Santa Teresa de Jesus – 15 de Outubro

Santa Teresa de Ávila
Dom Eurico dos Santos Veloso

Teresa Sanchez Cepeda Davila y Ahumada nasceu em Ávila, Castela, em 28 de março de 1515. Era a terceira do casal Alonso Sanchez Cepeda e Beatriz Davila y Ahumada. Ela faleceu a 4 de outubro de 1542, mas por causa das reformas no calendário litúrgico, considera-se a data de sua morte 15 de outubro. Foi beatificada em 1614 pelo Papa Paulo V e canonizada em 1622 por Gregório XV, com comemoração em 15 de outubro. Em 27 de setembro de 1970, foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI. Bem, o grande legado à Igreja dessa Santa mística foi a reforma do Carmelo e sua contribuição para a experiência metódica da oração pessoal na busca de uma intimidade maior com Deus. Santa Teresa parte da oração vocal, que havia praticado com as irmãs agostinianas, mas tece-lhe críticas, pois no seu entendimento deve-se pensar no que se diz e não recitar muitas fórmulas e mexer com os lábios. Segundo ela, o espírito deve esvaziar-se, a imaginação e o entendimento calar-se. É a oração de recolhimento, na qual a alma deve aprender a amar. Ela se fixa nos mistérios da humanidade de Cristo, no seu sofrimento e pouco a pouco abandona o ser e o espírito, desinteressando-se de si mesmo. A alma vive e vê, numa palavra, contempla. É uma oração ativa, laboriosa, voluntária e perseverante. Falando as irmãs do Carmelo diz: “Não sabeis o que é oração mental. Nem como se faz a vocal. Nem o que é contemplação… Comecemos por nos perguntar a quem vamos falar, e quem somos. Não podemos dirigir a um príncipe de modo tão informal quanto a um trabalhador ou a pobres criaturas como nós, a que se pode falar de qualquer jeito, e sempre está muito bem!”. “Dirige a Deus cada um dos teus atos, oferece-os e pede-lhe que seja com grande fervor e desejo de Deus. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e sua sabedoria. Em tudo, envia-lhe o teu louvor. Em tempo de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás habituada. Antes as intensifica. E verás com que prontidão o Senhor te sustenta”. “Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo. Tua dor, não te comprazeres na sua presença. Tua satisfação, o que pode conduzir-te a ele. E viverás numa grande paz”. “Quem verdadeiramente ama a Deus, ama tudo o que é bom, quer tudo o que é bom, favorece tudo o que é bom; louva todo o bem, com os bons se junta sempre, para apoiá-los e defendê-los. Em uma palavra, só ama a verdade e o que é digno de ser amado”. “Quando recito o pai-nosso, será um sinal de amor lembrar quem é esse Pai e também quem é o Mestre que nos ensinou essa oração”. “Ó meu Senhor, como vos mostrais Pai de tal Filho, e como vosso Filho revela que veio de tal Pai. Bendito seja para sempre. Pai nosso, que estais no céu… Com quanta razão a alma estaria em si; poderia então elevar-se acima de si mesma e escutar o que lhe ensinaria o Filho bendito sobre o lugar em que – afirma ela – está o Pai. Deixemos a terra, minhas filhas; não é justo que apreciemos tão mal um favor como esse, e que, depois de ter compreendido sua grandeza, continuemos sobre a terra” (cf. Orações e recomendações de Santa Teresa, extraídas do livro: “Orar com Santa Teresa de Ávila” – Edições Loyola – 1987). Assim, orar com os métodos de Santa Teresa de Ávila, nos leva ao encontro pessoal com nosso Deus e Pai, uma vez que a oração segundo nos ensina essa grande mística é um trato de amizade entre a alma e Deus. A oração vem as ser, assim, um caminho que nos leva à fonte de todo bem, Deus, e com a oração aprendemos a relação de dependência que nos faz viver as entranhas maternais desse Deus que vela por todos nós.
Termino com a consagrada prece de entrega a Deus de nossas preocupações e inquietudes, pois, para quem encontra Deus nada lhe falta. Só Deus é que preenche todo o nosso ser:
“Nada te inquiete,
nada te amedronte,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
A quem tem Deus, nada falta,
SÓ DEUS BASTA”.  

Santa Tereza de Ávila, rogai por nós.

