forte desejo de conversão e renovação pessoal, num clima de oração cada vez mais intensa e de solidário acolhimento do próximo, especialmente do mais necessitado” (Tertio Millennio Adveniente nº 42).

 

O MUNDO VAI ACABAR EM 21 DE DEZEMBRO DE 2012?
Categoria: Artigos / Publicado em 18 de dezembro de 2012

“Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só” (Mc 13, 32). Recebo vários emails de pessoas católicas apavoradas e que ainda perguntam sobre a “Profecia” sobre o “fim do mundo” em 21/12/2012, o que gera um alarmismo danoso e um verdadeiro terrorismo espiritual. Será que estaríamos nas vésperas do fim do mundo? São muitas “profecias” falsas, que tentam até misturar argumentos pseudocientíficos com superstições, Nova Era e ficção científica.
Até mesmo o Terceiro Segredo de Fátima, que nada tem a ver com o fim do mundo, e que o Papa João Paulo II já revelou em 2000 em Fátima; é citado abusivamente. Os divulgadores desse fim do mundo para o dia 21/12/2012 usam “argumentos científicos”, falam de Profecias maias que até a NASA já desmentiu.
Ninguém sabe a época e a data do fim do mundo, ou melhor, da renovação do mundo. Jesus fala em fim do mundo como “renovação do mundo”: Mt 19, 28 – “No dia da renovação do mundo, quando o Filho do homem estiver sentado no trono da glória…”
Com relação à data em que acontecerá a renovação do mundo e a inauguração definitiva do Reino de Deus, ninguém sabe e não deve especular a respeito. Muitos já se enganaram sobre isto e levaram muitos outros ao engano e ao desespero. Até grandes santos da Igreja erraram neste ponto.
Podemos citar alguns exemplos: Dom Estevão Bettencourt, em um de seus livros (Curso de Escatologia – págs. 123 – 124), afirma que: São Hipólito de Roma (†235) – chegou a afirmar que o final do mundo seria no ano 500… Santo Irineu (†202) – confirmava a tese do Pseudo Barnabé, de que o final seria no ano 6000 após a criação do mundo… Santo Ambrósio (†397) e Santo Hilário de Poitres (†367) – apoiaram a mesma tese anterior. São Gaudêncio de Bréscia (†405) – indicava o ano 7000 após a criação. No século V, com a queda de Roma (476), São Jeronimo (†420), São João Crisóstomo (†407), São Leão Magno (†461), defendiam que face à queda de Roma, o fim do mundo estava próximo…
No século VI e VII, São Gregório Magno (†604) afirmava como próxima a vinda de Cristo… Muitas vezes as profecias sobre a vinda de Cristo iminente são sugeridas pela necessidade que temos de encontrar uma “saída” para os tempos difíceis em que se vive. Por isso, a Igreja é muito cautelosa nesse ponto, e sempre nos lembra: At 1, 7 – “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por sua própria autoridade”. Mc 13, 32 – “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só”.
Santo Agostinho interpreta essa passagem dizendo que Jesus diz não saber esta data, porque está fora do depósito das verdades que Ele veio revelar aos homens; não pertence à sua missão de Salvador revelar essa data (In Ps 36 Migne 36, 355). O Magistério da Igreja quer que se respeite essa vontade de Deus de deixar oculta aos homens essa data.
No Concílio Universal de Latrão V, em 1516, foi decretado: “Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”.
Em 1318, o Papa João XXII, condenando os erros dos chamados Fraticelli disse: “Há muitas outras coisas que esses homens presunçosos descrevem como que em sonho a respeito do curso dos tempos e do fim do mundo, muitas coisas a respeito da vinda do Anticristo, que lhes parece estar às portas, e que eles anunciam com vaidade lamentável. Declaramos que tais coisas são, em parte, frenéticas, em parte doentias, em parte fabulosas. Por isso nós os condenamos com os seus autores em vez de divulgá-las ou refutar” (idem).
O que a Igreja sabe é o que está no Catecismo:
§ 670. “Desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou em sua consumação. Já estamos na “última hora” (1Jo 2, 18)”. “Portanto, a era final do mundo já chegou para nós, e a renovação do mundo está irrevogavelmente realizada e, de certo modo, já está antecipada nesta terra”.
§ 673. “A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos “caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade” (At 1, 7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam “retidos” tanto ele como a provação final que há de precedê-lo”.
Prof. Felipe Aquino

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