Abençoados sejam nossos pais!

EXEMPLO PATERNO

“O Senhor quer que o pai seja honrado pelos filhos… Honre a seu pai em atos e palavras, para que a bênção dele venha sobre você” (Eclesiástico 3, 2 e 8).

Mesmo que atualmente a figura paterna seja menosprezada pelo mundo, a presença do pai é essencial na edificação de um lar. A graça de ser pai é uma missão confiada por Deus para que o homem seja fonte de referência na família através de seus exemplos de dedicação, acolhida, consolo, amor, perdão e fé. Na maioria dos casos, o filho imita o seu pai, tanto nos bons quanto nos maus exemplos. Por isso, cabe ao pai a imensa responsabilidade de orientar corretamente seus filhos. E aos filhos, cabe honrá-lo através de atos e palavras, fazendo frutificar a semente dos ensinamentos cultivada por ele. Que Deus ilumine a todos vocês que são pais para que desempenhem da melhor maneira possível a sua missão.

 

ABENÇOADOS SEJAM NOSSOS PAIS
Dom Orani João Tempesta, O. Cist., arcebispo do Rio de Janeiro

Neste segundo domingo de agosto comemoramos o Dia dos Pais, mesmo sabendo que todos os dias devem ser dedicados aos pais e à valorização do ingente papel paterno na família, constituída pelo casamento do homem com a mulher, dentro da convocação da Igreja, para terem filhos e os educarem na fé. Na comunidade família, o pai é chamado a viver o seu dom. Por isso mesmo recordamos que nesse mesmo domingo rezamos pela vocação matrimonial e iniciamos a Semana Nacional da Família. A paternidade começa no compromisso de vida do marido para com sua esposa, baseando-se no amor desinteressado e generoso. Descobrir a beleza de colaborar no plano da criação e se responsabilizar pelo futuro é por demais belo para que não contemplemos essa bonita missão recebida de Deus! Os filhos e filhas devem ter a oportunidade de reconhecer no pai a presença do amor, da escuta e do apoio oportuno para o seu crescimento, para se tornarem pessoas que experimentem o amor e vivam com equilíbrio a vida humana e com conhecimento dos seus direitos e responsabilidades. Também receberão o apoio para alcançar a auto-estima, a autêntica autonomia e independência para compartilhar e celebrar os seus sucessos, e dar conforto quando confrontado com o fracasso. Os pais não serão julgados pelo valor dos bens materiais que eles possam ou devam proporcionar a seus filhos: o que realmente importa é a forma como o Pai orienta seus filhos para Jesus Cristo e qual o papel de modelo de fidelidade de valores ele realmente apresenta no seio de sua família. Neste sentido, o pai é chamado a assegurar o desenvolvimento harmonioso e de união entre todos os membros da sua família e partilha com a esposa a formação dos filhos. Porém compartilhamos também as angústias de muitos pais, que hoje, frente às frustrações da procura por emprego, ou de desejo de dar o melhor pela sua família, sem poder fazê-lo olham com preocupação a vida de sua família e o futuro de seus filhos. Aqui temos a necessidade de uma sociedade mais justa e solidária que devemos construir com a nossa participação. Deus é a fonte da vida e do amor em que a família vive no mundo de hoje. O Papa Paulo VI já nos recordava na Encíclica Humanae Vitae que o casamento “não é efeito do acaso ou do produto da evolução de forças naturais inconscientes: é uma instituição sapiente do Criador para realizar na humanidade o seu desígnio de amor” (HV 8). Daí que na missão de pai este é convidado a frutificar e ter a vida ao máximo, exercendo sua função específica biológica e psicológica no contexto da família. Mais do que nunca hoje notamos a necessidade desse equilíbrio familiar e o papel do Pai na formação humana de seus filhos. Não se pode abdicar dessa obrigação fundamental da célula da sociedade que é a família e a missão que esta tem no presente e futuro da sociedade. Para os cristãos isso se reveste de