 

Papa propõe Santa Teresa de Jesus como “mestra espiritual”
Começa uma breve série sobre os Doutores da Igreja

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – O Papa Bento XVI quis propor hoje a santa espanhola Teresa de Ávila como exemplo de vida “fascinante” e como “mestra espiritual” para os cristãos de hoje. Começou assim um percurso – como ele mesmo anunciou aos peregrinos reunidos na Sala Paulo VI para a audiência das quartas-feiras – pela vida dos Doutores da Igreja, sobre alguns dos quais já falou durante seu ciclo de teólogos medievais. Teresa de Ávila, afirmou o Papa, “representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos”.
Citando a autobiografia da santa espanhola – “O livro da vida” -, Bento XVI percorreu sua vida desde os desejos de martírio em sua infância, sua adolescência e juventude cheias de distrações, seu conflito interior em meio às doenças e, finalmente, sua conversão e suas experiências místicas. “Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita”, explicou o Papa, aludindo à importante reforma do Carmelo, levada a cabo por Teresa. A existência de Teresa de Ávila, ainda que tenha transcorrido na Espanha, sublinhou, esteve “empenhada por toda a Igreja”, fato pelo qual foi proclamada Doutora da Igreja por Paulo VI, em 1970. “Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros”, explicou o Papa.
Da mesma forma, aludiu à sua “amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz”, assim como sua estima pelos “Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho”. Além da autobiografia, o Santo Padre destacou o “Caminho de perfeição”, no qual a santa “propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração”, e sua obra mística mais conhecida, “Castelo interior”. Nesta última, Teresa “refere-se à estrutura de um castelo com sete ‘moradas’, como imagens da interioridade do homem”, inspirando-se “na Sagrada Escritura, especialmente no ‘Cântico dos Cânticos'”.
Entre os ensinamentos da santa, o Papa destaca “o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva”. Nos ensinamentos de Teresa estão também “as virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura”. “Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus”, assim como a oração como algo “essencial”: para a santa, rezar significa “tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama”. “Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação”, assim como “a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final”. Por isso, afirmou o Papa aos presentes, “Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais, Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação”.

 

Catequese do Papa: perfeição cristã segundo Santa Teresa de Ávila
Intervenção na audiência geral de hoje

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

Queridos irmãos e irmãs: Ao longo das catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade Média, pude falar sobre alguns santos e santas que foram proclamados Doutores da Igreja por sua eminente doutrina. Hoje, eu gostaria de começar com uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja. E iniciamos com uma santa que representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos: Santa Teresa de Jesus. Ela nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais. Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7). Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila. Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus. Escreve: “Eu desejava viver porque compreendia bem que não estava vivendo, mas estava lutando com uma sombra de morte, e não tinha ninguém para me dar vida, e nem eu poderia tomá-la, e Aquele que podia dá-la a mim, estava certo em não me socorrer, dado que tantas vezes me voltei contra Ele, e eu o havia abandonado” (Vida 8, 2). Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1). Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação. Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência. Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor. É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração. A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros. Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e complexa espiritualidade teresiana. Podemos citar alguns pontos-chave. Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base da vida cristã e humana: em particular, o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer das virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura. Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela se sente em consonância sobretudo com a esposa do “Cântico dos Cânticos”, com o apóstolo Paulo, além de com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico. A santa enfatiza, depois, quão essencial é a oração: rezar significa “tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de Santa Teresa coincide com a definição que São Tomás Aquino dá da caridade teologal, como amicitia quaedam hominis ad Deum, uma espécie de amizade entre o homem e Deus, quem primeiro ofereceu sua amizade ao homem (Summa Theologiae II-ΙI, 23, 1). A iniciativa vem de Deus. A oração é vida e se desenvolve gradualmente, em sintonia com o crescimento da vida cristã: começa com a oração vocal, passa pela interiorização, através da meditação e do recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e com a Santíssima Trindade. Obviamente, este não é um desenvolvimento no qual subir degraus significa abandonar o tipo de oração anterior, mas um gradual aprofundamento da relação com Deus, que envolve toda a vida. Mais que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ela ensina o leitor de suas obras a rezar, rezando ela mesma com ele; frequentemente, de fato, interrompe o relato ou a exposição para fazer uma oração. Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação. Daí a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, para a vida de cada crente e como coração da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: ela manifesta um vivo sensus Ecclesiae frente a episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem Carmelita com a intenção de servir e defender melhor a “Santa Igreja Católica Romana” e está disposta a dar sua vida por ela (cf. Vida 33, 5). Um último aspecto fundamental da doutrina de Teresa que eu gostaria de sublinhar é a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final. A Santa tem uma ideia muito clara da “plenitude” de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do “Castelo Interior”, na última “morada”, Teresa descreve a plenitude, realizada na inabitação da Trindade, na união com Cristo mediante o mistério da sua humanidade. Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais, Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente. Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: “Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida”. Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos. Obrigado. [No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:] Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação acadêmica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: “O livro da Vida”; “Caminho da perfeição”; “Castelo Interior” e “O Livro das Fundações”. Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada na inabitação da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade. Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençoo.
[Tradução: Aline Banchieri.© Libreria Editrice Vaticana]

