O pai como primeiro evangelizador

Seis horas da manhã, hora de levantar e se preparar para o trabalho e para a escola. Após o corre-corre para achar os brincos, pegar o material e o lanche todos estão no carro a caminho da escola. Ao invés de ligar o rádio do carro o pai inicia uma breve oração de entrega do dia a Deus e é seguido por cada um dos filhos; todos então rezam uma Ave-Maria e um Pai-Nosso e o dia está oficialmente começado.
Sete horas da noite e ao retornar para casa o pai beija a mãe e começa a ouvir com atenção o relato do dia da mãe e de cada filho. Logo o jantar está pronto e todos estão à mesa aguardando que o pai inicie a oração de ação de graças pelo dia e pelo alimento. Fala-se de tudo, da escola, do trabalho, das provocações de um filho com o outro, um trabalho da escola por fazer e quando há espaço comenta-se alguma leitura da missa do dia no contexto da vida dos pais e dos filhos. Chegada a hora o pai carinhosamente dá a benção a cada filho que se recolhe em seu quarto para dormir. Vivendo o evangelho do dia-a-dia o pai vai permeando a vida dos filhos e da esposa com a presença de Deus, construindo assim, de forma concreta, o reino de Deus aqui na terra.

Como é bom ter filhos adolescentes
Mais uma vez olhei para os meus filhos sentados à mesa para jantar e me apaixonei por aqueles olhares. Olhares não para mim, mas para a mãe que os servia um delicioso franguinho.
Então pensei que benção era a vida de cada um ali e como seria difícil viver sem esses olhares.
Vocês pensaram em crianças pequeninas? Não é bem isto que eu tenho. São 4 adolescentes.
Pensaram naquela cena da Santa Ceia com todos em volta da mesa com aquela cara de piedade? Também erraram.
É difícil Termos momentos com menos que três falando ao mesmo tempo, e algumas discussões “às vezes” acontecem.
E na sua casa, é assim? Onde não é? E é isto que me apaixona. Como a vida não pode ser programada! Como cada filho reserva suas surpresas para nós pais, todos os dias. E principalmente com os mais velhos como o amor exige entrega, amadurecimento e liberdade (não abandono).
Por exemplo, ultimamente ando tendo certa dificuldade de diálogo com meu filho (os pais mais velhos devem pensar: Que novidade!). Mas esta dificuldade vem exigindo de mim um amadurecimento no que se refere a respeitar o espaço dele como pessoa, e como pessoa amada.
Não é fácil quando um filho entra dentro de si mesmo, se isolando no quarto e não conseguimos arrancar o que o incomoda ou o que ele pensa naquele momento. Queremos ajudar a romper aquele silêncio e nada. Nos sentimos preteridos, impotentes ou mesmo desrespeitados.
Eu, pelo menos, me sinto até com raiva por não poder escancarar os seus pensamentos. E é aí que tenho que me policiar para saber amar, correr o risco, respeitar, esperar sem me afastar, e não considerar como derrota pessoal um fato corriqueiro de qualquer adolescente normal.
Isto é muito bom, pois, como eles nunca foram adolescentes, eu também nunca fui pai de um adolescente e, portanto temos que aprender juntos. E eu sei que não basta pensar que fomos adolescentes a 20 ou 25 anos atrás; hoje agimos e pensamos diferente e temos que nos esforçar muito para compreendê-los.
O que posso fazer é usar uma característica muito boa da adolescência que é a teimosia. Não no mal sentido, mas sim a teimosia que não se entrega com qualquer argumento e que não desiste de suas posições com qualquer ameaça, ao contrário o estimula a continuar.
Eu vou insistir, na espera, na busca de diálogo e principalmente nas demonstrações de amor; no beijo na face ou na bênção antes de dormir. E o resto, Deus cuida.
Também me entusiasmo quando eu e minha esposa estamos com um grupo de preparação para o Crisma e vejo mais que 100 adolescentes diante de mim. Sinto um grande amor por eles e mesmo não tendo o mesmo raio de ação que tenho com os meus filhos penso neles como novos homens e mulheres que poderão mudar este mundo por meio do amor verdadeiro. Semelhante ao que acontece em minha casa, de 100 jovens, uns 40 falam ao mesmo tempo, mas como é bom ver seus olhos brilharem quando dizemos que é bom ser adolescente porque Deus nos fez assim; e que o próprio Jesus, como homem que era também sentiu o que eles sentem nessa idade. E quando vão se envolvendo com uma música que fala de Deus e lentamente até os mais reticentes se entregam e acabam por cantá-la entrando no clima do momento.
Por isso eu insisto aos pais, catequistas e todos que trabalham com jovens em suas comunidades, demonstrem amor aos nossos jovens. Digam a eles como são amados, ajude-os a se sentirem bem consigo mesmo. Apresentem estes jovens à fonte do amor e da vida que é Jesus. Um Jesus que os compreende mesmo quando eles mesmos estão confusos, um Jesus que passou pelo que eles estão passando nesta fase de transformação tão brusca entre ser criança e se transformar num adulto, um Jesus que pode ouvi-los a qualquer momento, mesmo nos piores momentos.
E aqui eu pergunto: Como você age quando chega no seu prédio, na sua rua ou até na Igreja e lá está o “mais seleto grupo de adolescentes”, conversando alto, uns dando uns tapas nos outros ou mesmo com casais num beijo apaixonado? Fingimos que não os vemos? Fazemos cara de desaprovação? Ou os cumprimentamos com um sorriso? A adolescência é a fase da contestação. O jovem coloca diante de si mesmo tudo o que ouviu dos pais, professores, padres, avós e começa a avaliar se aquilo realmente é bom ou é simplesmente palavrório.
Primeiro eles nos testam se somos coerentes entre o que falamos e o que fazemos; depois eles contestam todos os nossos princípios para ver se realmente aquilo é bom ou ruim ou é só mais uma regra fútil, e finalmente vão se decidindo pelo que ficará como valor para suas vidas, ou será descartado do seu comportamento de adultos. Se nós os desprezamos, os rejeitamos e os colocamos à margem, que tipo de reação poderemos esperar destes jovens?