uma vocação e conta com a graça de Deus para que possa corresponder ao chamado de Deus para bem desempenhá-la. Em resumo poderíamos dizer que a missão do Pai é uma vocação, em última instância, do próprio matrimônio. Este significa uma união de pessoa com todos os seus valores, e tudo o que deve representar a medida de sua própria dignidade. Todo homem e toda mulher devem doar-se mutuamente em dom sincero de si, através das expressões de sua masculinidade e de feminilidade, o que transpassará certamente para o seu relacionamento com os filhos que virão de sua união. A família é desafiada com variados problemas urgentes e inúmeros ataques e crises que são, na verdade, provocados pelas tendências de uma sociedade em mudança. Portanto, é importante lembrar que os cônjuges têm uma importante missão na educação dos seus filhos, passando-lhes valores e nobres ideais. Neste contexto, surge o conceito de Pai como serviço no amor, conforme nos recorda o Papa Paulo VI: “na tarefa de transmitir a vida, os pais não são livres para procederem à vontade, como se pudessem determinar de forma totalmente autônoma as vias honestas a seguir, mas devem conformar a sua atividade de acordo com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e de seus atos”. A criança não pode exercer certas fases de sua maturidade psicológica sem a ajuda paterna, que a ajuda a ousar e a enfrentar as adversidades da vida. O pai educa principalmente pela sua conduta pessoal, que consigo também carrega os variados aspectos da sua própria identidade. Os filhos e também filhas olham para a figura paterna muito mais do que apenas uma extensão de seus conhecimentos limitados. Olham para seus gestos, suas expressões e para o seu testemunho. Procuram neste um valor e um sentido de suas vidas, que encontrarão, certamente, na realidade das coisas, na vida que se apresentará diante deles, um dia. Em suma, a paternidade é um “link” para as consciências dos filhos, que os orienta na condução moral e nos princípios éticos de suas existências. Rogamos hoje a São José, como modelo de pai, que abraçou por inteiro as suas responsabilidades e que ressalta sempre em nós a sua firmeza e sua perseverança, confiando sempre em Deus. Imagens de São José com frequência o retratam segurando uma régua de carpinteiro, mas que podem muito bem simbolizar não só o seu ofício, mas também a sua capacidade de governar e medir as suas posições como homem de família e como pessoa de fé. São Bento, grande mestre da espiritualidade, diz que o abade de um mosteiro tem que mostrar a atitude dura de um mestre e a ternura de um pai. O mesmo deveria se aplicar aos pais de família. Devem ser tanto carinhosos com seus filhos, enquanto agem com firmeza em sua educação. Auguro que os pais de nossa Arquidiocese e do Brasil possam transmitir as verdades da nossa fé católica aos seus filhos e dar um bonito testemunho de discipulado e missionariedade, para que a sua família, rezando e celebrando unidos a sua fé, seja a autêntica Igreja doméstica, parcela da Igreja de Cristo. Que Deus abençoe todos os pais!

 

DO CORAÇÃO DOS PAIS PARA O CORAÇÃO DOS FILHOS
Monsenhor Jonas Abib

Você pai, tem de provocar, tem de fazer coisas, tem de pedir a Deus a arte, a graça, de fazer com que os seus filhos sejam apaixonados por você. Você precisa! Não basta amar! É preciso que os seus filhos sintam que você os ama. Não basta “fazer coisas”. É preciso que eles sintam que são amados.

Eu até digo para muitos pais e muitas mães: larguem de dar coisas! Larguem de “pensar no futuro”, para dar mais coisas no futuro, e cada vez mais coisas no futuro. Larguem de dar coisas! Os seus filhos precisam de amor e de serem excitados para o amor. Não dêem mais coisas! Não comprem mais os seus filhos. Não os “entuchem” mais lhes dando coisas, roupas, moto, carro… Isso não resolve! Eu repito: não resolve.

