Começa a preparação ao Domingo da Misericórdia

De acordo com a devoção difundida pela Santa Faustina Kowalska

A Igreja universal celebrará no próximo dia 12 de abril, o domingo da Divina misericórdia, «um convite perene a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e provas» da humanidade. A preparação da festa inicia esta Sexta-feira Santa com a novena para a Divina Misericórdia. Foi em 23 de maio de 2000 quando se difundiu um decreto da Congregação vaticana para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no qual se estabeleceu, por indicação de João Paulo II, a festa da Divina Misericórdia o segundo domingo da Páscoa. A denominação oficial deste dia litúrgico é «segundo domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia». A devoção à Divina Misericórdia constitui um autêntico movimento espiritual dentro da Igreja Católica promovido por Faustina Kowalska, a quem João Paulo II canonizou em 30 de abril daquele ano. O Papa escolheu esse dia para anunciar uma surpresa: «Em todo o mundo, o segundo domingo de Páscoa receberá o nome de domingo da Divina Misericórdia. Um convite perene para o mundo cristão a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e as provas que esperam o gênero humano nos anos vindouros». Como o Papa não havia escrito estas palavras, não apareceram na transcrição oficial de seus discursos dessa canonização. Daí que o decreto que publicou a mencionada Congregação vaticana anunciasse de maneira oficial à Igreja universal o desejo de João Paulo II, que dedicou uma de suas encíclicas à Divina Misericórdia («Dives in misericordia»). Quando o Papa canonizou a religiosa polonesa ante 200.000 peregrinos, Faustina Kowalska se converteu na primeira santa do Jubileu do ano 2000, coroação de um século marcado por imensos sofrimentos, mas que justamente em seus anos mais escuros, os que vão do primeiro ao segundo conflito mundial, via a jovem irmã Faustina (1905-1938) entregar a mensagem de misericórdia recebida de Cristo.

Santa Faustina Kowalska
A jovem polonesa, que morreu aos 33 anos, nasceu na pequena aldeia rural de Glogowiec em 25 de agosto de 1905. Aos 20 anos foi admitida no convento das irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia de Varsóvia. Nos treze anos seguintes, desempenhou os ofícios humildes: cozinheira, jardineira e porteira. Morreu em Cracóvia em 5 de outubro de 1938. Paralela à sua humilde vida, desenvolvia uma experiência mística de consagração à Divina Misericórdia, um itinerário tecido de visões, revelações, estigmas escondidos, tudo isto recolhido em um diário que começou a escrever em 1934 por sugestão de seu diretor espiritual. O centro da vida de Faustina Kowalska foi o anúncio da misericórdia de Deus com cada ser humano. Seu legado espiritual à Igreja é a devoção à Divina Misericórdia, inspirada por uma visão na qual o próprio Jesus lhe pedia que se pintasse uma imagem sua com a legenda «Jesus, eu confio em vós», que ela encarregou a um pintor em 1935. O diário de Irmã Faustina –que intitulou «A Misericórdia Divina em minha alma»– manifesta como Nosso Senhor lhe encomendou a missão de anunciar ao mundo, uma vez mais, a mensagem evangélica de sua misericórdia e de estabelecer novas formas de devoção a Deus em seu atributo de Misericórdia para todos, em especial para aqueles que mais o necessitam. A característica essencial e fundamental da devoção à Misericórdia Divina é a confiança em Jesus, um ponto em que o Senhor insiste segundo se desprende do que Santa Faustina recolhe em seu diário. Daí devem partir todas as formas de devoção à Misericórdia, segundo as revelações à religiosa, sejam estas a veneração da imagem da Misericórdia Divina, ou a oração do rosário da Misericórdia Divina, a hora da grande Misericórdia –as três da tarde, momento da morte de Jesus na cruz– ou a recepção dos Sacramentos na Festa da Misericórdia. A devoção que foi revelada a Santa Faustina urge ao indivíduo a atuar com espírito misericordioso para com o próximo diariamente, com orações, palavras e obras.

Novena à Divina Misericórdia
No diário de Irmã Faustina se lê, pelo menos em catorze ocasiões, que Nosso Senhor pedia a instituição de uma «Festa da Misericórdia»: «Esta Festa surge de Minha piedade mais entranhável… –recolhe o texto–. Desejo que se celebre com grande solenidade o primeiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição… desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas e especialmente para os pobres pecadores». Assim, Jesus pediu que Irmã Faustina se preparasse para a celebração da Festa da Misericórdia com uma novena que devia começar no dia de Sexta-feira Santa: «Desejo que durante estes nove dias encaminhe almas à fonte de Minha misericórdia, a fim de que por ela adquiram fortaleza e consolo nas penalidades, e aquela graça de que necessitam para seguir adiante, especialmente na hora da morte». «Cada dia trarás a meu coração um grupo diferente de almas –prossegue– e as submergirás no oceano de Minha misericórdia, e Eu as conduzirei à mansão de Meu Pai (…) Cada dia pedirás a Meu Pai –pelos méritos de Minha amarga Paixão– graças para estas almas».