 

DO CORAÇÃO DOS PAIS PARA O CORAÇÃO DOS FILHOS
Trecho da pregação “Do coração dos pais para o coração dos filhos” de monsenhor Jonas Abib

Você pai, tem de provocar, tem de fazer coisas, tem de pedir a Deus a arte, a graça, de fazer com que os seus filhos sejam apaixonados por você. Você precisa! Não basta amar! É preciso que os seus filhos sintam que você os ama. Não basta “fazer coisas”. É preciso que eles sintam que são amados.

Eu até digo para muitos pais e muitas mães: larguem de dar coisas! Larguem de “pensar no futuro”, para dar mais coisas no futuro, e cada vez mais coisas no futuro. Larguem de dar coisas! Os seus filhos precisam de amor e de serem excitados para o amor. Não dêem mais coisas! Não comprem mais os seus filhos. Não os “entuchem” mais lhes dando coisas, roupas, moto, carro… Isso não resolve! Eu repito: não resolve.

“Não basta amar! É preciso que os seus filhos sintam que você os ama”

Mude. Mude radicalmente. Peça hoje, peça agora a Dom Bosco educador, a Nossa Senhora Auxiliadora, a mestra de Dom Bosco, peça a Jesus, o Mestre dos mestres, Aquele que disse: “Amai-vos uns aos outros”, peça-Lhe um coração de educador, de educadora, um coração de pai, um coração de mãe. Porque, infelizmente, o mundo deformou o seu coração. Este mundo consumista ensinou a você e o levou (e os seus colegas o ajudaram nisso) a querer “comprar” os outros. Talvez você tenha sido uma pessoa comprada por outros. Fizeram isso com você: o compraram com coisas. Compraram você com as coisas que queria, mas também com as coisas que você não queria. E você viveu na base do consumo. Por isso você vive um amor na base do consumo: dando coisas e tentando angariar amor agindo assim.

E, na verdade, eu lhe digo: esses filhos só fazem desaforo. Só dão ingratidão e decepção para nós. Filho que recebeu, recebeu e recebeu coisas, só dá “coice” no pai e na mãe! Quem muito recebe coisas devolve em forma de “coice”! O filho que muito recebe coisas só acaba devolvendo “coice”!

Se você pai, mãe, não quer continuar levando “coice” de seus filhos não lhes dê mais coisas. Não compre mais o seu filho. Não fique preocupado em trabalhar, trabalhar, trabalhar, para dar, para dar, para dar… Não! Ame e provoque o amor.

Mesmo que você tenha de passar um tempo em “jejum”, ou seja, sem dar coisas. Seu filho e sua filha ficarão admirados. Eles irão estranhar e dirão: “Meu pai e minha mãe viviam me dando coisas, mas agora pararam… O que aconteceu? Será que meu pai não gosta mais de mim? Será que ele não tem mais dinheiro? Será que ele entrou em depressão? Será que a minha mãe ‘pirou’?”

Vai valer a pena, talvez, um tempo de “jejum” até que seu filho estranhe (estou lhe dando lições muito concretas!) e daqui a pouco você começa a amar de uma maneira diferente. E daí você sabe do que o seu filho, a sua filha, gosta. E que não são “coisas”. Todo filho gosta de presença. Gosta de uma mão na cabeça. Gosta de um gesto, de uma cama arrumada (que não é coisa que você está dando!), gosta de um bilhete, de uma flor. Gosta até mesmo de uma comida, de um jeito de arrumar os pratos, de ficar junto, de ouvir, de chamar para trabalhar junto. […]

Ame porque você é capaz de amar. Ame e faça com que seus filhos sintam que você os ama. […] E eu digo para você: ame com gestos. Gesto é gesto. Gesto não é coisa! Ame com gestos.

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