“Não basta amar! É preciso que os seus filhos sintam que você os ama”

Mude. Mude radicalmente. Peça hoje, peça agora a Dom Bosco educador, a Nossa Senhora Auxiliadora, a mestra de Dom Bosco, peça a Jesus, o Mestre dos mestres, Aquele que disse: “Amai-vos uns aos outros”, peça-Lhe um coração de educador, de educadora, um coração de pai, um coração de mãe. Porque, infelizmente, o mundo deformou o seu coração. Este mundo consumista ensinou a você e o levou (e os seus colegas o ajudaram nisso) a querer “comprar” os outros. Talvez você tenha sido uma pessoa comprada por outros. Fizeram isso com você: o compraram com coisas. Compraram você com as coisas que queria, mas também com as coisas que você não queria. E você viveu na base do consumo. Por isso você vive um amor na base do consumo: dando coisas e tentando angariar amor agindo assim.

E, na verdade, eu lhe digo: esses filhos só fazem desaforo. Só dão ingratidão e decepção para nós. Filho que recebeu, recebeu e recebeu coisas, só dá “coice” no pai e na mãe! Quem muito recebe coisas devolve em forma de “coice”! O filho que muito recebe coisas só acaba devolvendo “coice”!

Se você pai, mãe, não quer continuar levando “coice” de seus filhos não lhes dê mais coisas. Não compre mais o seu filho. Não fique preocupado em trabalhar, trabalhar, trabalhar, para dar, para dar, para dar… Não! Ame e provoque o amor.

Mesmo que você tenha de passar um tempo em “jejum”, ou seja, sem dar coisas. Seu filho e sua filha ficarão admirados. Eles irão estranhar e dirão: “Meu pai e minha mãe viviam me dando coisas, mas agora pararam… O que aconteceu? Será que meu pai não gosta mais de mim? Será que ele não tem mais dinheiro? Será que ele entrou em depressão? Será que a minha mãe ‘pirou’?”

Vai valer a pena, talvez, um tempo de “jejum” até que seu filho estranhe (estou lhe dando lições muito concretas!) e daqui a pouco você começa a amar de uma maneira diferente. E daí você sabe do que o seu filho, a sua filha, gosta. E que não são “coisas”. Todo filho gosta de presença. Gosta de uma mão na cabeça. Gosta de um gesto, de uma cama arrumada (que não é coisa que você está dando!), gosta de um bilhete, de uma flor. Gosta até mesmo de uma comida, de um jeito de arrumar os pratos, de ficar junto, de ouvir, de chamar para trabalhar junto. […]

Ame porque você é capaz de amar. Ame e faça com que seus filhos sintam que você os ama. […] E eu digo para você: ame com gestos. Gesto é gesto. Gesto não é coisa! Ame com gestos.

 

“Não um amigo, mas apenas pai”
Flavio Insinna homenageia o pai ao apresentar sua autobiografia no Fiuggi Family Festival
Luca Marcolivio

