Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida – 12 de Outubro

PADROEIRA E RAINHA DO BRASIL

A intercessora do povo
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

“Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias”

O Brasil está unido, de norte a sul, de leste a oeste, para a grande festa de nossa excelsa padroeira: a Virgem da Conceição, Aparecida das águas do Rio Paraíba, no vale do mesmo nome, no ano de 1717. A devoção a Virgem Maria que nos abre o caminho mais rápido para contemplarmos a Santíssima Trindade. No majestoso Santuário Nacional de Nossa Senhora, na paulista Aparecida, ou nas Catedrais, Igrejas Matrizes, Igrejas Filiais e Capelanias de todo o imenso território nacional os fiéis precedidos de seus Pastores, louvam a Deus, por intermédio de sua Mãe que nos legou o mais simples e profundo modo de seguir a Jesus Cristo, o Redentor: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (cf. Jo 2, 5). Maria deve ser colocada, dentro de um bom entendimento da liturgia de hoje, como a intercessora do povo, como principal padroeira do povo Brasileiro. A Virgem Aparecida nos traz recordações importantes na vida cristã: como a ternura maternal da Virgem, sua dedicação a Jesus como mulher de fé, seu serviço prestado a toda a humanidade. Em Maria temos o mais perfeito exemplo do discípulo e da discípula de Jesus, que sabe cumprir os mandamentos e fazer realizar a única vontade do Pai, que se concretiza na salvação do povo de Deus. A Virgem Maria deve ser apresentada como o Modelo acabado de fidelidade do ser humano a Deus. Maria da fraternidade. Maria da acolhida. Maria da graça. Maria da partilha. Maria da misericórdia. Maria da graça santificante. Maria da generosidade. Maria do serviço! Relembramos assim, a visita do Conde de Assumar, em 1717, em Guaratinguetá, quando os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso foram escalados para pescar peixes para a refeição da visita ilustre, sendo este dia uma sexta-feira, dia de abstinência de carne. Os homens simples do Vale do Paraíba nada pescaram. Quando já estavam quase desanimando jogaram a rede e retiram uma imagem pequena de Nossa Senhora da Conceição, um pouco enegreada pela água, sem a cabeça. Outro arremesso. Veio a cabeça da imagem. Assim prosseguiu mais um arremesso e veio a pesca abundante. Deus abençoava, naquele momento, os três pescadores. A imagem da Virgem da Conceição, feita de barro cozido, enegrecida pelas águas e pelo tempo, medindo 36 cm, foi levada para o culto divino. Em 1745 foi construída uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros. Nascia, assim, a devoção a Virgem Aparecida, Mãe do Povo Brasileiro. Em 1888 foi substituída a primitiva capela por uma Igreja. Em 1894 a Igreja e a devoção a Nossa Senhora foi enriquecida pela presença dos Missionários Redentoristas que passaram a gerir o Santuário Nacional. Desde 1953, a festa de Nossa Senhora Aparecida, tem como dia de celebração o dia 12 de outubro. Desde 1930 Nossa Senhora Aparecida abençoa o povo brasileiro como sua Padroeira Nacional. Em 4 de Julho de 1980 o Sumo Pontífice João Paulo II, de venerável memória, consagrou o novo Santuário Nacional. Em 13 de maio de 2007, o Sumo Pontífice Reinante, Papa Bento XVI, abriu a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho nos fazendo o doce convite para “sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo para que todos tenham vida e vida plenamente”. Na véspera deste memorável encontro, no interior da majestosa Basílica, o Santo Padre rezara o terço com os ministros sagrados e o povo de Deus, na mais cândida homenagem a Maria que abençoa o povo brasileiro. A história ensina que Maria é a verdadeira salvaguarda da fé; em cada crise, a Igreja reúne-se à volta d’Ela. Só assim os discípulos do Senhor poderão ser para os outros sal da terra a luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14). “Feliz do povo, cujo Senhor é Deus, cuja Rainha é a Mãe de Deus!” Assim proclamava o Papa Pio XII e assim poderá exclamar essa dileta arquidiocese de Aparecida, se devidamente souber voltar os olhos para Aquela que gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. É que a missão essencial da Igreja consiste precisamente em fazer nascer Cristo no coração dos fiéis (cf. Lumen gentium, 65) pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização. Salvos das águas pela fé e pelo Batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam na Virgem Aparecida, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”. Esta parte fica como a nossa missão na festa da Virgem Maria Aparecida. Amém!