 

SANTA TERESA PROPÕE ANTÍDOTOS CONTRA NOVA ERA
Segundo Dom Berzosa no 2º Congresso Internacional Teresiano

ÁVILA, quinta-feira, 8 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – A mística carmelita possui um aspecto que, “por si só, acaba com a pseudo-mística da Nova Era: o nexo intrínseco entre a Trindade e todos os demais mistérios humanos”. Quem afirmou isso foi o bispo de Ciudad Rodrigo, Dom Raúl Berzosa, em sua intervenção de 4 de setembro, no 2º Congresso Internacional Teresiano. “No cristianismo, na mística carmelita, não se pode aplicar o termo ‘autorrealização’, porque nem sequer o homem e a mulher mais desenvolvidos em sua existência podem alcançar por si mesmos a plenitude. Tudo é dom e tarefa, graça e liberdade”, disse. Dom Berzosa, autor do livro “Nova Era e cristianismo. Entre o diálogo e a ruptura”, indicou que, “no livro ‘Caminho de Perfeição’, de Santa Teresa, podemos encontrar algumas chaves ou antídotos para enfrentar os enganos místicos da Nova Era”. Ele propôs um texto do capítulo 16 da grande obra para rebater o panteísmo da Nova Era: “Ó Senhor! Que todo o dano nos vem de não ter os olhos postos em Vós, que, se não olhássemos a outra coisa senão o caminho, depressa chegaríamos; mas damos mil quedas e tropeçamos e erramos o caminho por não pôr os olhos, como digo, no verdadeiro caminho”. E, diante da pretensão de salvar-se sozinho, recolheu um fragmento do capítulo 17 de “Caminho de Perfeição”: “Deixai o Senhor da casa fazer o que quiser: sábio é Ele e poderoso e entende o que nos convém e o que lhe convém a Ele também”. Para o bispo de Ciudad Rodrigo, não podem se sustentar as teses repetidas na Nova Era, segundo as quais o homem e mulher de hoje já têm dentro de si todo o seu potencial.

Mística
O prelado destacou que o termo “mística” equivale à “busca apaixonada do Deus vivo, descoberta do Deus vivo, encontro com o Deus vivo, abraço com o Deus vivo, já neste mundo e na nova humanidade”. E propôs também um texto de São João da Cruz sobre a presença de Deus na sua criação: “Deus em todas as pessoas mora secreto e encoberto na mesma substância delas, porque, se não fosse assim, não poderiam durar”, escreveu o santo. O bispo continuou citando-o: “Mas há diferença neste morar, e muita: porque em umas, mora sozinho e, em outras, não mora sozinho (trinitariamente); em umas,, mora com agrado e, em outras, com desagrado; em umas, mora como em sua casa, mandando e regendo tudo e, em outras, mora como estranho em casa alheia, onde não o deixam mandar nem fazer nada (…)”. “Uns têm Deus por graça em si somente e outros, por união. É tanta a diferença, como a que há entre desposório e matrimônio. Porque no desposório só há uma vontade de ambas as partes e presentes de joias e ornatos, mas no matrimônio há também comunicação de pessoas e união”, concluiu sua citação do livro “Chama viva de amor”. Dom Berzosa destacou que “somente sob a ação do Espírito Santo o homem se encontrará em profundidade consigo mesmo e se realizará o processo de verdadeiro amadurecimento da humanidade, de forma individual e comunitária”. E afirmou que, “em tudo isso, pulsa um transfundo clássico ascético-místico muito carmelita: a afirmação de que a presença da Trindade em nós é tripla: por criação, por graça e por união”.

Religiões superadas?
O prelado detalhou os traços espirituais e os elementos teológicos da Nova Era e sublinhou alguns dos seus pontos divergentes do cristianismo. Advertiu que a Nova Era “não está contra as religiões, pois procura superá-las desde dentro”. Neste sentido, resumiu o processo: “Anos 60: Cristo, sim; Igreja, não. Anos 70: Deus, sim; Cristo, não. Anos 80: religião, sim; Deus, não. Anos 90: espiritualidade, sim; religião, não”. Em outras palavras, referiu-se aos que viram a “passagem de uma religiosidade confessional a outra da experiência, de uma religiosidade institucionalizada a outra personalizada, de uma religiosidade formal a outra mais interiorizada”.