FIUGGI, Itália, sexta-feira, 27 de julho de 2012 (ZENIT.org) – Apesar de o clichê de que “o tempo cura todas as feridas”, a morte de um ente querido é uma marca indelével no coração de qualquer pessoa. A experiência universal da morte do pai torna-se única e especial na obra do ator e apresentador de televisão italiano Flavio Insinna, que narra seu drama no livro autobiográfico Neanche con un morso all’orecchio [Nem com uma mordida na orelha, em tradução livre] (Mondadori, 2012, em italiano). Insinna compartilhou o seu depoimento nesta semana com o público do Fiuggi Family Festival, superando o difícil desafio de evitar as lágrimas fáceis e conservando a abordagem irônica. Durante a conversa com a apresentadora Julie Arlin, Insinna traçou a personalidade do pai, Salvatore, médico de origem siciliana, muitas vezes duro e severo na forma, mas generosíssimo em espírito. O artista fala da extraordinária dedicação de seu pai pela família e pelos pacientes, em prol dos quais, até os últimos momentos da vida, ele foi literalmente se “consumindo”. “Ele dizia que um médico de família tem que saber tudo da família, cada problema humano deles, e que o paciente vira uma criança, porque tem medo: por isso, o sorriso do médico é fundamental”. “Ele se importava muito com o nosso estudo e com a nossa formação”, prossegue Insinna, “e costumava dizer para os filhos: ‘você tem que viver a vida como se fosse o último dia e estudar como fosse viver para sempre’. E recomendava ler uma página por dia, do que quer que fosse”. O casamento dos pais de Flavio Insinna durou mais de cinquenta anos, não “porque eram outros tempos, mas porque os meus pais eram pessoas de outros tempos. Muita gente que leu o meu livro me disse que eu tive sorte de ter uma família tão unida. O meu pai sabia pegar as coisas ordinárias em família e transformá-las em coisas extraordinárias: ele nos ensinou a ser pessoas decentes, sem ser moralistas”. Do falecido pai, Insinna recordou comovido as várias vezes em que recebeu dele um “não”, além das renúncias que o ajudaram a crescer. “Ele nunca quis ser ‘amigo’, mas apenas pai. E nunca me deu ‘descontos’. Ele me educou para estar sempre me superando”. “Um dia, ele me disse: ‘filho, você acha que teria sido mais fácil dizer sempre que sim? Se uma pessoa sempre diz que sim, aquilo é bom durante algum tempinho, mas depois, no fundo, você tem a sensação de que ela não lhe dá a mínima’”. “Ele me dizia sempre: ‘filho, o dilúvio não está vindo em cima de você’, querendo me dizer para não pensar só em mim, para olhar para os outros e para as necessidades dos outros. Não existe só o ‘eu’, mas também o ‘nós’”. “Uma vez eu disse que também podia ter sido médico, e ele me respondeu que nós teríamos tido que pagar um bom advogado para cada paciente que eu teria matado… Ele me via mesmo como advogado”. A opção de Flavio pela carreira artística não foi compartilhada inicialmente pela família. Mas, com o tempo, as coisas mudaram. “Volta e meia, eu fazia o meu pai ler os scripts, e o último telefonema antes de subir no palco e logo depois era sempre para os meus pais”. Insinna acredita que, involuntariamente, o pai o tenha encaminhado para a carreira teatral, já que “ele tinha um talento extraordinário para contar histórias com um grande timing cômico”. Da relação do pai com a fé, Insinna declarou: “Ele era um homem da ciência e, no começo, acreditava pouco. Mas mamãe, como aquela gota que vai furando a pedra, o envolveu cada vez mais, fazendo com que ele fosse à missa e convivesse mais com os padres”. “Católico ou não, ele sempre tentou trazer alegria para a nossa vida. Mas se nós conseguimos nos dar ao luxo de discutir durante anos e mesmo assim permanecer unidos, o mérito foi da mamãe e do grande amor que ela sempre colocou em tudo”. No fim do encontro, Insinna reconheceu a impossibilidade de apagar uma dor tão grande como a da morte de um pai. “Não faz sentido dizer num funeral que ‘é a vida’. Como você diz isso na frente da morte? E outro absurdo é falar de uma pessoa morta dizendo que ‘ele já era velho’”. Depois de um luto tão difícil, “você continua vivendo com dignidade, mas o vazio que um ente querido deixa é um buraco que vai crescendo dia após dia. É uma dor que eu acho que Alguém vai me explicar quando eu mesmo passar para a melhor vida…”. [Trad. ZENIT]

 

