XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

28° domingo do Tempo Comum. A alegoria que nos apresenta o Evangelista Mateus, hoje, é um condensado da história de Israel e da primeira história do Cristianismo. Um rei resolve celebrar as núpcias de seu filho, e manda emissários que digam aos convidados que tudo está preparado. Podem se aproximar e podem tomar assento na sala do banquete. De maneira surpreendente, estes emissários são pessimamente recebidos por esses convidados. A uns maltratam, a outros ferem, e chegam até a matar um terceiro grupo.
O rei indigna-se e resolve liquidá-los, juntamente com a cidade, entregando-a a chamas. O leitor avisado da comunidade Mateana lê aqui, não apenas a história do Antigo Testamento e os profetas de Deus sistematicamente enviados e sistematicamente perseguidos, desde Elias, às voltas com Acab e Jezabel, até João Batista, degolado por Herodes Antipas, mas lê nas entrelinhas o que sucedeu com esta cidade que assim se comportou. Ela foi literalmente entregue às chamas, e isto aconteceu quando os Romanos a tomaram de assalto, e a destruíram completamente, não restando lá pedra sobre pedra, de acordo com a predição de Jesus no Ano 70 de nossa era.
E o texto ainda continua, mas desta vez saindo de Israel e entrando para o Cristianismo. O rei envia outros emissários que convidem outras pessoas. Na verdade, todos aqueles que encontrarem pelos caminhos ou pelas estradas. É uma alusão à chamada dos infiéis, dos pagãos, de nós, em lugar dos convidados da primeira hora: o povo Judeu.
A parábola poderia terminar aqui, e teria um belo término. Surpreendentemente, de novo, de maneira muito curiosa e intrigante, ela se continua. Quando a sala estava repleta de convidados da segunda hora, entrou o rei não para se banquetear com eles, não para tomar parte da festa, mas para inspecioná-los. E seus olhos caem imediatamente sobre alguém que lá estava de maneira imprópria, sem a veste nupcial.
Mas como? Foram convidados de última hora, não tiveram tempo para se preparar, quem sabe até para tomar um banho e purificarem-se. Mas aqui Jesus deixa o bom senso natural e pensa no transcendente. Os pagãos foram sim convidados, e nós tomamos na Igreja hoje, o lugar dos primeiros convidados. Mas isto não significa que a nossa salvação esteja assegurada.
A pertença à Igreja Católica, hoje, não garante a salvação de ninguém. Mais ainda, a comunidade é um “corpus permixum” onde existem bons e maus, mas a separação definitiva dar-se-á no último dia, e de maneira clara e irretratável.
A qual dos dois lados cada um de nós pertencerá naquele dia? De que lado estaremos nós? “Do lado dos benditos de Meu Pai” – diz Jesus – ou do lado dos malditos, que devem ir para o fogo eterno?

 

