Como a devoção a Nossa Senhora de Fátima se expandiu

Quinta-feira, 11 de maio de 2017, André Cunha / Da redação, com produção de Kelen Galvan

“Fátima é um marco novo na própria história da Igreja. Fátima é, queiram ou não queiram, a verdadeira aurora dos Tempos Novos”, diz Padre Alex Brito

A profecia de Fátima, que completa 100 anos neste mês de maio, atravessou o tempo e os mares, atingindo os cinco continentes do planeta. A explicação para esse fenômeno é que, ao contrário de outras aparições, Fátima não se dirigiu apenas à geração de 100 anos atrás, mas às posteriores.

Em 13 de maio de 2007, o então Papa Bento XVI disse o que resumiria a importância das aparições de Nossa Senhora de Fátima em Portugal: “Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência, é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas”, afirmou o Pontífice.

Nesse sentido, e conforme explica o padre Alex Brito, membro da Associação Arautos do Evangelho e Doutor em Direito Canônico, à medida que as décadas vão passando e o “mundo vai agonizando em meio às apreensões e tragédias, as palavras proféticas da Mãe de Deus tomam mais atualidade.”

“Parecem ditas para os nossos dias, para nossa Pátria, para cada um de nós. Essa tese se sustenta a si mesma quando analisamos o conteúdo da mensagem. O que nos permite afirmar que Nossa Senhora quis que, dentre as demais aparições, esta tivesse especial destaque”, explicou o padre.

A confirmação da Igreja foi fundamental no processo de expansão dessa devoção. Ao analisar as profecias de Fátima, a Igreja concluiu que tudo o que Maria previu se realizou, comprovando sua veracidade. As autoridades eclesiásticas e o Magistério da Igreja se pronunciaram a respeito da Mensagem, reconhecendo a autenticidade das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.

“Não existe apenas uma razão para que a Mensagem de Fátima tenha se difundido pelo mundo todo, mas há uma que tem particular importância: o posicionamento do Magistério. Desde as primeiras notícias das aparições de Fátima, os Papas deram mostras de simpatia e apoio”, afirmou o sacerdote.

Para o padre Alex, o culto público dado ao título Nossa Senhora de Fátima vem realçar a confiança com que a Igreja respalda as aparições. De fato, por todas as dioceses católicas multiplicam-se, ainda hoje, lugares de culto dedicados a Virgem de Fátima.

A tudo isso se soma a beatificação de Jacinta e Francisco, os bem-aventurados mais jovens da Igreja, realizada pelo Papa João Paulo II, em 13 de maio de 2000. Também a Ir. Lúcia teve seu processo de beatificação iniciado a nível diocesano e se espera vê-la ascender à honra dos altares.

“Fátima não é, portanto, um fato ocorrido apenas em Portugal, nem mesmo interessa apenas a nosso tempo. Fátima é um marco novo na própria História da Igreja. Fátima é, queiram ou não queiram, a verdadeira aurora dos Tempos Novos, cujos albores despertaram no momento em que Nossa Senhora baixou à Terra e comunicou a três pastorinhos as lições severas sobre o crepúsculo de nossos dias, e as palavras esperançosas sobre os dias de bonança que a Misericórdia Divina prepara para a humanidade quando esta finalmente se arrepender”, disse padre Alex.

O Rosário e a expansão da devoção

Segundo padre Alex, a devoção ao Santo Rosário teve enorme importância nas aparições de Nossa Senhora em Fátima. Logo, pode-se afirmar que o aumento de tal devoção deveu-se sim às recomendações feitas pessoalmente pela própria Mãe de Deus.

Na sua última aparição aos pastorinhos, Ela lhes disse: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas”.

“Ou seja, afirmou que o fim da Guerra e a suspensão do castigo dependia em grande medida da recitação do Rosário, pois só nele as pessoas encontrariam forças para mudar de vida”, ressaltou o padre.

“Rezava-se o rosário para obter o fim da Guerra. Reza-se hoje para obtermos a paz e para que se cumpra a promessa feita por Nossa Senhora: “Por fim, meu Imaculado Coração Triunfará”!  O Triunfo do Imaculado Coração de Maria nada mais é do que o cumprimento daquilo que pedimos no Pai Nosso: ‘Venha a nós o Vosso Reino’”, acrescentou.

 

Centenário de Fátima

Fátima: Os pais de Lucas relatam o milagre e a cura do menino 

Sexta-feira, 12 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Casal brasileiro se encontrou com imprensa para falar sobre milagre que levou Francisco e Jacinta à canonização

Na tarde de ontem, quinta-feira, em Fátima, os brasileiros João Batista e Lucila Yurie, os pais de Lucas, a criança cuja cura foi atribuída à intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta, encontram-se com a imprensa para dirigir algumas palavras sobre a “imensa alegria por ser esse o milagre que os leva à canonização”.

“Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos Pastorinhos Francisco e Jacinta”, salientou João Batista, o pai do jovem Lucas, falando em seu nome e da sua mulher, Lucila Yurie.

O caso ocorreu a 3 de março de 2013, pelas 20h, quando Lucas, na altura com 5 anos, caiu de uma janela, de uma altura de 6.50 metros.

“Bateu com a cabeça no chão – disse o Pai – e teve um traumatismo craniano grave, com perda de tecido cerebral no lóbulo frontal esquerdo”, relatou, referindo que a criança foi internada em coma muito grave, sofrendo duas paradas cardíacas. Os médicos deram-lhes poucas esperanças de sobrevivência.

“Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo que as irmãs que rezassem pelo Lucas. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado” pensando que a criança não iria sobreviver, contou, indicando que a mensagem só foi passada à comunidade no dia seguinte.

“Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário e sentiu esse impulso de oração: “Pastorinhos, salvem esse menino, que é uma criança como vocês”.

Conseguiu convencer toda a comunidade do Carmelo a rezar apenas com a intercessão dos Pastorinhos”, relatou.

“Assim fizeram. Da mesma forma como todos nós, na família, começamos a rezar aos Pastorinhos e, dois dias depois, no dia 9 de março o Lucas foi desentubado e acordou bem, lúcido, e começou a falar, perguntado pela sua irmãzinha. No dia 11 de março saiu da UTI e dia 15 ele teve alta”, disse João Batista.

Uma cura, referiu, para a qual os médicos, mesmo os não-crentes, não conseguem encontrar explicação.

A criança está completamente bem, “sem nenhum sintoma ou sequela”: “O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual”.

No final do encontro as palavras da postuladora da causa de canonização, Irmã Angela Coelho dirigiu algumas palavras para falar do milagre do menino brasileiro Lucas.

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