As Virtudes e os Dons

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A vida moral não consiste numa sucessão de atos descontínuos, mas é a expressão de hábitos que dão continuidade e certa unidade ao comportamento humano;  se esses hábitos, arraigados no íntimo do sujeito, inclinam para o bem, são chamados virtudes; se inclinam para o mal, são chamados vícios.

A virtude é uma aptidão ou uma qualidade da mente que inclina o sujeito à pratica do bem. A palavra “virtude” vem do vir (varão, em latim) e significa uma disposição forte e vigorosa. A virtude, sendo um hábito permanente, pode-se tornar segunda natureza. Todas as virtudes culminam no amor a Deus e ao próximo; é também o amor que, em última instância, mobiliza as demais virtudes e estimula o cristão a cultivar a fortaleza, a temperança, a justiça… Vê-se, pois, que as virtudes estão intimamente relacionadas entre si: quem cultiva uma (a justiça, por exemplo) deve cultivar – as outras.

Distinguimos virtudes adquiridas e virtudes infusas.

As virtudes adquiridas são aquelas que decorrem de sucessivos atos bons da mesmo índole; estes vão predispondo o sujeito a novos e novos atos bons da mesmo índole, originando assim o hábito ou a virtude respectiva; assim quem se abstém de álcool durante 24 horas e renova o seu propósito sucessivamente, acaba por adquirir o hábito ou a virtude da temperança.

As virtudes infusas são princípios da ação-dons que Deus comunica às nossas almas, sem que façamos esforços por adquiri-los; são dons de Deus. São alude a isso, dizendo: “O amor de Deus foi difundido em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5,5). Todo cristão recebe, no Batismo, juntamente com a graça santificante, virtudes infusas, que o habilitam a agir num plano novo, ou seja, como filho de Deus.

Distinguim-se virtudes teologais e virtudes morais.

As virtudes teologais dizem respeito diretamente a Deus; são a fé, a esperança e a caridade, das quais trata freqüentemente São Paulo (cf. 1Cor 13,13; 1Ts 1,3;5,8). No cristão as virtudes teologais são virtudes infusas. Isto não quer dizer que todo cristão seja sempre uma pessoa de fé ou de amor…; mas significa que todo cristão, desde o seu Batismo, tem certas potencialidades para conhecer como Deus conhece e amar como Deus ama; essas potencialidades deverão ser desenvolvidas pela educação religiosa e pelo exercício mesmo dessas virtudes.

As virtudes morais dizem respeito diretamente às criaturas; guiam a conduta do homem em relação aos bens deste mundo. São também chamadas virtudes cardeais, por que constituem os cardines ou as dobradiças e os eixos em torno dos quais gira toda a Moral. Desde Platão (+ 347 ªC) enumeram-se as quatro seguintes:

* Prudência, que estuda os meios oportunos para chegar a determinado fim; tem sede na razão;

* Justiça, que quer observar a reta convivência com todos os homens, tem sede na vontade;

* Fortaleza ou coragem, que se volta para as coisas árduas e difíceis; tem por sujeito o apetite irascível;

* Temperança, que se volta para os bens desejáveis; tem por sujeito o apetite concupiscente ou a cobiça.

As virtudes morais podem ser naturais (ou adquiridas) e sobrenaturais (ou infusas). No batismo o cristão recebe a habilitação para ser prudente, justo, corajoso e temperante não só no plano da natureza, mas também no da filiação divina.

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