VENHA LOGO PARA O BANQUETE DE JESUS!
Padre Paulo Ricardo

Jesus aqui nos conta uma parábola um pouco enigmática: um rei tem uma festa de casamento preparada para as núpcias do seu filho. Então, envia seus servos para convidar as pessoas para o casamento. No entanto, aqueles que foram convidados não aceitam o convite e matam os servos do rei. Acontece, assim, uma grande chacina, pois o rei – vingativo – ordena que aqueles ingratos sejam executados.
Finalmente, abre-se esta visão das pessoas que são trazidas das encruzilhadas para encher a sala do banquete.
Como interpretar esta parábola tão enigmática? Em primeiro lugar, devemos compreender que este noivo é Jesus. E quem é a noiva? O Evangelho não nos diz, mas sabemos que somos nós. A noiva é a Igreja. A noiva, na verdade, são esses que foram convidados.
Neste sentido, a parábola não “fecha” perfeitamente em termos de comparação. Por quê? Porque, na realidade, temos ali um banquete nupcial no qual todos nós ocupamos o lugar da noiva. Mas isso permanece no silêncio, no “não dito” daquilo que está no Evangelho. Este seria o sentido profundo e teológico da Palavra de hoje.
Algumas coisas que podemos observar a respeito deste Evangelho:
Em primeiro lugar, a urgência escatológica. Interessante que o rei já tem tudo preparado para a festa de casamento. E de forma bastante inverossímil, ele ordena – quando a mesa já está posta – que os convidados sejam chamados. Estes mesmos convidados que antes não sabiam de nada!
Mas, aqui, o fato da mesa “estar posta” é simplesmente uma forma simbólica de falarmos da urgência escatológica. Deus quer que nós venhamos para o banquete de Seu Filho. E venhamos logo! Ele tem pressa. A mesa já está posta e a comida está “esfriando”.
Claro que o desenvolver da parábola é um pouco inverossímil, ou seja, acontece o chamado feito aos convidados, depois uma guerra e, após tudo isso acontecer, a mesa ainda está posta.
Na verdade, temos aqui uma alusão a todo o conflito que houve com o povo de Israel e a queda de Jerusalém no ano 70. Ou seja, aquela cidade cujos habitantes são mortos e o lugar depois destruído é a cidade de Jerusalém.
O evangelista Mateus está “relendo” o fato histórico da destruição de Jerusalém e dizendo para os fiéis – que ouvem a esta parábola – que, embora Jerusalém tenha sido destruída, o convite para o banquete nupcial, para esta união entre Deus e a humanidade, continua em pé.
Com essa parábola das núpcias do Filho de Deus, o que podemos extrair de ensinamento para nossas vidas?
Veja: Deus nos chama para uma íntima união com Ele. Precisamos nos preparar para isto. Simbolizando esta preparação, vemos a veste nupcial que cada um de nós precisamos ter. Precisamos nos revestir desta veste, precisamos mudar de atitude. Mudar de vida para nos prepararmos ante esta união íntima com o Esposo, que é Cristo.
A Igreja inteira, todos nós – membros do Corpo de Cristo – iremos nos unir a Jesus. E será neste momento que acontecerá a festa. Acontecerá a realidade prometida por Deus desde toda a eternidade.
Somos chamados a esta união. Em Jesus, a união entre Deus e a humanidade já aconteceu de forma perfeita, porque Cristo é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Em Jesus acontece este matrimônio.
Mas é necessário que recebamos o Espírito Santo e sejamos unidos ao Corpo de Cristo. Como membros deste Corpo, que é a Igreja, então estaremos também neste matrimônio, nesta realidade de união com o Cristo cabeça.
Este é o nosso desejo e o desejo de Deus para nós. A urgência escatológica, a respeito da qual nos fala esta parábola – essa urgência de Deus – deveria dizer um pouco daquela urgência que deve habitar também no nosso coração.
Também nós deveríamos ter pressa em estar prontos para essa união com Deus. Também deveríamos ter pressa em convidar tantas e tantas pessoas para que venham participar deste banquete aberto a todos. É preciso convidar a todos. E descobrir, ali – nesta união – a grande alegria de ser católico, ser filho de Deus. Descobrir esta missionariedade de quem sabe: “Estou unido ao Esposo Jesus. Quero que outros também se unam a Ele”.
Isto é o que podemos extrair de ensinamento para a nossa vida no Evangelho de hoje.

 

