Transfiguração do Senhor – 06 de Agosto – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

No dia da Transfiguração do Senhor, ouvimos o Evangelho segundo Mateus, que nos ensina a contemplar Jesus transfigurado no alto do monte. Naquela ocasião, segundo o Evangelista, Jesus tomou três dos seus discípulos e seguiu em direção à montanha. Afastados do convívio de todos, em lugar ermo e silencioso, a primeira condição para se contemplar a face de Deus no rosto de Cristo, que é a suprema vocação Cristã. Deus não está no barulho, na algazarra. Quem vive da manhã à noite extrovertidamente, não é capaz de ouvir a Palavra de Deus. Naquele momento os três estavam em condições. Esta se deu num relance. Eles puderam contemplar com seus próprios olhos, Jesus transfigurado. Naquele momento algo da Glória Pascal se antecipou na vida de Jesus. Aqueles discípulos que estavam destinados a serem testemunhas do desfiguramento de Jesus, por ocasião da sua Paixão, agora o viam Transfigurado e assim alimentavam sua fé para os dias de crise que estavam por vir. O cristianismo não é neste mundo a religião da visão. De fato o texto da transfiguração se termina, relatando que depois do êxtase, levantando os olhos não viram mais ninguém, a não ser Jesus. Se o cristianismo, neste mundo não é a religião da visão, é com certeza a religião da escuta, pois a última vez que o Pai falou no Novo Testamento, foi exatamente neste dia: “Este é o Meu Filho. Escutai-O o que Ele diz”. Jesus havia dito imediatamente antes que tinha que sofrer muito pela salvação de todos nós. Esta era a Palavra de Deus que os discípulos haviam de escutar, sobretudo contemplar, por ocasião da Paixão. Foram fracos naquela circunstância, mas depois se recuperaram e se tornaram arautos do cristianismo, pregadores do Evangelho. A visão está destinada para o outro mundo, a outra vida. Aqui resta-nos a escuta obediente que realizamos através da fé. Somente aqueles que tiverem obedecido a Deus diariamente em Suas Palavras, se purificam interiormente e vão se tornando capazes de O contemplar um dia, no Reino dos Céus.

 

«A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR, NOSSA TRANSFIGURAÇÃO»
Pe. José Artulino Besen

“Ó Cristo Deus, tu te transfiguraste sobre a montanha, mostrando aos discípulos tua glória, à medida que lhes era possível contemplá-la. Também sobre nós, pecadores, deixa brilhar tua luz eterna, pelas orações da Mãe de Deus. Ó Doador da luz, glória a ti!” Os Evangelhos sinóticos (Mt 17, 1-13; Mc 9, 6-8; Lc 9, 28-36) relatam a revelação ocorrida no Monte Tabor: Pedro, Tiago e João contemplam Jesus, mais brilhante do que o sol, conversando com Moisés e Elias. E, como no dia do Batismo, a voz do Pai declara “Este é o meu Filho muito amado; escutai-o”. No século VI a festa da Transfiguração, 6 de agosto, difundiu-se por todo o Oriente e em 1457 o papa Calixto III introduziu-a no Ocidente, em agradecimento pela vitória conseguida contra os turcos. Quando Pedro pediu ao Senhor para construir tendas e residirem no monte, estava equivocado: a Transfiguração não é uma emoção para ser degustada, mas um caminho que passa pela paixão e morte; também se equivocou Calixto III, pois não foi um triunfo terreno. A Transfiguração foi um lampejo, um resplendor do reino que é Jesus: é a Luz da Páscoa, do Pentecostes, da Parusia. É o Senhor da Luz. Naquela hora, conversando com Moisés e Elias, a Lei e os Profetas, Jesus ilumina todo o Antigo Testamento, revela o novo Êxodo (sua Paixão e Morte) e é revelado como a Luz das Nações. Pedro, Tiago e João são as testemunhas da Nova Aliança: contemplam o Cristo transfigurado e o contemplarão ressuscitado. O Cristo do Tabor é o mesmo Jesus que peregrinava pela Palestina, o Deus feito homem, o Homem-Deus. Todos os olhos conseguiam somente contemplar o homem, mas, na Transfiguração, o Espírito transfigurou os olhos dos discípulos e eles contemplaram o Homem-Deus. Tendo seus olhos lavados pela graça, foram tomados pela energia divina. A antiga e a nova Aliança Conversando com Moisés e Elias, Jesus insere a antiga Aliança na nova: ele é o Mediador e a realização dos dois Testamentos. O Pai de Jesus é o Deus de Abraão, Isaac e Jacó e é o Pai do Colégio apostólico. Freqüentemente a história nos coloca frente a contradições: o mesmo dia 6 de agosto, quando a Igreja da Nova Aliança celebra a Transfiguração é, para o povo da Antiga Aliança o dia 9 do mês de Av, quando faz memória da destruição do Templo em 586aC e em 70pC. Nossas igrejas estão iluminadas para celebrar a Luz do Tabor e as Sinagogas, ao contrário, ficam em semi-escuridão, com apenas uma vela acesa para a leitura das Lamentações. Nós nos alegramos pela Luz que nos invade, que nos transfigura, e o povo judeu chora a ausência de seu Templo e chora também todas as perseguições que sofreram por causa do ódio humano e cristão. Enquanto Cristo conversa com Moisés e Elias, nós cristãos blasfemamos contra o povo judeu, chegando à Shoah, ao Holocausto desse povo sob o nazismo. O Cristo transfigurado é filho de Abraão segundo a carne e nós, pela Transfiguração, somos filhos de Abraão segundo o Espírito. Toda oposição e ódio negam a verdade que emana da pessoa que é a Luz dos Povos, o Senhor.