 

SETE DICAS ENQUANTO O SENHOR NÃO VEM
Ricardo Sá

É preciso apressar nossa conversão, nos colocar no ritmo de Nosso Senhor Jesus. Nosso Senhor tem pressa, e a pressa maior é a nossa mudança de vida. É tempo de conversão para mim, o tempo de conversão é hoje, eu preciso me converter e cada vez mais. Tudo é uma questão de conversão, se a gente se determina a desejar ficar mais parecido com Nosso Senhor, pode vir os problemas que vier que a gente enfrenta, porque está enraizado em nós um desejo de conversão. De quem esse mundo precisa? De Jesus. Eu apresento a você sete dicas enquanto o Senhor não vem.
Primeira dica: espírito de sacrifício. Eu me refiro as coisas que você no dia a dia diz: “eu não agüento mais aquela pessoa, aquela doença, esta vida…” Esse linguajar precisa sair da nossa boca. O que é para nós cristãos um espírito de sacrifício? Tem espírito de sacrifício quem sabe ver mais além, por detrás do problema, por detrás daquela pessoa. Por mais difícil que seja o problema, a pessoa acredita que Deus pode intervir. A pessoa agüenta firme sem reclamar. Agüentamos firmes porque temos a tendência para fazer o mal, a gente agüenta por espírito de sacrifico e oferece. Vida penitencial: isso significa jejum, a penitência que você há muito tempo não faz, enquanto o Senhor não vem, vida penitencial. Nada de reclamação da vida e das pessoas.
Segunda dica: colocar em dia a vida de oração. Você diz que não tem tempo, mas você tem tempo sim. Nossa vida de oração precisa nos conduzir a intimidade com Deus, você precisa ser guerreiro na vida de oração, rezar todos os dias, para treinar nosso coração para ouvir o Senhor. Minha vida pessoal como Nosso Senhor é uma vida muita feliz, mas é uma vida de cruz, mas feliz. Ser cristão não é fácil. Se você não cultiva o bem que você recebeu na vida de oração, virá o mal para arrancar o bem de seu coração. Quanto tempo você gasta com Jesus Cristo diariamente? Seja um orante teimoso e diga muitas vezes: “Jesus me ensina a chegar até o teu coração”. Treine a alma na oração.
Terceira dica: Santidade provada. O tempo é tão urgente que a nossa santidade está em tempo de prova. Não existe santidade sem passar pela prova. Prova de santidade a gente não escolhe, Deus nos dá. Ela serve para te fazer melhor, te fazer mais de Deus. Qual é a porta estreita para sua vida? Não reclame mais. É a sua doença? Aproveite para ser santo. Se submeta a prova que você está passando, identifique a prova que Deus hoje te faz passar. É tempo de santidade provada enquanto o Senhor não vem. “É preciso dar a vida, senão não é amor”.
Quarta dica: Fuja do mal. Com o mal a gente não dialoga, a gente foge do mal. Revistas, filmes, novelas… de que você precisa fugir? Ou a gente transforma os acontecimentos da vida para irmos para o céu, ou iremos para o inferno. Eu não agüento mais a minha superficialidade. “Senhor, livra-me do mal que me faz pecar”. Você precisa identificar as pessoas que te conduzem ao mal, fuja dessas pessoas. Você precisa dizer a essas pessoas: “assim eu não agüento, o problema não é com você é comigo”. Chega de escrúpulos e fuja para longe das pessoas que não te levam para Deus.
Quinta dica: Vida apostólica. O que você tem feito por Cristo e sua Igreja? Há quanto tempo você não faz nada por Cristo e sua Igreja? Porque você está dodói? Talvez seu problema de saúde seja curado a medida que você trabalhe para Nosso Senhor. O Reino de Deus cresce em mim cada vez que dou de mim para os outros. A Igreja precisa de você com as capacidades que você tem. Vá na paróquia, eu duvido que você não encontre o que fazer.
Sexta dica: Ame concretamente. Viva para os outros, tire os olhos de seu umbigo, tire os olhos de seus objetivos, ame. É preciso dar a vida, senão não é amor. Quais são as pessoas que faz você deparar com o que há de pior em você? Viver para os outros é dar uma atenção contínua a quem está ao meu redor.
Sétima dica: Perdoar. Você precisa perdoar. Perdoe-me se você me viu de cara feia, nervoso. Eu preciso do perdão de vocês porque sou muito orgulhoso, arrogante e preciso do perdão de vocês. Perdoe em nome de Jesus.