O SENHOR NOS CONVIDA PARA UM BANQUETE
Padre Alberto

A partir da Palavra que nos convoca neste domingo eu gostaria de partilhar três afirmações, que busca alimentar nosso coração e nos ajudar a nos aproximar cada vez mais do Senhor.
Em Isaías se encontra uma figura literária do dia do Senhor. É verdade que o Senhor não cabe na nossa cabeça, ou seja a verdade de Deus não pode ser expressada de maneira exata na nossa linguagem, por isso os homens de Deus usam de imagens, figuras para expressar essa verdade na nossa vida.
Hoje no dia da plenitude, dia de encontro com o Senhor, a liturgia nos apresenta uma imagem de festa, de banquete. Eu acredito que isso foi pouco trabalhado nas nossas pregações, e as vezes não parece um banquete, parece um funeral. Mas isso não é o que o profeta anuncia, ele fala de um banquete, de uma festa. Na Colômbia, uma festa é uma festa, não sei se aqui (Brasil) é igual, mas lá uma festa é estar alegres e não tristes.
O Senhor anuncia um banquete e quando você se encontrar com Ele, você estará feliz. O profeta Isaías diz: “O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos.” O monte é o lugar do encontro, aqui é o lugar do encontro, porque na sua forma de ver o mundo, Deus está no céu e o mais perto do céu é a monte. Aqui é o monte, o lugar do encontro com Deus.
O dia do Senhor, é o dia do banquete cheio de plenitude. Eu não tenho medo de morrer, pois na Palavra diz que iremos para um banquete, eu irei me encontrar com Jesus. Não sinto medo de me encontrar com o Senhor, não que eu seja santo, mas porque ele me convida para um banquete. E este banquete deve ser extraordinário. E o profeta sublinha ainda mais e diz: “O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra; o Senhor o disse”.
Não me diga que você não deseja isso, porque eu desejo isso, que Ele acabe com a morte, que ele seque as minhas lágrimas. É isto que você está tentando viver, por isso tanta renuncias. Você quer o banquete que Ele tem te oferecido?
Se nós pregássemos sobre isso as pessoas entenderiam melhor, mas parece que a gente está renunciando muito por pouca coisa. E muitos dizem que isso de ser cristão é o pior negócio, mas quando você fala que eles estão sendo convidados para um banquete, e que qualquer coisa que eles renunciam é por um banquete, então parece que o que trocamos é pouco por causa de muito.
Estamos trocando pouco pelo tudo de Deus. No meu país (Colômbia) eles me convidam para programas de TV e me perguntam de tudo e eu falo de tudo, nunca falta perguntas, eles me perguntam se eu sou celibatário e me olham como se eu fosse um coitado e eu judio deles, porque os pobrezinhos são eles que não sabem que eu deixei pouco pela plenitude de Deus.
Quando compreendemos que o banquete é uma festa queremos renunciar tudo, que parece pouco diante do muito de Deus. Se entendemos isso não será difícil ser cristão, agora se não entendermos será muito difícil.
Você está sendo convidado para um banquete, quando eu peço para você ser fiel a sua esposa é porque sua recompensa será um banquete. Quando peço para você ser um jovem sadio é porque sua recompensa será a plenitude de Deus. Nada do que você deixe será muito comparado a sua recompensa.
O banquete que Isaías anunciou, Mateus identifica como o Reino, não como qualquer reino, mas como Reino de Deus. E ele coloca três características:
É um convite de graça, não paga nada, Ele disse: “Venha”, e você não precisa pagar nada. O Reino dos céus é pura de graça de Deus, presente de Deus, não importa como você está, você está convidado. É um presente de Deus, isso que nos faz diferentes dos fariseus, que acreditavam que podiam comprar o Reino. Mas se Deus levasse em conta nossos pecados, quem resistiria? Ninguém. Nem os bispos, nem o santo padre, ninguém. O convite é de graça mesmo que você seja pecador. É você que decidi se vai ou não vai para o banquete. Não é uma obrigação. Deus te convida e se você não vai Ele continua te convidando. Ninguém me obriga, eu livremente aceito.
Mas se você diz que sim, você precisa ir com a roupa apropriada, para um festa elegante eu não vou de shorts, eles me mandarão embora, eu não vou de terno para praia. Se você aceitar, você precisa assumir as características do discípulo, se aceita ir para o banquete precisa viver como discípulo. Se quiseres entrar no banquete nupcial você precisa viver como um discípulo, caso contrário você será jogado fora. O homem do evangelho foi mandado embora porque ele não tinham as características de um discípulo.
Eu vou e vivo como um discípulo. Mas se você não vive como discípulo será mandado embora. É um convite e exige resposta, porém precisa ser discípulo para entrar.
Paulo em Filipenses repete “eu posso tudo naquele que me fortalece”, por isso que ele fala que pode viver na abundância ou na pobreza, porque Deus lhe dá forças. Não me digas que não é possível ser cristão, viver a palavra, é possível viver com a força de Deus, aquele que quer o Senhor dá as suas forças para que consiga viver.
Só com as nossas forças não é possível. Mas com as forças de Deus é possível, por isso peça as forcas de Deus e poderá testemunhar para a América Latina que é possível ser cristão.
A primeira afirmação que a Liturgia nos fala é de um banquete, você foi convidado uma festa. A segunda, o banquete é de graça e a terceira você é livre para escolher ir para o banquete ou não. Mas se aceitar ir é preciso viver como um discípulo. Isso não é muito difícil, você consegue porque Deus lhe dá forças para viver assim.