 

Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade.
Uma pequena meditação sobre a festa da Transfiguração do Senhor
Por Vitaliano Mattioli

CRATO, 05 de Agosto de 2014 (Zenit.org) – No dia seis de agosto a Igreja celebra a festa da Transfiguração de Jesus. No Ocidente esta festa foi instituída pelo papa Calisto II no ano 1456 em memória da vitória de Belgrado sobre o Islã. Na transfiguração Jesus se manifesta aos seus três apóstolos em todo o esplendor da sua divindade. Qual foi o motivo? No mesmo capítulo (Mc 9, 31), Jesus fez o segundo anúncio da sua paixão. E por causa disso os apóstolos ficaram decepcionados. Jesus manifestou a sua divindade para encorajar e fortalecê-los no momento de sua paixão e morte. Os apóstolos ficaram alegres e satisfeitos vendo Jesus resplandecente de luz. E por isso Pedro disse: “Jesus, é bom ficarmos aqui”. Uma primeira reflexão.  É verdade, é bom ficar com Jesus quando a nossa vida está no monte Tabor. Mas – pergunta – temos a mesma alegria e entusiasmo quando estamos no Monte das Oliveiras, isto é, quando se aproxima a hora da nossa paixão, quando, como Jesus, sentimos uma tristeza mortal? Pedro, que no monte Tabor queria ficar ali para sempre perto de Jesus transfigurado, agora, no Monte das Oliveiras não tem o mesmo entusiasmo e alegria para ficar perto de Jesus, mas dorme e Jesus fica só. É fácil ficar com Jesus quando em nossa vida tudo dá certo. Mas, quando vem a hora da tribulação temos a mesma alegria, coragem e fé para continuar com Jesus, e saborear o cálice amargo da paixão e não somente a luz do Tabor? Jesus nos concede a consolação para sermos fortes na hora das dificuldades, para sermos sempre fiéis a Ele quando nos chama a compartilhar o sofrimento da paixão. Só nesta fidelidade podemos dizer que amamos Jesus de verdade, e não somente as consolações de Jesus.    Uma segunda reflexão. Mateus nos conta: “O rosto de Jesus brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz” (17, 2). Jesus nos doou um ensaio da sua divindade. Ele apareceu resplandecente de luz. Uma transformação semelhante acontece na pessoa batizada. Com o batismo Deus Trindade toma posse de sua criatura. Esta, espiritualmente falando, resplandece pela presença deste Deus. Deus nos comunica a sua beleza e a sua luz. Nos primeiros séculos os neófitos eram chamados de “fotoi”, isto é, “iluminados”, evidenciando assim o resplendor de uma pessoa na qual habita Deus Trindade. A transfiguração de Jesus é uma antecipação da nossa transfiguração. A consequência é que também o nosso modo de viver deve ser transformado. Um mote latino diz: “Agere sequitur esse”, isto é: “A maneira de agir deve ser conforme ao próprio ser”. Nós cristãos temos que ser espiritualizados e transfigurados.  Também a nossa maneira de agir deve ser transfigurada. Em uma homilia na liturgia batismal o papa Leão Magno assim disse: “Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não volte aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus”. Devemos realizar uma transfiguração continua.

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