Segundo Domingo do Advento – Ano C

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Por Mons. Inácio José Schuster

João o Batista, profeta do Altíssimo
Baruc, 5, 1-9; Filipenses 1, 4-6.8-11, Lucas 3, 1-6 

O Evangelho deste domingo se ocupa por inteiro da figura de João Batista. Desde o momento de seu nascimento, João Batista foi saudado por seu pai Zacarias como profeta: «E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás adiante do Senhor para preparar seus caminhos» (Lc 1, 76). O que fez o Precursor para ser definido como um profeta, e mais, «o maior dos profetas» (Lc 7, 28)? Antes de tudo, seguindo os passos dos antigos profetas de Israel, pregou contra a opressão e a injustiça social. No Evangelho do próximo domingo, nós o ouviremos dizer: «Quem tiver duas túnicas, que as reparta com o que não tem; quem tiver o que comer, que faça o mesmo». Aos publicanos [arrecadadores de impostos, ndt.], que tão freqüentemente desagravam os pobres com requerimentos arbitrários, lhes diz: «Não exijais mais do que vos está fixado». Aos soldados, inclinados à violência: «Não façais extorsão a ninguém, não façais denúncias falsas» (Lc 3, 11-14). Também as palavras sobre os vales que serão aterrados, as montanhas e colinas que serão rebaixadas e as passagens tortuosas que ficarão retas, poderíamos entendê-las assim: «Toda injusta diferença social entre riquíssimos (as montanhas) e paupérrimos (os vales) deve ser eliminada, ou ao menos reduzida; as passagens tortuosas da corrupção e do engano devem ficar retas». Até aqui reconhecemos facilmente a idéia que atualmente temos do profeta: alguém que impulsiona à mudança; que denuncia as deformações do sistema, que aponta seu dedo contra o poder em todas suas formas — religioso, econômico, militar — e se atreve a gritar na cara do tirano: «Não te é lícito!» (Mt 14, 4). Mas João Batista faz também uma segunda coisa: dá ao povo o «conhecimento de salvação pelo perdão de seus pecados» (Lc 1, 77). Onde está, poderíamos perguntar-nos, a profecia neste caso? Os profetas anunciavam uma salvação futura; mas João Batista não anuncia uma salvação futura; indica uma que está presente. Ele é quem aponta seu dedo para uma pessoa e grita: «Aqui está!» (João 1, 29). «Aquilo que se esperou durante séculos e séculos está aqui, é Ele!». Que estremecimento deveu percorrer aquele dia o corpo dos presentes que o ouviram falar assim!. Os profetas tradicionais ajudavam seus contemporâneos a superar o muro do tempo e olhar o futuro; mas ele ajuda a superar o muro, ainda mais grosso, das aparências contrárias, e permite descobrir o Messias oculto por trás do aspecto de um homem como os demais. O Batista inaugurava assim a nova profecia cristã, que não consiste em anunciar uma salvação futura («nos últimos tempos»), mas em revelar a presença escondida de Cristo no mundo. O que tudo isto tem a nos dizer? Que também devemos manter juntos estes dois aspectos do ministério profético: compromisso pela justiça social por uma parte, e anúncio do Evangelho por outra. Não podemos partir pela metade esta tarefa, nem em um sentido nem em outro. Um anúncio de Cristo, sem o acompanhamento do esforço pela promoção humana, resultaria desencarnado e pouco crível; um compromisso pela justiça, privado do anúncio de fé e do contato regenerador com a palavra de Deus, se esgotaria logo, ou acabaria em estéril contestação. Ele nos diz também que o anúncio do Evangelho e a luta pela justiça não devem ficar como coisas justapostas, sem vínculo entre si. Deve ser precisamente o Evangelho de Cristo o que nos impulsiona a lutar pelo respeito do homem, de forma que seja possível a todo homem «ver a salvação de Deus». João Batista não pregava contra os abusos como agitador social, mas como arauto do Evangelho, «para preparar ao Senhor um povo bem disposto» (Lc 1, 17).