 

As leituras deste domingo, especialmente a primeira e o evangelho, convida-nos a refletir sobre a Eucaristia. A partir delas, poderemos refletir neste sacramento como um banquete. Esta perspectiva eucarística foi redescoberta pelo Concílio Vaticano II e, em diversas ocasiões, colidiu com o aspecto sacrificial da missa. Não são dois aspectos que se contradigam ou que sejam opostos, mas completam-se. A Eucaristia é um sacrifício que acontece num contexto de banquete.
A Eucaristia é o banquete que Deus nos oferece. Na primeira leitura, Isaías fala-nos profeticamente da eucaristia. Anuncia uma futura intervenção salvadora de Deus para todos os povos, utilizando a imagem do banquete. Jesus, no evangelho, compara o convite a participar no reino com Deus com o convite para um banquete nupcial. Assim, ambos os textos fazem referência a uma refeição festiva para falar da salvação que Deus nos concede. O banquete é um momento muito importante para as relações humanas. Quando queremos comemorar algo com a família, com os amigos… sentamo-nos à mesa. Tomar uma refeição é sinal de comunhão, de alegria, de solidariedade e de união. No evangelho, assíduas vezes, vemos Jesus sentado à mesa (com os discípulos, com os pecadores…). E foi numa ceia, a ceia pascal, onde Jesus instituiu a Eucaristia para que a relação entre Deus e a humanidade fosse à volta de uma mesa.
O banquete de Deus tem elementos muito importantes para compreender e viver melhor este sacramento: 1) Universalidade da salvação: a exclusividade salvífica do Antigo Testamento, ou seja, que somente o povo judeu era o destinatário da salvação divina, desaparece na Nova Aliança. “Sobre este monte, o Senhor do Universo preparará para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos” (1ª leitura). Na parábola do evangelho, pelo fato de os convidados terem rejeitado o convite para o banquete, este foi aberto a todas as pessoas; 2) A Abundância. Deus dá-se sem medida. O profeta Isaías faz referência à qualidade e à abundância da comida no banquete: “manjares suculentos, vinhos deliciosos… comida de boa gordura, vinhos puríssimos”. No salmo responsorial, encontramos esta frase: “o meu cálice transborda”. O amor que Deus nos oferece, a salvação que nos dá, a vida divina que nos transmite ultrapassa qualquer sentimento humano, ou seja, supera os nossos desejos e as nossas esperanças; 3) Vitória sobre a morte. A salvação de Deus vence a morte. A visão profética de Isaías (“destruirá a morte para sempre”) torna-se realidade na Páscoa de Cristo. Cristo venceu a morte e faz-nos participar da sua vitória. O banquete eucarístico é a expressão, por excelência, desta vitória, porque nele atualizamos a Páscoa, ou seja, torna-se presente a morte e a ressurreição de Jesus.
Mas, Deus não impõe a salvação. Deus não nos obriga a aceitar nada. Deus respeita a liberdade humana. Na parábola do evangelho, os convidados não aceitaram o convite para o banquete nupcial. Será que também nós andamos tão atarefados com as coisas deste mundo que não damos valor ao que é mais importante? De que serve ganhar o mundo se perder a minha vida? Então, se aceitarmos o convite, deveremos vestir o “traje nupcial”, ou seja, ser cristão não só de palavras, mas também de obras. Não basta ser batizado; é preciso viver como filhos de Deus.