O PAI NUNCA DESISTE

Havia um homem muito rico, possuía muitos bens, uma grande fazenda, muito gado e vários empregados. Tinha ele um único filho, que, ao contrário do pai, não gostava de trabalho nem de compromissos. O que ele mais gostava era de festas, estar com seus amigos e de ser bajulado por eles. Seu pai sempre o advertia que seus amigos só estavam ao seu lado enquanto ele tivesse o que lhes oferecer, depois o abandonariam. Os insistentes conselhos do pai lhe retiniam os ouvidos e logo se ausentava sem dar o mínimo de atenção.
Um dia o velho pai, já avançado na idade, disse aos seus empregados para construírem um pequeno celeiro e dentro do celeiro ele mesmo fez uma forca, e junto a ela, uma placa com os dizeres: “Para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai”. Mais tarde chamou o filho, o levou até o celeiro e disse:
– Meu filho, eu já estou velho e quando eu partir, você tomará conta de tudo o que é meu, e sei qual será o seu futuro. Você vai deixar a fazenda nas mãos dos empregados e irá gastar todo dinheiro com seus amigos, irá vender os animais e os bens para se sustentar, e quando não tiver mais dinheiro, seus amigos vão se afastar. E quando você não tiver mais nada, vai se arrepender amargamente de não ter me dado ouvidos. É por isso que eu construí esta forca; sim, ela é para você, e quero que me prometa que se acontecer o que eu disse, você se enforcará nela.
O jovem riu, achou absurdo, mas, para não contrariar o pai, prometeu e pensou que jamais isso pudesse ocorrer.
O tempo passou, o pai morreu e seu filho tomou conta de tudo, mas assim como se havia previsto, o jovem gastou tudo, vendeu os bens, perdeu os amigos e a própria dignidade. Desesperado e aflito, começou a refletir sobre a sua vida e viu que havia sido um tolo, lembrou-se do pai e começou a chorar e dizer:
– Ah, meu pai, se eu tivesse ouvido os teus conselhos, mas agora é tarde, é tarde demais.
– Pesaroso, o jovem levantou os olhos e longe avistou o pequeno celeiro, era a única coisa que lhe restava. A passos lentos se dirigiu ate lá e, entrando, viu a forca e a placa empoeirada e disse:
– Eu nunca segui as palavras do meu pai, não pude alegrá-lo quando estava vivo, mas pelo menos esta vez vou fazer a vontade dele, vou cumprir minha promessa, não me resta mais nada. Então subiu nos degraus e colocou a corda no pescoço e disse:
– Ah! se eu tivesse uma nova chance …
E pulou, sentiu por um instante a corda apertar sua garganta, mas o braço da forca era oco e quebrou-se facilmente, o rapaz caiu no chão, e sobre ele caíram jóias, esmeraldas, pérolas, diamantes.
A forca estava cheia de pedras preciosas, e um bilhete que dizia:
– Essa é a sua nova chance. Eu te Amo muito.
Seu Pai

– Isso é o que faz nosso maravilhoso Pai: Deus.

E para você papai: feliz dia dos Pais!

 

Este homem que admiramos tanto, com todas as suas virtudes e também com seus limites. Este homem com olhar de menino, sempre pronto e atento, mostrando-nos o caminho da vida, que está pela frente.

Este mestre contador de histórias traz em seu coração tantas memórias, espalha no nosso caminhar muitas esperanças, certezas e confiança.

Este homem alegre e brincalhão, mas também, às vezes, silencioso e pensativo, homem de fé e grande luta, sensível e generoso.

O abraço aconchegante a nos acolher, este homem, pai, com quem aprendemos a viver. Pai, paizinho, paizão… nosso velho, grande amigão, conselheiro e leal amigo: infinito é teu coração.

Obrigado, pai, por orientar nosso caminho, feito de lutas e incertezas mas também de muitas esperanças e sonhos…

 