 

Um dos personagens do Advento é São João Batista que ocupará a nossa reflexão neste e no próximo domingo. Hoje, o evangelho fala-nos na figura de João Batista; no próximo domingo, falará na sua mensagem. Estamos lendo, com poucas interrupções, o terceiro capítulo do evangelho de São Lucas. Na nossa pregação, seria bom não cairmos na repetição. São Lucas tem uma preocupação em situar o que narra com uma precisão histórica. Como exemplo, temos o modo como inicia o seu evangelho: “Resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo”. Outro exemplo, é a perícope evangélica deste domingo e da Noite de Natal. Aquilo que São Lucas está a narrar são fatos históricos e não fábulas (2Pd 1, 16). As duas personagens que apresenta, João e Jesus, são históricas e estão muito unidas. Jesus será o cumprimento definitivo da Escritura na história. Mas é João que começa a cumprir tudo o que os profetas da história da salvação tinham anunciado. João representa a transição, ou seja, a passagem da história antiga para uma nova história. “Digo-vos: Entre os nascidos de mulher não há profeta maior do que João; mas, o mais pequeno do Reino de Deus é maior do que ele” (Lc 7, 28), dirá Jesus mais adiante quando falar especificamente de João Baptista. Porque cumpre a Escritura, está a começar uma nova história. Porque toda a sua vida é o grande esforço da pessoa humana para chegar a Deus, está a mostrar a necessidade de que seja o próprio Deus a fazer que venha o Seu Reino, porque nem João, sozinho, consegue. “Foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto”. Ele cumpria o que estava escrito “no livro dos oráculos do profeta Isaías: Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Agora, a Palavra de Deus já não é um anúncio futuro como tinha sido até então. Com João Batista, Maria e José, a Palavra de Deus é eficaz, porque se inicia algo de novo. João Batista muito fez para que a Escritura se cumprisse. A sua pregação, como veremos no próximo domingo, vai centrar-se no esforço necessário para se poder ver a “salvação de Deus”, apesar de ele ser somente uma voz. Ainda não é a Palavra. A Palavra é Jesus. João é somente a voz que clama, é o grito, mas salienta a necessidade da conversão. “Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales”. Já o Profeta Baruc falava da conversão com a frase anterior. Só no momento em que o mundo estiver na mesma situação é que se poderá caminhar com segurança, “porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória”. E o Reino será trazido por Jesus. Então, o sonho e a promessa tornar-se-á realidade. Com Jesus chegará a verdadeira renovação da vida e será magnífico o que Ele fará em nosso favor. “Grandes maravilhas fez por nós o Senhor: por isso exultamos de alegria”. É a esperança do Advento, alicerçada na realidade do Natal histórico de Jesus. Hoje, como João, devemos ser os anunciadores da conversão, da nossa própria conversão, para que através dela o Reino de Deus se torne presente. Por isso, São Paulo diz-nos: “Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus”. Peçamos ao Senhor que saibamos apreciar os valores autênticos ou, como diz a Oração Coleta deste domingo, que “os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória”. A Eucaristia de cada domingo torna possível o “sonho” (conversão) de João.

 

Evangelho segundo São Lucas 3, 1-6
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da Ituréia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena, sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um batismo de penitência para remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas. Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos. E toda a criatura verá a salvação de Deus.’»

Segundo domingo do advento. No décimo quinto ano do império de Tibério Cesar. Quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes Tetrarca da Galiléia. Felipe seu irmão, tetrarca da Ituréia e Traconitides, Lizaneas tetrarcas Labilenea. Quando eram sacerdotes Anás e Caifás. Que lista longa, e nós poderíamos aumentá-la com a galeria dos homens famosos da nossa época. Nós poderíamos citar Napoleão Bonaparte. Nós poderíamos citar na nossa história os imperadores Pedro I e Pedro II. Quantos homens célebres marcaram épocas no passado? O que acontece com toda esta leria, com todas estas celebridades? Desapareceram, não mais se apresentam a quem quer que seja, não perturbam mais ninguém. Diante destas figuras no passado, como devia aparecer mesquinho João Batista e, no entanto todos estes são lembrados apenas porque durante os seus governos apareceu uma figura no deserto da Judéia chamado João Batista. João Batista repito, nada era em comparação ao imperador Tibério Cesar, a Pôncios Pilatos e mesmo Herodes, no entanto todos estes são lembrados dois mil anos depois, apenas por causa de João Batista e ainda hoje, quantas igrejas são erigidas em honra deste santo, quantas festividades por ocasião da sua natividade, ou da sua celebração litúrgica. João Batista foi um homem designado por Deus, destinado a não desaparecer com o tempo e hoje, dois mil anos passados, despedindo-nos  tranquilamente daquela galeria de que não nos fala mais coisa alguma, somos convidados neste advento e neste domingo a nos matricular na escola do Batista. O que é que o Batista nos diz, dois mil anos depois de morto? Convida-nos a conversão, que todo vale seja soterrado, que todo monte e colina seja aplainada, isto é, deixando a linguagem simbólica e entrando na realidade, que o Povo de Deus, de todas as épocas, e nós também, nos também nos preparemos para receber Jesus, através de uma grande conversão do coração. Estamos próximos do Natal, mas Jesus não nascerá em todos os corações indistintamente. Jesus não despontará em todos. Há muitas maneiras, inclusive pagãs, de se celebrar o Natal. Jesus despontará e nascerá apenas naqueles corações que hoje seguirem o conselho de João Batista; nascerá apenas naqueles corações que levarem a sério sua conversão, deixarem de lado o homem velho, se revestirem do homem novo, e assim irem ao encontro da Salvação que vem de Deus.