 

Homilia do Padre Françoá Costa
XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A
O banquete do Cordeiro

Ultimamente tenho indicado muito um livro de Scott Hahn, “O Banquete do Cordeiro – a Missa por um convertido” (Loyola, 2002), no qual o autor explica de maneira bastante envolvente vários aspectos do mistério da santa missa desde uma perspectiva apocalíptica. O livro é muito interessante e descortina várias realidades veladas aos nossos olhos acostumados a ver somente o que se nos mostra patentemente. Entre outras coisas, afirma o autor logo na “introdução”: “insisto que vamos realmente ao céu quando vamos à missa, e isso é verdade a respeito de toda missa de que participamos, independentemente da qualidade da música ou do fervor da homilia. Não é questão de aprender a “ver o lado brilhante” de liturgias desleixadas. Não se trata de adotar uma atitude mais caridosa para com vocalistas desafinados. Trata-se de algo que é objetivamente verdade, algo tão real quando o coração que bate dentro de você. A missa – e quero dizer toda missa – é o céu na terra”.
“Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete (…). Vinde às bodas!” (Mt 22, 4). Jesus deixou-nos esse prodígio de amor, que é a eucaristia, para que participemos de suas alegrias eternas. Ele instituiu o sacramento do seu corpo e do seu sangue no contexto de uma ceia e se deu em alimento para que nós, fortalecidos, pudéssemos chegar à glória celestial. Mas a eucaristia não é somente um banquete, nem é um simples banquete. Trata-se de um banquete sacrificial. O Catecismo da Igreja Católica faz essa conexão – eucaristia-ceia – já que o Novo Testamento também o faz: “Jesus expressou de modo supremo a oferta livre de si mesmo na refeição que tomou com os Doze Apóstolos na “noite em que foi entregue” (1Cor 11, 23). Na véspera de sua Paixão, quando ainda estava em liberdade, Jesus fez desta Última Ceia com seus apóstolos o memorial de sua oferta voluntária ao Pai, pela salvação dos homens: “Isto é o meu corpo que é dado por vós” (Lc 22, 19). “Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mt 26, 28)” (Cat. 610).
Fomos convidados para participar do banquete nupcial do Cordeiro. Quem é esse Cordeiro com letra maiúscula? Explica-nos o evangelista João: “Eu vi no meio do trono, dos quatro Animais e no meio dos Anciãos um Cordeiro de pé, como que imolado” (Ap 5,6). Tinha-se anunciado que o Leão abriria o livro selado (cfr. Ap 5, 5), mas aparece um Cordeiro que, efetivamente, pode abrir os sete selos (cfr. Ap 6, 1). Aparente contradição! O que tem a ver um leão com um cordeiro? Jesus tem a fortaleza de um leão e a mansidão de um cordeiro. O Cordeiro de Deus, Jesus, aparece “de pé, como que imolado”. Outra aparente contradição! Quem está de pé não está imolado, que está imolado não está de pé; mas, explica-nos a Bíblia de Jerusalém, trata-se do “cordeiro que foi imolado para a salvação do povo eleito (cf. Jo 1,29+; Is 53,7). Ele traz as marcas de seu suplício, mas está de pé, triunfante (cf. At 7,55), vencedor da morte (1,18) e por esta razão (…) senhor de toda a humanidade” (Bíblia de Jerusalém, Ap 5,6, nota z).
O sacrifício do Cordeiro foi oferecido ao Pai, mas também foi oferecido a nós. Pelo poder desse Cordeiro salvador, Jesus, e pela ação do Espírito Santo, atualiza-se em cada missa o mistério da sua Páscoa. Em cada missa nos encontramos com o mistério do Cristo morto e ressuscitado, e, ao encontrar-nos com esses fatos diante de nós, somos transportados à eternidade. Explico-me: o sacrifício de Cristo oferecido ao Pai foi aceito eternamente pelo Pai que o tem sempre diante dos seus olhos. Pois bem, esse mesmo sacrifício que o Pai tem diante de si se nos torna presente em cada santa missa: o céu desce à terra e a terra entra em contato com o céu. Mais ainda, para que a nossa participação seja mais intensa, Deus ofereceu-se em comida, isto é, Jesus na comunhão nos faz participar do banquete que ele mesmo preparou para nós.
Que triste seria se desprezássemos tanto amor de Deus! Como eu participo da santa missa? Desejo, de verdade, que chegue o momento de participar da próxima missa? Procuro ir bem preparado para participar do banquete que o Senhor fez para mim, para a minha salvação e para o fortalecimento do meu apostolado? Encontro na santa missa o centro da minha vida espiritual?

