Nossa Senhora do Carmo – 16 de Julho

Por Mons. Inácio José Schuster

São Simão Stock era inglês e pertencia a uma ilustre família do condado de Kent. Favorecido desde criança com graças extraordinárias, aos 12 anos de idade foi conduzido pelo espírito de Deus a um deserto, onde vivia em austera penitência; servia-lhe de morada o tronco duma árvore, donde lhe veio o sobrenome de Stock, que em língua inglesa significa tronco. Vivia há 20 anos nesta solidão, ocupado somente na oração e penitência, quando chegaram à Inglaterra os religiosos Carmelitas, expulsos da Palestina pela perseguição religiosa dos sarracenos. Não tardou Simão em juntar-se-lhes, logo que foi testemunha das suas virtudes e, sobretudo da sua admirável devoção à Santíssima Virgem, a quem ele amava com entranhada ternura. De tal maneira se distinguiu o novo religioso pela sua eminente santidade e pelo ardor do seu zelo, que em 1245 os seus irmãos elegeram-no Superior Geral da Ordem.

Entre a Samaria e a Galileia, na Terra Santa, eleva-se uma montanha, de 600 metros de altitude, chamada monte Carmelo (em hebraico, «Carmo» significa vinha; e «elo» significa senhor; portanto, vinha do Senhor), onde o Profeta Elias realizou estupendos prodígios e onde o seu sucessor Eliseu viveu também. Estes dois profetas aí reuniram os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Aqui Elias terá visto Nossa Senhora simbolizada numa nuvem; aqui Maria, quando vivia na terra, terá vindo saudar os eremitas, sucessores dos dois grandes profetas. Estes eremitas ter-se-ão sucedido através de gerações, até que, pelo ano de 1205, o Patriarca de Jerusalém, Avogrado, lhes deu a regra que se resume no trabalho, meditação das Escrituras, devoção a Maria Santíssima, vida contemplativa e mística. Por isso, os Carmelitas se dizem fundados remotamente pelo Profeta Elias. Mas foi São Bertoldo que, pelos meados do séc. XII lhes deu a organização da vida religiosa, com a regra do Patriarca de Jerusalém.

Quando, no séc. XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa, mataram e perseguiram os eremitas do Monte Carmelo. Os que fugiram para a Europa, elegeram, como atrás ficou dito, São Simão Stock para seu Superior Geral. No dia 16 de Julho de 1251, rezava o Santo no seu Convento de Cambridge, em Inglaterra, fervorosa e insistentemente, para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem por Ela tanto amada, mas então com violência perseguida. A Virgem Santíssima ouviu estas ardentes súplicas. Apresenta-se-lhe com o Escapulário na mão e diz-lhe: «Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção». O Papa Pio XII, na carta dirigida a todos os carmelitas, a 11 de Fevereiro de 1950, em preparação do sétimo Centenário da entrega do Escapulário a São Simão Stock (1251), escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem «devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos».

As graças do Escapulário são valiosas e magníficas: a proteção da Santíssima Virgem Maria durante a vida e a salvação à hora da morte. Por isso, diz o mesmo Pontífice: «Não é coisa de pequena importância tratar-se da aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessa da Virgem Santíssima; trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do modo mais seguro de a levar a cabo». Nossa Senhora não falta à sua palavra. É preciso que nós cumpramos também a nossa; que tragamos o Escapulário com piedade, como mostra da nossa consagração a Maria e que morramos com ele. Por isso, continua o Papa: «O Sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus, mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual».

O Escapulário não é carta-branca para pecar; é uma lembrança para viver cristãmente e assim alcançar a graça duma boa morte. Nossa Senhora, nas aparições de Lurdes e Fátima, confirmou a devoção do Escapulário do Carmo. A última aparição de Lurdes teve lugar no dia 16 de Julho – festa de Nossa Senhora do Carmo – do ano de 1858. Bernadette comungara pela manhã. De tarde, estando em oração na igreja paroquial, sentiu que a Senhora a chamava à gruta. Apenas começara a rezar o terço, quando o rosto se lhe transfigurou ante o sorriso da Virgem Imaculada. «Só via a Santíssima Virgem – contava depois a pastorinha – e nunca a vi tão bela». Em Fátima, no dia 13 de Setembro, a branca Senhora prometeu: «Em Outubro virá também Nossa Senhora do Carmo». E assim aconteceu, realmente. No Inquérito Oficial de 8 de Julho de 1924, declarou a Vidente Lúcia: «Vi ainda outra figura que parecia ser Nossa Senhora do Carmo, porque tinha qualquer coisa pendurada na mão direita». Essa «qualquer coisa» era o Escapulário do Carmo.

E o que é esse Escapulário? São dois pedacinhos de lã castanha unidos por cordões. Este Escapulário tem de ser benzido e imposto por um Sacerdote. Em Dezembro de 1910, o Papa São Pio X concedeu que, depois de imposto o Escapulário, possa ser substituído por uma medalha benzida, contanto que essa medalha tenha dum lado o Coração de Jesus e do outro Nossa Senhora em qualquer das suas invocações: portanto, Fátima, Lurdes, Carmo, Conceição… Ganham-se com ela as mesmas graças e indulgências.