Mentiras da Nova Era
E comentou as “quatro mentiras ou tentações” espirituais da Nova Era, já mencionadas em Gênesis 3, 1-5, e cuja autoria seria do tentador: “sereis como deuses” (panteísmo), “não morrereis jamais” (reencarnação), ‘conhecereis o bem e o mal” (relativismo e subjetivismo moral) e “seus olhos se abrirão” (esoterismo iluminista). “A fé cristã não é uma iniciação esotérica nem um caminho de iluminação da consciência – explicou. E a salvação não consiste em uma experiência de plenitude cósmica através de um processo de reencarnação.” Também destacou o grande alcance dessa espiritualidade e estilo de vida, chegando a afirmar que a Nova Era é como “a alma ou espírito da globalização econômica neoliberal”. “Se, há algumas décadas (I1960-1970), se falava de transformação social, compromisso social, mudança de estruturas (marxismo), hoje se fala de consciência superior, de boas vibrações, de qualidade de vida, de harmonia profunda, de meditação transcendental, de energia, de agir no planetário, de nova ordem mundial e globalização”, disse. Com relação ao perfil de pessoas mais influenciadas por este novo paradigma, destacou: “Ele se arraiga entre as pessoas do primeiro mundo, de classe média-alta, entre 25-50 anos – que têm o estômago cheio, mas a cabeça e o coração vazios e que são os grandes ausentes das nossas comunidades cristãs”. No entanto, Dom Berzosa afirmou que “a moda da Nova Era se esfumará, mas as perguntas levantadas por ela permanecerão (…), perguntas que o cristianismo soube e saberá responder a partir do mistério profundo e integral de Jesus Cristo”.

Congresso
O 2º Congresso Internacional Teresiano, em preparação para o quinto centenário do nascimento de Santa Teresa, foi realizado na universidade da Mística de Ávila, de 29 de agosto a 4 de setembro. Participaram mais de 100 pessoas, de 20 nacionalidades, e os organizadores calculam que mais de 6 mil pessoas acompanharam em algum momento as atividades pela internet. O congresso permitiu aprofundar na sabedoria desta doutora da Igreja a partir da sua obra “Caminho de Perfeição”. Precisamente o manuscrito original desta grande obra, que habitualmente se conserva no mosteiro das carmelitas descalças de Valladolid, esteve exposto no recinto da Universidade da Mística por ocasião do congresso.

 

Dia do Professor: “Formar homens novos para um mundo novo”
Por Padre Luizinho

Hoje é dia do Professor e de uma grande mestra de vida cristã, Santa Teresa de Ávila. Quero começar agradecendo aos professores que eu tive em minha casa, a minha família, meus pais, tios e irmãos, pois os melhores professores estão dentro de nossa família. Na escola a gente aprende a ler, escrever a despertar a nossa inteligência e capacidade intelectual, mas em casa aprendemos a ser gente, aprendemos a falar, andar, a ter fé a agir para o bem. Na escola aprendemos as letras, em casa adquirimos o caráter, aprendemos a ser humano. “Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes” Paulo Freire. Para conquistar o sonho e a vocação ser sacerdote eu deveria estudar muito, aqui começam as dificuldades, pois quando criança tinha um pequeno desvio no cérebro que me impedia de aprender a ler e escrever, eu não conseguia juntar as letras e isso me deixava muito nervoso. Passei por algumas escolas e não conseguia progredir, isso também causava fortes dores de cabeça, hoje tenho consciência que tinha uma forte dislexia, tomei gardenal até os doze anos. Neste tempo no meu bairro, uma professora chamada Aglair, é importante lembrarmos das pessoas que nos fizeram experimentar vitórias, com muita paciência dava-me aulas de reforço em sua casa, neste ambiente de misericórdia e acolhimento aprendi a ler e escrever, daí em diante não tive mais dificuldade. Na verdade professor passa muito mais do que conhecimento, do que teoria, o verdadeiro professor passa vida, amor, para formar o homem todo e essa pedagogia tem a capacidade de curar o corpo e a alma. A todos os verdadeiros professores que passaram em minha vida, muito obrigado, vocês formaram um homem de Deus, essa é a essência da vocação do Professor: “Formar homens e mulheres novos para um mundo novo”.

“Professor é o sal da terra e a luz do mundo. Sem vós tudo seria baço, e a terra escura. Professor, faz de tua cadeira a cátedra de um mestre. Se souberes elevar teu magistério, ele te elevará à magnificência… … Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Melhor professor nem sempre é o de mais saber e, sim, aquele que, modesto, tem a faculdade de manter o respeito e a disciplina da classe”. Cora Coralina

Verdades da Profissão de Professor
Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda (Paulo Freire).

Santa Tereza mestra e professora rogai por nós!

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