 

A bondade de Deus não tem confins, não discrimina ninguém
As palavras pronunciadas pelo Papa no Angelus
Por Redacao, ROMA, 12 de Outubro de 2014 (Zenit.org) 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia
No Evangelho deste domingo, Jesus nos fala sobre a resposta que é dada ao convite de Deus – representado por um rei – para participar de um banquete de núpcias (cf. Mt 22,1-14). O convite tem três características: a gratuidade, a extensão e a universalidade. Os convidados são muitos, mas algo surpreendente acontece: nenhum dos escolhidos concorda em participar da festa, dizem que têm mais o que fazer; na verdade, alguns demonstram indiferença, estranheza, até mesmo incomodo. Deus é bom para conosco, nos oferece gratuitamente sua amizade, nos oferece gratuitamente a sua alegria, a salvação, mas muitas vezes não acolhemos seus dons, colocamos nossas preocupações materiais em primeiro plano, os nossos interesses e também quando o Senhor nos chama, muitas vezes, parece nos incomodar.
Alguns convidados até maltratam e matam os servos que foram mandados para fazer convite. Mas, apesar da falta de adesão dos que foram convidados, o plano de Deus não é interrompido. Diante da recusa dos primeiros convidados, Ele não desanima, não suspende a festa, mas propõe novamente o convite estendendo-o indistintamente e envia seus servos para as praças e esquinas para reunir todos aqueles que encontram. São pessoas comuns, pobres, abandonados e carentes, bons e maus- mesmo os maus são convidados – sem distinção. E a sala se enche de “excluídos”. O Evangelho rejeitado por alguns é inesperadamente acolhido em tantos outros corações.
A bondade de Deus não tem confins, não discrimina ninguém: por isso o banquete dos dons do Senhor são universais, são para todos. A todos é dado a possibilidade de responder ao seu convite, ao seu chamado; ninguém tem o direito de se sentir-se privilegiado ou pedir exclusividade. Tudo isso nos leva a superar o hábito de nos posicionar confortavelmente ao centro, como faziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus. Isso não deve ser feito; devemos nos abrir às periferias, reconhecendo que mesmo aqueles que estão às margens, aqueles desprezados e rejeitados pela sociedade são objetos da generosidade de Deus. Todos nós somos chamados a não reduzir o Reino de Deus aos confins da “igrejinhas” – a nossa “igrejinha pequenina”- mas dilatar a Igreja à dimensão do reino de Deus. Mas há uma condição: vestir o habito nupcial, ou seja, testemunhar a caridade para com Deus e para com o próximo.
Confiemos à intercessão de Maria Santíssima os dramas e as esperanças de tantos irmãos e irmãs, excluídos, vulneráveis, fracos, rejeitados, desprezados, também aqueles que são perseguidos por causa da fé.

 

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM.
“Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel”(cf. Sl 129,3-4).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG.

