Especialista orienta pais na educação financeira dos filhos

Quarta-feira, 15 de agosto de 2012, Jéssica Marçal, com colaboração de Kelen Galvan / Da Redação

O planejador financeiro Rogério Nakata orienta o diálogo sobre finanças entre os membros da família  

Uma dificuldade de muitas famílias nos dias de hoje é no que diz respeito ao planejamento financeiro. Mesmo com pai e mãe trabalhando, o orçamento às vezes aperta e tudo fica ainda mais difícil quando falta compreensão por parte dos filhos, mas uma boa conversa e orientação entre pais e filhos podem ajudar.

Na terceira reportagem especial nesta Semana Nacional das Famílias, o noticias.cancaonova.com entrevistou o planejador financeiro Rogério Nakata. Ele explicou que o primeiro passo para evitar problemas financeiros é a família se reunir para conversar também sobre suas finanças, como faz com outros assuntos. “O brasileiro é acostumado a falar sobre novela, futebol, e outros assuntos, mas com relação às finanças pessoais ou da família, dificilmente eles param para conversar”, disse.

Em especial com relação aos filhos, que nem sempre entendem a dificuldade financeira da família, Rogério orientou os pais a iniciarem uma educação financeira com as crianças desde que elas são pequenas, começam a pedir bens e ficam insistentes. “É importante, desde pequeno, dar esse tipo de orientação para que as crianças possam ser menos consumistas e aprenderem a valorizar os pequenos centavos”. E isso, segundo o especialista, pode ser feito a partir de uma simples conversa até meios mais práticos, como dar uma mesada para a criança.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

noticias.cancaonova.com – Nas famílias de hoje, pai e mãe trabalham e ainda assim às vezes encontram dificuldades no orçamento. Qual a melhor orientação para manter em dia as finanças da família?

Rogério Nakata – É importante sempre a família ter ciência de que eles devem conversar mais a respeito desse assunto em casa. Existem muitas famílias que têm dificuldades em falar sobre dinheiro. O brasileiro é acostumado a falar sobre novela, futebol, e outros assuntos, mas com relação às finanças pessoais ou da família, dificilmente eles param para conversar sobre esse assunto. A primeira coisa é realmente ter essa conversa. O segundo ponto é que elas possam colocar tudo isso na ponta do lápis, organizando de forma que eles possam entender melhor como funciona o orçamento dessa família. Quais são essas despesas, essas receitas? Quais as oportunidades que eles têm de poder enxugar esses gastos mensais? Onde existem ralos no orçamento que podem ser eliminados para que a família evite entrar no vermelho todo mês ou para que possam começar uma poupança, seja para uma emergência ou para realizar um projeto de vida ou um sonho almejado? Tudo isso é importante para que a família possa controlar melhor sua vida financeira pessoal e familiar a ponto deles terem um futuro mais tranqüilo.

noticias.cancaonova.com – Muitos pais enfrentam problemas com os filhos, em relação ao consumismo às vezes exagerado. Existe uma idade certa para os pais iniciarem a educação financeira dos filhos?

Rogério – A idade aproximada para começar a falar sobre esse assunto com os filhos é por volta de 7 anos de idade. Quando a criança começa a pedir as coisas, a ficar muito insistente, já é importante começar a iniciar essa criança com aulas de educação financeira, o que é muito comum em países mais desenvolvidos como EUA e Japão e que aqui ainda pouco se discute sobre esse tema. O pai deve ensinar para a criança que quando ela pede alguma coisa e ele fala que não tem dinheiro e, obviamente, a criança fala para o pai passar o cheque ou o cartão, que por trás daquilo existe um compromisso, um comprometimento de trabalho e que realmente é preciso ter dinheiro para que ele possa comprar aquele carrinho, a boneca, ou então levar a criança para passear, como essa criança às vezes deseja e às vezes o pai e a mãe não têm essa possibilidade. É importante desde pequeno dar esse tipo de orientação para que as crianças possam ser menos consumistas e aprenderem a valorizar os pequenos centavos. Isso pode ser desde iniciar com uma conversa básica até com o uso de semanada ou mesada quando essas crianças se tornam um pouco mais velhas.

“A mesada, quando bem orientada, funciona muito bem como iniciação para a educação financeira da criança”

noticias.cancaonova.com –  A mesada é uma boa solução para os filhos aprenderem a necessidade de planejamento financeiro?

Rogério – Sim. A mesada, quando bem orientada sobre seu uso, funciona muito bem como uma iniciação para a educação financeira dessa criança ou adolescente, porque ele vai ter responsabilidade com esses pequenos recursos que ele recebe para que possa pagar seu doce, salgadinho, cinema. Também ensina essa criança a guardar uma parte disso que ela recebeu, pra que ela possa juntar isso para realizar um sonho maior. Então é sim algo bastante importante e que vale a pena dar esse tipo de semanada ou mesada para que a criança possa aprender mais a como lidar com os recursos financeiros.

noticias.cancaonova.com –  Quando o pai não tem condição de dar a mesada, além da conversa, existe outra alternativa para ajudar nessa conscientização?

Rogério – Despertando na criança o interesse pelo assunto. Se não há tempo para ter esse bate-papo com a criança, de repente colocá-la em contato com livros voltados a esse assunto. Existe hoje uma grande quantidade de livros que falam sobre educação financeira para crianças e que podem auxiliá-la a entender realmente, a dar os primeiros passos nessa relação com o dinheiro. Então essa seria uma forma didática e lúdica para as crianças aprenderem. Mas muito mais do que elas aprenderem por palavras, às vezes vale muito mais os exemplos que os pais dão. Fica muito difícil para a criança entender que o pai não tem dinheiro, quando ele fala que não tem, e a mãe está comprando uma bolsa ou um sapato novo, o pai está trocando de carro, mesmo parcelando em 60 vezes a criança não entende isso.  Quando os pais se conscientizam e passam realmente a tomar mais conta das suas finanças pessoais, isso automaticamente é transmitido para as crianças. Em países mais desenvolvidos, como eu citei, isso começa com orientações básicas de não deixar comida no prato, não deixar as luzes do quarto acesas, fechar a torneira ao escovar os dentes, isso já é um ensinamento primário de economia de recursos naturais, por exemplo.

noticias.cancaonova.com – Como os pais devem proceder em momentos de crise financeira na família? Mesmo que as crianças sejam pequenas, o diálogo com os filhos, esclarecendo a eles o problema, pode ajudar?

Rogério – Sim, ajuda e é fundamental que todos saibam da situação financeira atual da família, por isso que é importante realmente que a família se reúna, sentem juntos, tracem objetivos e metas, que cada um possa, de alguma forma, ajudar a economizar em casa pra que eles possam superar essa crise financeira na família. Se isso não for colocado em pauta, às vezes um membro da família está disposto a pagar o preço, a economizar, a fazer os sacrifícios necessários para que a família saia do endividamento, mas se os outros não colaborarem fica bastante complicado para que o resultado, que é ter mais qualidade de vida e tranquilidade financeira, se torne realmente realidade na vida dessas pessoas. O aspecto importante é isso, as famílias assumirem: “estamos com problemas financeiros, precisamos mudar, precisamos tomar algumas ações, de repente buscar uma ajuda profissional”, porque nem sempre “santo de casa faz milagre”, como a gente gosta às vezes de falar. De repente, é uma ajuda de um profissional, um planejador financeiro, por exemplo, que pode fazer com que esta discussão seja mais produtiva, organizada a ponto da família realmente cooperar e ter um futuro financeiro mais tranquilo.

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