 

APARECIDA E SUA MENSAGEM
Deus se encantou com esta mulher e a fez sua Mãe
Pe. Rinaldo Roberto de Rezende, Cura da Catedral de São Dimas

Bem escreveu Dom Helder Câmara, saudoso arcebispo de Recife e Olinda: “Não nos basta tua sombra, ó Mãe, comove-nos tua imagem!” É assim que nos sentimos diante da pequenina imagem da Senhora Aparecida. Como aconteceu esta “aparição”? A história é muito comentada, mas podemos nos perder nos detalhes e, por isso, arrisco contá-la numa pequena síntese. Em 1717, iria passar pelo nosso Vale do Paraíba o Conde de Assumar, uma visita ilustre para os pobres moradores da região ribeirinha. Fazia parte da viagem passar pelo Porto de Itaguaçu, hoje cidade de Aparecida. Conta-se que iriam servir uma refeição para o Conde. O que tinham de melhor? Os peixes do Rio Paraíba. Mas o rio não estava para peixe. Com receio de não terem o que servir, pediram ajuda aos céus. Lançaram as redes, e nada. Até que pescaram o corpo de uma pequena imagem e, em seguida, veio para a rede a cabeça, da mesma imagem. Que imagem era essa? Uma imagem barroca, de terracota, da Imaculada Conceição. Acredita-se que esta imagem tenha sido lançada no Rio Paraíba na altura da cidade de Jacareí. Por sinal, bem junto à ponte que liga a Praça dos Três Poderes ao bairro São João, existe uma antiga capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Mais um detalhe, a padroeira da Matriz de Jacareí é a Imaculada Conceição. A partir daí a pequenina imagem de cor morena, devido ao lodo do fundo do rio, passou a ter como casa a casa dos pescadores. Tempos depois improvisaram uma pequena capela. A fama da imagem foi crescendo. Qual imagem? Aquela “aparecida” nas águas do rio. Daí vem o nome, que se tornou nome de tantos e tantas: Aparecida. Alguém poderia se perguntar: qual a mensagem deixada? Como tantos outros já disseram, aqui registro o seguinte: a mensagem de Aparecida está ligada ao modo como apareceu e ao contexto histórico. A imagem da Imaculada Conceição traz Maria grávida de Jesus. É de uma mulher grávida. Maria vem para nos apresentar Jesus, para nos apresentar a Jesus. Isto é o que importa. A imagem está de mãos postas, como que rezando. A nós ela pede que façamos o que Jesus nos disser, a Ele ela intercede por nós: “Eles não têm mais vinho”, como no Evangelho de João, no capítulo segundo. A cabeça e o corpo precisam ser unidos, como a Igreja Corpo Místico de Cristo precisa estar unida a “Cristo Cabeça”. Sem Ele, cabeça deste corpo, nada somos e nada podemos. Ainda, a imagem vem para a barca dos pescadores. A barca é símbolo da Igreja nos Evangelhos. Maria entra na história do nosso povo, da Igreja no Brasil. A imagem brota das águas, como nós brotamos para a Igreja pelas águas purificadoras do Batismo. A imagem vem para os pequenos, para os pobres, e num período em que os negros viviam no regime da escravatura. Aí vem uma outra “coincidência”: só em 1888 a imagem recebe uma “casa digna”, que hoje chamamos de Basílica Velha. Parece-nos que ela esperou seus pobres filhos serem libertos para aceitar um presente melhor. A casa só veio quando seus filhos foram libertos. Ela é a Mãe Morena do povo brasileiro. Também quero sublinhar os presentes que o povo deu à imagenzinha: uma coroa, uma capa. Assim ela foi ornamentada. Deus se encantou com esta mulher e a fez sua Mãe. Ela, por sua vez, também nos encantou. Contemplando a pequenina imagem, vemos um esboço de sorriso em seus lábios. Ela é, sem dúvida alguma, o sorriso de Deus para a nossa gente, para todos nós!