Irmãos e Irmãs,
Vamos caminhando para o término do ano litúrgico. Assim nesta caminhada cotidiano do tempo comum sempre se abre mais a perspectiva final. Deus nos aguarda para o banquete escatológico, com o qual já sonhava o profeta Isaías sete séculos antes de Cristo. Exultemos com um festim para todos os povos. Para um povo que conheceu a fome, como o povo eleito, bem como para a maioria do povo de Deus nos dias de hoje, comida e bebida com fartura é uma imagem capaz de evocar o bem estar pleno e total, embora sempre fique uma imagem… a nossa imaginação não consegue conceber o que Deus prepara para seus amigos, seus filhos. Por isso a leitura exclama: “O Senhor todo-poderoso preparará na montanha santa, para todos os povos, um banquete de vinhos escolhidos e alimentos suculentos”(cf. Is 25,6). A Primeira Leitura(cf. Is 25,6-10a), portanto, nos apresenta o banquete messiânico. Este trecho é um “apocalipse”, de data mais recente do que o restante do livro. Depois do juízo sobre as forças celestes e terrestres(cf. Is 24,21), Deus revela a sua glória para os eleitos e reúne todos os povos para o banquete de sua tomada de posse. Elimina-se a cegueira espiritual; a morte é vencida. Não o julgamento, mas a alegria é a última palavra de Deus sobre o mundo.
Meus irmãos em Cristo Senhor,
O Evangelho de hoje(cf. Mt 22,1-14 ou 22,1-10) nos leva a refletir sobre o banquete do Senhor. Felizes os convidados para o banquete do Senhor. Jesus retoma na parábola deste domingo à figura do banquete nupcial. A figura é conhecida também nos escritos laicos. Comer à mesa do rei expressava o auge da felicidade. Os profetas fizeram o povo sonhar com o dia em que todos se assentariam à mesa do rei.
Jesus compara o Reino de Deus a um banquete nupcial do filho do rei. As núpcias são outro símbolo. Todo o Antigo Testamento fala da Aliança de Deus com a humanidade. Em Cristo essa aliança se torna tão forte e íntima, que é comparada ao matrimônio.
A parábola do Evangelho de hoje faz referência aos finais dos tempos, à escatologia. O povo de Deus são os graus escolhidos no celeiro se viverem em conformidade com a vontade do Senhor. Se não viverem conforme esta salvadora vontade estarão fadados ao fogo do inferno.
Jesus faz uma referência escatológica para afirmar que também está se exaurindo o seu tempo entre nós porque “Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo nome” (cf. Fl 2,9). Jesus é para os homens de todos os tempos e de todas as épocas o modelo perfeito de participante do Reino e dele se tornou cabeça e plenitude.
Todos nós somos convidados ao banquete, ou seja, ao próprio Reino de Deus. O velho sonho do homem se assentar à mesa de Deus é a prefiguração da participação do Reino das Bem-Aventuranças. Ouvir a voz e cumprir os mandamentos de Deus é aceitar o convite para o banquete, é fazer tudo para merecer assentar-se à mesa do rei. A parábola nos ensina que a comunhão da criatura humana com Deus é possível, desde que tenhamos fé e corramos a este encontro, com Deus que nos quer à sua mesa. É Deus que quer a comunhão conosco.
Meus irmãos,
Todos nós somos convidados a amar a Deus sobre todas as coisas. Deus nos dá o livre arbítrio de se assentar ou não assentar na mesa com Ele. Deus respeita a liberdade de suas criaturas em escolher entre a graça e o pecado. Entretanto esta liberdade não dá ao homem o direito de querer ocupar o lugar de Deus. Nós não devemos ser iguais aos primeiros convidados que se fecharam em si mesmo, com auto-suficiência.
Depois Deus convidou outras pessoas: aqueles que não tiveram tempo e foram trabalhar no campo, atrás dos negócios e interesses pessoais, se esquecendo da salvação. Todos nós temos que trabalhar, levar alimento e bem estar para a nossa família, mas quando o trabalho é combinado com a vida de oração e de engajamento pastoral e evangelizador, as coisas na vida dos homens melhoram, porque contam com a proteção de Deus, produzindo frutos mil por um.
O ter e o poder cega, cassando do homem uma das maiores virtudes da vida cristã: o amor sem limites, que provém somente da vivência da vontade do Senhor Deus: “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”.
Irmãos e Irmãs,
A veste nupcial é a vivência dos valores evangélicos. Hoje é um dia de valorizarmos os mártires da Santa Igreja de Jesus Cristo. Num contexto de mundo globalizado e cada vez mais secularizado a esperança da Igreja são os homens e as mulheres que, de porta em porta, batem anunciando o Evangelho, a vivência pastoral, a rede de comunidades, o anúncio da pastoral de conjunto e da pastoral social, nunca se esquecendo, se muitos batem às portas pedindo votos, todos nós temos compromisso de pedir voto para o único candidato que nos proporciona a salvação: JESUS CRISTO.
Os primeiros e os segundos convidados se auto-excluíram do banquete. Os terceiros convidados entraram. Quem entrou foram os pobres, os pecadores, os marginalizados socialmente. A parábola nos ensina de que há uma seqüência temporal. Mas o convite é feito para todos os homens, para todos os homens e mulheres de boa vontade, ricos e pobres precisam da veste nupcial. O batismo nos incorpora à Igreja, mas é necessário vivenciar esse batismo com uma inserção pastoral e evangelizadora: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas quem fizer a vontade de meu Pai”.
Irmãos e Irmãs,
A segunda leitura(cf. Fl 4,12-14.19-20) contém as frases mais características do agradecimento final da Carta aos Filipenses. Agradecimento a esta Igreja, porque cuidaram tão bem de Paulo embora ele tivesse suportado também a carência, se fosse o caso. Ele não exigiu nada, mas foi muito bom eles terem feito tudo isso por ele, como gratuidade da bondade fraterna.
Com Deus, tudo posso! São Paulo, que fazia questão de se sustentar com o seu próprio trabalho, aceitou, na prisão, dádivas dos fiéis de Filipos; mas não perde, por isso, sua liberdade: ele sabe que tudo por Deus e com Deus. Nas dádivas, ele acolheu os filipenses como participantes de seu sofrimento. Agora, reparte com eles o ministério que na verdade o sustenta: o meu Deus. É um agradecimento a Deus por causa destes fiéis tão dedicados e delicados.
É um exemplo para se levar para casa, no fim desta missa, porque a grande lição da liturgia do banquete e o traje é alimentando-se com Cristo todos participaremos da vida de Deus no já-ainda não da escatologia que começa aqui e agora com a Igreja peregrina rumo à Igreja Triunfante no Céu. Amém!