Em resumo: são estas as condições para ganhar as graças do Escapulário: 1) Ser imposto por um Sacerdote. 2) Trazê-lo piedosamente, durante a vida, a ele ou à medalha que o substitui, e assim morrer. Na base da devoção do Escapulário do Carmo está a imitação das virtudes de Nossa Senhora. Quem, por fora, se cobre com a sua veste, deve, por dentro, revestir-se com as suas virtudes. É o que dizia São Bernardo: «Ó vós todos que amais Maria, revesti-vos das suas virtudes». E o Cardeal Lercaro: «Nossa Senhora do Carmo, por meio do seu Escapulário, transmite às almas o seu espírito de oração, de mortificação e as virtudes cristãs». Os Santos – os melhores conhecedores das coisas celestes – amaram sempre com predileção o Escapulário, com o qual quiseram morrer. Leiam-se os escritos do Beato Cláudio La Colombiere, apóstolo da devoção ao Coração de Jesus, as obras de Santo Afonso Maria de Ligório, cantor das glórias de Maria, os discursos de Santo António Maria Claret, apóstolo da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Poderiam multiplicar-se os nomes dos santos que desejaram morrer revestidos com o Escapulário. Recordemos o Santo Cura de Ars; Santa Bernadette, vidente de Lurdes; São João Bosco; São Domingos Sávio, São Gabriel das Dores.

O mesmo se diga dos Papas, particularmente dos últimos. LEÃO XIII, na agonia, beijava repetidamente o Escapulário. PIO XII, desde a tenra infância usava o Escapulário de lã, e queria que os fiéis o soubessem. JOÃO XXIII, visitando, como Núncio em Paris, o carmelo de Avon-Fontainebleau, assim se exprimia: «Por meio do Escapulário, pertenço à vossa família do Carmelo e aprecio muito esta graça, como garantia de especialíssima proteção de Nossa Senhora». No discurso da audiência geral de 15 de Julho de 1961, declarou o bom Papa: «Amanhã, 16 de Julho, é a comemoração de Nossa Senhora do Carmo. A piedade dos fiéis nos vários séculos quis honrar a celebrada Mãe de Deus com vários títulos e com atos da mais sentida veneração. Recordemos que foi o Pontífice João XXII que, no século XIV, promoveu a devoção a Maria sob este título. Da história devemos verdadeiramente tirar tudo quanto possa tomar cada vez mais claras e nítidas as formas de oração e de homenagem a Maria».

O Santo Padre Cruz, rigorosamente Servo de Deus, tinha confiança ilimitada no Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Ele próprio o usava. Conserva-se ainda a sua «Patente de ingresso na Confraria do Monte do Carmo», de Lisboa, na qual escreveu piedosamente, a 16 de Julho de 1940: «Há cerca de 60 anos que recebi o Santo Escapulário do Carmo». Distribuiu milhares com a intenção de afervorar a confiança em Nossa Senhora e ajudar a viver bem. Recomendava àqueles a quem impunha o Escapulário que o beijassem todos os dias e rezassem três Ave-Marias, pedindo a graça de não caírem em pecado mortal. Para além do privilégio da morte na graça de Deus, para quem tiver trazido piedosamente e morrido com o Escapulário do Carmo, há o chamado Privilégio Sabatino.

Nossa Senhora terá prometido ao Papa João XXII, no ano de 1322, que tiraria do Purgatório, no sábado a seguir à morte, as almas daqueles que: a) tivessem trazido piedosamente o Escapulário e com ele morrido; b) tivessem guardado a castidade própria do seu estado; c) tivessem rezado todos os dias o Oficio Menor de Nossa Senhora. A autenticidade da Bula, chamada Sabatina, que relata tal privilégio, foi muito discutida. Após longas controvérsias, o Papa Paulo V publicou, em 1613, a seguinte declaração: “Pode-se piedosamente acreditar que Nossa Senhora socorrerá principalmente no sábado as almas do Purgatório que tenham na vida trazido o Escapulário, guardado a castidade própria do seu estado e rezado todos os dias o Oficio Menor”. O Papa fala apenas duma piedosa crença quanto a um socorro de Nossa Senhora ao sábado. Não se refere propriamente a tirar do Purgatório as almas ao sábado. Neste mesmo sentido o confirmaram os Papas São Pio X (1911), Pio XI (1922), Pio XII (1950), João XXIII (1959).

