Qual o valor das bênçãos dadas pelos padres artistas que trabalham no rádio ou na televisão?

BÊNÇÃOS À DISTÂNCIA
Qual o valor das bênçãos dadas pelos padres artistas que trabalham no rádio ou na televisão sobre a água que fica em cima do rádio?
Aquela bênção realmente funciona?
A Igreja autoriza isso ou devemos receber isto com um certo cuidado?
Pe. Zezinho, SCJ

Em primeiro lugar, deve ficar bem claro que devoção é uma coisa e Sacramento é outra. Os fiéis têm o direito de praticar devoções e viver alguns sinais que favoreçam a prática da fé, mas nenhuma das devoções é obrigatória; já os Sacramentos para a Igreja têm maior peso e este é objeto de estudo, de regulamentos e de normas muito claras porque é uma vivência aprovada universalmente, de unidade da fé católica. Isto posto, a sua pergunta deve ser respondida da seguinte maneira: se formos lógicos ao aprovarmos e acreditarmos que uma bênção dada pelo rádio realmente abençoou aquela água teremos que permitir também uma missa pelo rádio e amanhã, nada obsta[1] que os fiéis que receberam uma benção do padre XYZ para o seu copo d’água no rádio, nada impede que eles coloquem um cálice com vinho e as hóstias para que também o padre as consagre através do rádio; se vale abençoar a água porque não valeria consagrar o vinho e o pão? Como você vê, não é muito fácil esse assunto de fé virtual. Se o padre tem o poder de abençoar aquela água à distância também vai poder celebrar missa à distância. Acontece que a Igreja proíbe a celebração de missa à distância e não considera válido que os fiéis recebam do cálice o vinho ou pão consagrados através da televisão à distância. Então, também não deve permitir benzeduras com aquela água que foi abençoada através da televisão à distância. É questão de lógica. Respondendo a você, eu não faço isso porque tenho sérias dúvidas sobre a validade desse tipo de bênção. Jesus pode abençoar à distância, como no caso do servo, mas Jesus era Filho de Deus e eu não sou, por mais que seja mensageiro ou porta voz dele; a Igreja não vê com naturalidade esse tipo de prática. Deixa muitas dúvidas no ar… Na dúvida, prefiro não brincar com um sacramental tão sério que é a água benta. Não, eu jamais abençoaria a água pelo rádio; acho que a Igreja não aprova. Pós escrito: existe uma bênção e comunhão espiritual que é muito diferente disto que esses companheiros estão ensinando a você… Duvido que aquela água realmente foi abençoada…

[1] Obsta: atrapalha

 

Bênção pela mídia
Fonte: www.padrezezinhoscj.com
Autor: Pe. José Fernandes de Oliveira, scj

Não é incomum ver pregadores católicos, evangélicos e pentecostais abençoarem através da mídia. Nada mais natural, pois a benção não está restrita a lugar. Percebe-se, com freqüência, que alguns deles, abençoam copos de água e o bebem e sugerem a quem pôs o copo de água diante da televisão e do rádio, que também o beba. Atribuem poder de benção sobre objetos à distância. Isso também está na Bíblia. Mas, daí a concluir que a benção dada pelo pastor ou padre, pelo padre ou pastor, através da televisão é mais forte do que a benção dada pelo seu pároco é um passo ousado. Equivale a dizer que a benção de perto, dada pelo padre em carne e osso, vale menos do que a benção de longe dada pelo pregador famoso. Aí confunde-se a fama do pregador com o poder de benção que ele tem. O que não é a mesma coisa! Se é para receber a benção de uma Igreja, qualquer pregador daquela Igreja, por ela autorizado, deve dá-la. Pode-se recebê-la pelo rádio, ou pessoalmente, lá na Igreja matriz com o pároco. Não é porque um padre famoso fez o sinal da cruz a dois mil quilômetros e a benção veio televisão que, de repente, a benção do padre a quinhentos metros daquela casa valerá menos! Mas é o que tem acontecido! Foi a história a mim contada por um pároco de cidade do interior de Minas Gerais, que ouviu da fiel, que morava a menos de um quilômetro da sua Igreja, que ela não ia perder tempo de andar um quilômetro para ir receber uma benção, se ela poderia recebê-la na casa dela, sentada, pela televisão, por um padre que tinha mais poder do que ele, porque abençoava mais gente do que ele. O pároco se calou, diante do marido dela, estupefato ele com a dureza da esposa. Mais tarde o marido foi ao padre pedir desculpas. Ele, o esposo não pensava daquele jeito. Disse: – “Minha mulher se deixou influenciar por alguns pregadores de televisão. Porque eles estão mais lá em casa do que o senhor, concluiu que os pastores dela são aqueles que falam pela televisão. Para ele é mais fácil porque podem estar em milhões de casas ao mesmo tempo, para o senhor eu sei que é difícil, porque uma coisa é pregador de mídia e outra é pregador de paróquia. Minha mulher ainda não entendeu isso. Ela foi convencida pela mídia e pelo marketing e ainda não conseguiu estabelecer a diferença. Para ela, padre de mídia tem mais autoridade do que o bispo e o pároco. Mil perdões por minha esposa. Não há santo que a convença que pregador famoso não é o mesmo que pregador preparado”. Embora com a língua a coçar, o pároco nunca falou do fato na paróquia. Limitou-se a me pedir que, na entrevista que eu daria na emissora de rádio, eu transmitisse essa catequese, coisa que eu fiz com muito prazer, porque acredito que padre de mídia não pode substituir padre de paróquia, de hospital e de colégio e por achar que o dízimo primeiro deve ser dado à paróquia e só depois alguma contribuição para o movimento ou para a televisão. No máximo somos humildes colaboradores. Nunca podemos usurpar. Cabe a nós que trabalhamos na mídia dizer com clareza: – “Minha benção vale menos ou tanto quanto outras bênçãos. Não atribua a mim uma santidade ou um poder que eu não tenho só porque estou na mídia. Seu padre aí pertinho da sua casa, tem muito mais direito do que eu até porque tem mais deveres junto a você.” É o que digo, falo e faço. Sei dos limites de trabalhar na mídia, sei também do valor de um bispo e de um sacerdote que se desgastam no seu cotidiano pelo bem do povo de Deus a ele confiado. Trabalhar na mídia pode até ser mais sensacional, mas não é nem deve ser mais importante. Registre-se esta observação de quem já tem 45 anos de mídia!…

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