 

Jesus Cristo nesta Parábola destaca a contínua Vontade de Deus que chama a todos para a salvação. Fica nítido que o banquete é o Reino dos Céus em contraste com a rejeição do convite por aqueles que são convidados. Esta rejeição é tão grave, que merece um castigo definitivo. Deus faz a proposta e espera nossa resposta, nossa conversão. Devemos mudar nosso modo de agir. Mas, se optarmos pelas coisas do mundo, colocando nossos interesses acima da proposta de Deus, não estaremos demonstrando o devido cuidado ao convite e podemos ficar fora do banquete.
Na parábola, os primeiros convidados foram o povo judaico, depois os gentios (cf. At 13,46). Na História da Salvação, não como judeus, nem como gentios, mas como cristãos, também somos convidados a participar do banquete. Então perguntamos: Como estamos nos preparando para esta festa? Com indiferença, hostilidade ou com fidelidade a escuta da Palavra?
As bodas, diz São Gregório Magno (†604), “são as bodas de Cristo com a Sua Igreja, e o traje é a virtude da caridade: entra portanto nas bodas, mas sem a veste nupcial, quem tem fé na Igreja, mas não possui a caridade” (In Evangelia homiliae).
O traje de bodas indica, em geral, as disposições com que buscamos as coisas do alto. O núcleo da perfeição é o amor, que se pratica de maneira mais intensiva pelo sacrifício (consagração total) da vida a Deus. Se alguém não cultiva este amor, para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo, não está em comunhão. Mesmo pertencendo à Igreja, se não cultivarmos o amor em nossas vidas, seremos julgados, tal qual, o homem sem a veste nupcial. Então, vamos nos abrir à Graça de Deus?
O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, nº 48 reafirma as colocações da Parábola “… Mas, como desconhecemos o dia e a hora, conforme a advertência do Senhor, vigiemos constantemente, a fim de que, terminado o único curso de nossa vida terrestre (cf. Hb 9,27), possamos entrar com Ele para as bodas e mereçamos ser contados com os benditos (cf. Mt 25,31-46), e não sejamos mandados, como servos maus e preguiçosos (cf. Mt 25,26), apartar-nos para o fogo eterno (cf. Mt 25,41), para as trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22,13 e 25,30).
A Parábola conclui-se com a expressão: “muitos são os chamados, e poucos os escolhidos”, que não contradiz com a vontade salvífica de Deus (cf 1Tm 2,4). Cristo, no Seu Amor por cada ser humano, busca a conversão da alma com infinita paciência, até o extremo de morrer na cruz. Da mesma forma, cada um pode afirmar com o Apóstolo Paulo: “… Cristo, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim” (Gl 2,20). Contudo, Deus, na Sua infinita sabedoria, respeita a liberdade do ser humano, que faz a sua opção de vida.
Bendito seja Deus para sempre!

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