Um Sacerdote, que tenha faculdades para isso, pode comutar a recitação do Oficio Menor de Nossa Senhora em qualquer destas práticas: a) reza do Oficio Divino (Liturgia das horas); b) guarda da abstinência nas quartas e sábados; c) reza do Terço ou de outra devoção. A Ordem do Carmo ou dos Carmelitas, nos seus dois setores, masculino e feminino, foi no século XVI reformada por Santa Teresa e São João da Cruz, ficando assim dividida em dois ramos: Carmelitas da primitiva observância ou Calçados, aos quais pertenceu o Beato Nuno Álvares Pereira, e Carmelitas reformados ou Descalços.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
16 de julho
Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba, In Jornal Gazeta do Povo

Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciava o livro de John Haffert, “Maria na sua promessa do Escapulário”. Neste Prefácio, diz Monsenhor Fulton Sheen: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Jaffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas. O primeiro capítulo descreve a origem da promessa, no Monte Carmelo, onde Deus escuta a oração do profeta Elias, faz descer o fogo do céu que devora o boi, a lenha, as pedras do altar e depois chover (IIIº Livro dos Reis, 18, 38). A nuvem, que trouxe abundante chuva, depois de prolongada seca, foi a figura de Maria (IIº Livro dos Reis, 18, 45). Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”. Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria. É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria. John Haffert, em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Galicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado “Viridarium”, escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas. Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados. Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino. Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas. Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História. Em 1820, numa Assembléia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo. Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)

No próximo dia 16 de julho, iremos comemorar a festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ordem Carmelitana. Essa festa remonta aos anos de 1376 e 1386, quando adveio o pio costume de celebrar uma festa especial em honra de Nossa Senhora, em ação de graças pela aprovação pontifícia da Regra Carmelitana, pelo Papa Honório III, em 1226. A data fixada de 16 de julho coincide, segundo a tradição carmelitana, com a data em que Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário. Com o passar do tempo, no início do século XVII a data de dezesseis de julho se transformou em data oficial da “festa do escapulário” e, imediatamente, começou a ser celebrada também fora da Ordem Carmelitana. Em 1726, esta data solidificou-se como a festa da Virgem do Carmo por toda a Igreja do Ocidente, pela ação do Papa Bento XIII. No próprio da missa do dia não se faz menção ao escapulário ou à visão que teve São Simão; porém, ambos os fatos são mencionados nas leituras do segundo noturno das Matinas no antigo Breviário e o escapulário no prefácio especial usado pelos carmelitas. A Ordem dos Carmelitas, uma das mais antigas na história da Igreja, embora considere o profeta Elias como o seu patriarca modelo, não tem um verdadeiro fundador, mas um grande amor: o culto a Maria, honrada como a Bem-Aventurada Virgem do Carmo. “O Carmo – disse o cardeal Piazza, carmelita – existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”. Elias e Maria estão unidos numa narração que tem sabor de lenda. Refere o Livro das Instituições dos primeiros monges: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo (1Rs 18,20-45), os monges, no ano 93 da Encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, na Palestina, perto da fonte de Elias em honra desta primeira Virgem voltada a Deus. Expulsos pelos sarracenos no século XIII, os monges que haviam entretanto recebido do patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, uma regra aprovada em 1226 pelo papa Honório III, voltaram ao Ocidente e na Europa fundaram vários mosteiros, superando várias dificuldades, nas quais, porém, puderam experimentar a proteção da Virgem. Um episódio em particular sensibilizou os devotos: os irmãos suplicavam humildemente a Maria que os livrasse das insídias infernais. A um deles, Simão Stock, enquanto assim rezava, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de uma multidão de anjos, segurando nas mãos o escapulário da ordem e lhe disse: ‘Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido deste hábito será salvo’”. Numa bula de 11 de fevereiro de 1950, o Papa Pio XII convidava a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos”. Entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam. Nossa Senhora é a nossa Mãe, colocada como insigne modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar. Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem Maria. Se aproveitarmos, na festa que se avizinha, esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe. Por isso somos chamados, como discípulos-missionários de Jesus, a imitar, em primeiro lugar, o seu amor. A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras. A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efetivamente, porque “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus”. Assim, unidos a todos as ordens Carmelitas, primários, secundários e terciários, particularmente os membros da Irmandade do Carmo da Sé Catedral de Juiz de Fora, queremos exortar a todos os fiéis que, seguindo a Maria, encontrem a Jesus, o verdadeiro sentido para que o amor de Deus recaia sobre cada um de nós. E que os sacramentais, sinais visíveis da graça de Deus, produzam seus frutos necessários de vida, de santidade, de disponibilidade total para um SIM permanente a convite de Jesus, para que sejamos missionários dentro da realidade em que estamos inseridos. Virgem do Carmo, Rogai por nós!

ORAÇÃOSenhora do Carmo, Rainha dos Anjos, canal das mais ternas mercês de Deus para com os homens. Refúgio e Advogada dos pecadores, com confiança eu me prostro diante de vós suplicando-vos que obtenhais… (pede-se a graça). Em reconhecimento, solenemente prometo recorrer a vós em todas as minhas dificuldades, sofrimentos e tentações, e farei tudo que ao meu alcance estiver, a fim de induzir outros a amar-vos, reverenciar-vos e invocar-vos em todas as suas necessidades. Agradeço-vos as inúmeras bênçãos que tenho recebido de vossa mercê e poderosa intercessão. Continuai a ser meu escudo nos perigos, minha guia na vida e minha consolação na hora da morte. Amém. Nossa Senhora do Carmo, advogada dos pecadores mais abandonados, rogai pela alma do pecador mais abandonado do mundo. Ó Senhora do Carmo, rogai por nós, que recorremos a vós. 

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