 

SUA MISERICÓRDIA É INFINITA, PARA QUEM A PROCURA

«O Temor do Senhor, eis a Sabedoria; fugir do mal, eis a Inteligência» (Jó 28, 28). Pois os olhos do Senhor estão voltados «para o pobre e para o abatido, para aquele que treme diante da Minha palavra» (Is 66, 2) – Então, supliquemos a Maria, dia e noite, que interceda por nós junto do seu Divino Filho, para que sejamos contados no número dos eleitos, e dessa forma não caiamos naquele sítio que a Sagrada Escritura descreve como o “horror eterno”: «O Senhor Todo-Poderoso puni-los-á no dia do Juízo. Porá fogo e vermes nos seus corpos, e eles chorarão de dor eternamente» Judite (Jd 16, 17).
Deus não é Amor para que nós (também) sejamos maus. Se Deus fosse bom para que nós fôssemos maus, Deus não seria Bom. «O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria» (Prov 1, 7). Muitos esquecem-se que «a sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem» (Lc 1, 50). E não para aqueles que abusam dessa mesma Misericórdia. Errar e pecar é humano. Mas amar o pecado e o erro e neles persistir é diabólico. O Amor de Deus não é um jogo (de sorte ou azar). Não se é amado incondicionalmente por um Deus Infinito até à morte de Cruz.
Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo. Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre o Inferno e sobre as conseqüências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao Inferno, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão (mesmo sem o mínimo arrependimento). Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente.
Já dizia NOSSO SENHOR JESUS CRISTO a SANTA CATARINA DE SENA: «Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando (mesmo assim) poderem contar com a Minha misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam. A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demônio e da confusão de espírito. Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!» (SANTA CATARINA DE SENA, LIVRO: O Diálogo, 14-14).
A vã hipótese duma eternidade sem ninguém que se tenha condenado, ou se vá condenar, seria uma eternidade frívola, não séria, seria como um inferno “light”, morno. Não valeria a pena lutar para evitar o Inferno verdadeiro. A proposta dos modernistas e relativistas é uma proposta demagógica e autoritária. Autoritária, porque todos se salvarão, ainda que não queiram ou não mereçam. Demagógica, porque, como os políticos atuais, fazem promessas fáceis de eterna salvação, que logo não cumprirão, e muitos descobrirão o engano quando já for tarde demais… E a quem reclamarão? Não que não devamos ter esperança. Mas esta deve ser fundamentada numa procura incessante pelo Rosto de Deus e num afastamento do pecado e das ocasiões que levam a ele. Apelar à esperança da Salvação, sem apelar para uma vida séria segundo a Moral Cristã, longe do pecado e das suas ocasiões, é pura demagogia.
Se Deus fosse “misericordioso” com todos os homens bons e maus, se concedesse a todos a graça da conversão antes da morte, seria ocasião de pecado até para os bons, pois induziria estes a pecar e a esperar na Sua misericórdia. Mas não, quando chega ao fim das Suas misericórdias, Deus castiga e não perdoa mais: «Agora, que chegou o teu fim, vou desencadear a Minha ira contra ti, e julgar-te-ei de acordo com o teu comportamento; farei cair sobre ti as tuas abominações, de acordo com o teu comportamento. Já não terei um olhar de compaixão para ti; não te pouparei; antes, farei cair sobre ti o teu comportamento, as tuas abominações ficarão expostas no meio de ti, e então sabereis que Eu sou Iahweh» (Ez 7, 3-4); e acrescenta mais: «O Meu olhar não se compadecerá; eu não pouparei, antes pagar-te-ei de acordo com o teu comportamento» (Ez 7, 9).
Se Deus quisesse, com uma vontade sem limites, a salvação de todos os homens, para quê a Encarnação do Seu Filho? Para quê a Morte na cruz? Para quê a Igreja? Para quê o Papa, os bispos, os padres, os diáconos? Para quê os Sacramentos, a Liturgia, a Palavra de Deus, a Bíblia?…O Inferno povoa-se mais com a Misericórdia do que com a Justiça. Os modernistas de agora querem o Inferno vazio, até evitam falar dele, e tudo o que conseguem fazer é povoá-lo mais. São os colonizadores do Inferno, pois como não avisam o homem do perigo que é transgredir a Lei de Deus, induzem este a pecar indiretamente e por isso mesmo a perder-se.
Escreve SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO: «Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se. Deus é Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia (desvirtuada) para o Inferno. Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende». Ele usa de Misericórdia com os pecadores, mas só com quem, após ofendê-Lo, o lamenta sinceramente, temendo voltar a ofendê-LO: «A Sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem», cantou a Mãe de Deus. Com os que abusam da Sua Misericórdia, para desrespeitá-Lo ou desprezá-Lo, Ele usa da Sua Justiça. O Senhor perdoa os pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar.
Escreve SANTO AGOSTINHO que: quem peca com esperança de arrepender-se depois de pecar, não é penitente, mas ri-se de Deus. Ora, São Paulo advertiu-nos que «de Deus não se zomba» (Gl 6, 7). Seria gozar a Deus ofendê-Lo como e quanto se quer, e mesmo assim ter a pretensão de ir ao Céu. Por muito incômodo e insondável que seja para o homem moderno, o que está revelado, revelado está. E não existe forma alguma de nos evadirmos desta realidade. Não é pelo infeliz fato de não falarmos ou não acreditarmos no Inferno, que ele deixa de existir e de ser uma espantosa e terrível realidade.
DIZIA SÃO JOÃO CRISÓSTOMO: “Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…..’Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei’. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!…..”.
Não duvideis, diz SÃO BASÍLIO, que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele é também justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus. Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo… Misericórdia! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina!”.
SANTO AGOSTINHO observa que, para enganar os homens, “o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança. Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos ao pecado, não nos impeça de satisfazer nossas paixões”.

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