 

BRASIL, NASCIDO NOS BRAÇOS DA SANTÍSSIMA VIRGEM

O Brasil é o maior país católico do mundo, como disse o Papa São João Paulo II, por ocasião do centenário da coroação de Nossa Senhora de Aparecida, em 2004. Foi o Papa São Pio X quem solenemente coroou a Virgem Maria como “Rainha do Brasil”, em 1904. Todavia, a história da devoção mariana neste país surge no início do século XVI, quando a frota do navegador português, Pedro Álvares Cabral (1467-1520), em abril de 1500, desembarca nas costas de uma terra ainda desconhecida, e que será chamada, inicialmente, Ilha de Vera Cruz e, em seguida, Terra de Santa Cruz, antes de receber o nome atual, Brasil (da palavra brasa em referência aos tons avermelhados dos troncos de uma espécie de árvore conhecida como pau-brasil).

“O Brasil nasceu nos braços de Maria”
E foi, na verdade, no início de 1500, após ter-se colocado sob a maternal proteção de Maria e ter assistido à Santa Missa numa capela dedicada a Nossa Senhora de Belém, que a frota portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral partiu, visando a descobrir novas e longínquas terras, além do Atlântico. A Virgem Maria, sob o vocábulo de Nossa Senhora da Esperança, foi, também, a primeira a colocar os pés em terras brasileiras, graças a Pedro Álvares Cabral que, assim que chegou, fez rezar a primeira Missa neste novo solo, em presença da estátua da Virgem que viajara com ele. Eis o motivo pelo qual os brasileiros gostam de dizer que “o Brasil nasceu nos braços de Maria”. Em conseqüência disso, todos os portos e aldeias do novo país surgiam com uma pequena igreja, devotada, durante um bom  tempo, à Maria. Além disso, todo o litoral brasileiro é consagrado à Virgem! Em 1584 a Paraíba era chamada de Nossa Senhora dos Mares; ainda hoje, um sem-número de vestígios datando desta época pioneira, pode nos revelar a existência de outras igrejas dedicadas a Maria. O primeiro grande santuário Mariano de que se tem notícia no Brasil é o de Nossa Senhora das Graças, na Bahia, que lhe foi erigido, por volta de 1530, após a aparição da Mãe de Deus a uma jovem índia casada com um português.

“A Rainha bem-amada do povo brasileiro”
Assinalamos, igualmente, o santuário de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Itanhaém (perto de São Paulo), sem dúvida, o primeiro dedicado à Maria com este vocábulo, naquela região. Já no  Espírito Santo, o santuário é devotado à Nossa Senhora das Vitórias e, em Porto Seguro, à Nossa Senhora do Socorro. Na província do Pará se encontra o importante santuário de Nossa Senhora de Nazaré, sua importante Basílica e a imensa sala dos ex-votos, oferecidos para agradecer a Nossa Senhora tantos milagres e graças recebidos mediante a sua intervenção. Entretanto, o maior testemunho, no Brasil, da devoção a Maria, em sua Imaculada Conceição, certamente é o santuário construído em honra à Virgem Imaculada em Aparecida, sobre as margens do rio Paraíba, no estado de São Paulo. Foi neste local, diante da Virgem Aparecida que, em 1946, o Brasil renovou a consagração do povo brasileiro ao coração Imaculado de Maria. Vale assinalar, também, que, a partir de 1940, de forma particular, o Brasil sempre esteve na vanguarda do movimento Mariano em relação ao mundo inteiro. Neste país, as Congregações marianas não cessam de florescer; contamos, hoje, com aproximadamente três mil delas, que agrupam grande quantidade de jovens, (os “Marianos”)! Pois Maria é, verdadeiramente, “a Rainha bem-amada do povo brasileiro”.