O Pai e a Família

Neste domingo celebramos o Dia dos Pais! Dentro da comunidade família, o pai é chamado a viver o seu dom. Os pais são planos de Deus para a família. Esta comemoração, que veio através da sociedade civil, nos ajuda a valorizar no âmbito religioso a vida familiar. Apesar da exploração comercial deste dia, a Igreja no Brasil, neste mês vocacional, recorda a vocação à vida em família. Por isso mesmo começamos a viver também nesse dia a Semana Nacional da Família. Hoje, ultrapassamos a ideia do chamado pai provedor, enquanto ele é capaz de trabalhar, até arduamente, para abrigar sua família, colocar comida na mesa e pagar as contas no final do mês. A paternidade começa no compromisso de vida do marido para com sua esposa, baseando-se no amor desinteressado e generoso.
Os filhos e filhas devem reconhecer no pai a presença do amor, da escuta e do apoio oportuno para o seu crescimento, para se tornarem pessoas com conhecimento dos seus direitos e responsabilidades; o apoio para alcançar a auto-estima, a autêntica autonomia e independência e também para compartilhar e celebrar os seus sucessos, e dar conforto quando confrontado com o fracasso. O que conta para o cristão é a forma como o Pai orienta seus filhos para Jesus Cristo, e qual o papel de modelo de fidelidade de valores ele realmente quer apresentar no seio de sua família. Neste sentido, o pai é chamado a assegurar o desenvolvimento harmonioso e de união entre todos os membros da sua família. Deve partilhar com a esposa a formação dos filhos. Podemos afirmar que a paternidade é própria de uma verdadeira espiritualidade da família. Deus é a fonte da vida e do amor em que a família vive no mundo de hoje. O saudoso Papa Paulo VI já nos recordava na Encíclica Humanae Vitae que o casamento “não é efeito do acaso ou do produto da evolução de forças naturais inconscientes: é uma instituição sapiente do Criador para realizar na humanidade o seu desígnio de amor (HV 8). Daí que, na missão de pai, este é convidado a frutificar e ter a vida ao máximo, exercendo sua função específica biológica e psicológica no contexto da família.
Poderíamos dizer que a missão do Pai é uma vocação, em última instância, do próprio matrimônio. Este significa, antes de tudo, a união de uma pessoa com todos os seus valores e tudo o que deve representar a medida de sua própria dignidade. Todo homem e toda mulher deve doar-se mutuamente em dom sincero de si, através das expressões de sua masculinidade e de feminilidade, o que transpassará certamente para o seu relacionamento com os filhos que virão de sua união. A família é sempre desafiada com variados problemas urgentes, que são, na verdade, provocados pelas tendências de sua secularização. Neste contexto, surge o conceito de Pai como serviço no amor.
Novamente nos adverte Paulo VI: “na tarefa de transmitir a vida, os pais não são livres para procederem à vontade, como se pudessem determinar, de forma totalmente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem conformar a sua atividade de acordo com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e de seus atos”. A criança não pode exercer certas fases de sua maturidade psicológica sem a ajuda paterna, que a ajude a ousar e a enfrentar as adversidades da vida. O pai educa principalmente pela sua conduta pessoal, que consigo também carrega os seus variados aspectos da masculinidade do ser humano.
Os filhos e filhas olham para a figura paterna muito mais do que apenas como uma extensão de seus conhecimentos limitados. Olham para seus gestos, suas expressões e para o seu testemunho. Procuram neste um valor e um sentido de suas vidas, que encontrarão, certamente, na realidade das coisas, na vida que se apresentará diante deles, um dia. Em suma, a paternidade é um “link” para as consciências dos filhos, que os orienta na condução moral e nos princípios éticos de suas existências. Roguemos, hoje, a São José, como modelo de pai que abraçou por inteiro as suas responsabilidades, ressaltando a sua firmeza e sua perseverança, confiando sempre em Deus e no seu plano. Quantos pais estão diante das frustrações da procura por emprego, ou de desejo de dar o melhor pela sua família, sem poder fazê-lo! São Bento, grande mestre da espiritualidade, diz que o abade de um mosteiro tem que mostrar a atitude dura de um mestre e a ternura de um pai. O mesmo deveria se aplicar aos pais de família. Devem ser tanto carinhosos com seus filhos, enquanto agem com firmeza em sua educação.
Que a Semana Nacional da Família nos ajude a apresentar a beleza da vida em família cristã que procura ouvir a voz de Deus e colocar em prática a Sua Palavra. Eis um belo momento de apresentar ao mundo a importância e a necessidade das famílias cristãs e a proposta de sua presença na sociedade!
† Orani João Tempesta, O. Cist.  
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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