Fonte: MDN

 

Um modelo de docilidade
Maria simples criatura escolhida como mestra do amor
Marina Adamo / [email protected]

A alegria e a emoção invadem o meu coração neste momento que escrevo sobre Maria, a mulher que se abandonou inteiramente nas mãos do Criador. A mestra do amor que gera o Mestre do amor, pois só quem ama e capaz de submeter-se ao amor e assumir todas as suas conseqüências. Maria, uma mulher que teve a coragem de renunciar ao seu lindo plano de amor, que era casar-se com Jose, por causa de um Bem Maior: ser a Mãe do Salvador. Muitas vezes em nossa vida, nos não conseguimos viver a vontade de Deus, porque temos dificuldades de fazer a troca de um Bem por um Bem Maior. Mas, quando amamos a Deus sobre todas as coisas, os nossos desejos e interesses são considerados mesquinhos e pequenos diante da grandeza, bondade, sabedoria e amor do Pai. Maria fez da sua felicidade a realização do projeto de Deus. Nós também somente conquistamos a felicidade autêntica imitando-a na realização de uma total entrega a Deus. E todo aquele que ama Jesus prefere a vontade e os desejos do Pai. Entre inúmeras virtudes de Maria, saliento a sua docilidade e obediência a Palavra de Deus, que capacitou Maria para gerar o próprio Deus. Os discípulos de Jesus são aqueles que acolhem a Palavra e permitem que as suas vidas sejam transformadas e conduzidas por ela. Jesus reconhece todas as pessoas que seguem o exemplo da sua mãe. “Felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Se todos ouvissem a Deus como Maria, teríamos pessoas mais felizes e uma convivência humana bem mais fácil. Maria, simples criatura de Deus, foi escolhida como modelo de abertura total à ação do Criador. Ele olhou para a humildade da Sua serva; e ela, apesar de uma escolha de destaque, continuou sendo simples e humilde. Torna-se verdadeira discípula e assume a missão de apresentar o filho de Deus para o mundo. Para entendermos a missão de Maria é preciso nos abrirmos ao projeto de Deus, que visa o bem humano, a nossa união, a convivência fraterna de todos, tendo em vista a conquista ao Premio Celeste: o Céu. Toda a humanidade deveria reconhecer a escolha de Deus: Maria, a Mãe de Deus, como esta no evangelho de Lucas: “Todas as gerações me chamarão Bem-Aventurada” (Lc 1, 48). Ela deseja que todos os seus filhos brasileiros a acolham como a anfitriã do nosso País, a nossa mãe. O mundo atual tem levado as pessoas a serem egoístas e competitivas, mas nos brasileiros não podemos deixar que esta maneira de ser nos contagie, porque somos um povo que acolhe o estrangeiro e tem gestos de amor para com o outro. Neste dia da Virgem Aparecida, a Rainha e Padroeira do Brasil, vamos pedir ao Pai que Ele una os nossos corações, para que cada vez mais possamos nos render ao amor daquela que e a mestra do amor e que gerou o Mestre do Amor. O amor não divide, o amor se multiplica. Aprendamos com ela a amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a nos mesmos. Se você ainda não se relaciona com Maria como uma mãe, comece hoje a dar os primeiros passos, e deixe que ela entre em sua casa, em seu coração e seja a sua educadora e mestra, a sua amiga, conselheira, consoladora, auxilio e companheira rumo ao Céu!

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