 

«Preparai o caminho do Senhor»
São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo e Doutor da Igreja
Sobre Isaías, III, 3 (a partir da trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, t. 6, p. 99)

«O deserto e a terra árida alegrar-se-ão, a terra desolada exultará e florescerá» (Is 35, 1). Aquela a quem a Escritura inspirada chama em geral desértica e estéril é a Igreja vinda dos pagãos. Ela já existia entre os povos, mas não tinha recebido do céu o seu Esposo místico, quer dizer, o Cristo. [...] Mas Cristo veio a ela: foi cativado pela sua fé, enriqueceu-a com o rio divino que jorra Dele, e jorra porque Ele é «fonte de vida, torrente de delícias» (Sl 35, 10.9). [...] Assim que Ele Se tornou presente, a Igreja deixou de ser estéril e deserta; ela encontrou o seu Esposo, trouxe ao mundo inumeráveis filhos, cobriu-se de flores místicas. [...] Isaías continua: «O deserto será atravessado por um caminho puro, que se chamará Caminho Sagrado» (Is 35, 8). O caminho puro é a força do Evangelho, penetrando a vida, ou, dizendo de outro modo, é a purificação do Espírito. Porque o Espírito retira a mancha imprimida na alma humana, liberta-a dos pecados e destrói qualquer nódoa. Este caminho é, pois, justamente chamado santo e puro; ele é inacessível a quem não está purificado. Com efeito, ninguém pode viver segundo o Evangelho se não foi primeiro purificado pelo santo batismo; portanto, ninguém o pode sem a fé. [...] Só os que foram libertados da tirania do demônio poderão ter a vida gloriosa que o profeta ilustra com estas imagens: «Aí não haverá leões, nem animal feroz por aí passará» (Is 35, 9), por esse caminho puro. Anteriormente, com efeito, como um animal feroz, o diabo, esse inventor do pecado, atacava, com os espíritos maus, os habitantes da terra. Mas foi reduzido por Cristo ao puro nada, afastado para longe do rebanho dos crentes, despojado do domínio que exercia sobre eles. É por isso que, resgatados por Cristo e reunidos na fé, eles caminharão num só coração por este caminho puro (v. 9). Abandonando os seus antigos caminhos, «chegarão a Sião», quer dizer, à Igreja, «com uma alegria que não terá fim» (v. 10) nem na terra, nem nos céus, e darão glória a Deus, seu Salvador.

 

Maravilhas fez conosco o Senhor
Padre José Augusto

O roxo do tempo de advento tem a intenção de despertar a esperança. Todo esse dia foi feito para que você retorne para sua casa cheia de Espírito Santo. Por que o povo cantou dessa forma, este salmo? O povo daquela época estava sofrendo, pois Nabucodonosor entrou com suas tropas em Jerusalém e acabou com o povo de Deus, destruiu o templo onde o povo buscava o consolo do Senhor e levaram eles para Babilônia. Quanto sofrimento aquele povo viveu ao se separar. Mas o Pai os prometeu que depois de 70 anos eles retornariam. A esperança deles era acreditar que voltariam. Depois de 70 anos de sofrimento, Deus suscitou em Esdras um rei que matou Nabucodonosor e libertou aquele povo. E como o Senhor prometeu, depois de 70 anos aconteceu. Deus pode até tardar, mas as promessas d’Ele se realizaram e é por isso que estamos aqui, celebrando que Ele é a nossa vitória. Deus mudará a sua sorte. Por isso, não podemos perder a esperança, não podemos desanimar, espere no Senhor, seja firme e corajoso porque a qualquer momento sua sorte mudará, Deus é fiel! O nosso Deus é um Deus de surpresas, no salmo diz assim “Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria.” Se na ida você foi chorando, e se você hoje permanece chorando, saiba que você voltará com alegria. Muitas pessoas aqui estão celebrando as maravilhas que Deus fez, mas outros estão dizendo o Senhor ainda não fez, mas fará, por isso todos nós temos que cantar assim “Maravilhas fez conosco o Senhor: exultemos de alegria! ” Foram 70 anos de espera, mas depois aquele povo disse: “Encheu-se de sorriso nossa boca; nossos lábios de canções.” Hoje o evangelho termina com uma esperança: ‘Todos verão a salvação que vem de nosso Deus’ No ano de 2009 a Igreja está dizendo que todos verão a salvação que vem de nosso Deus. O Senhor não brinca, e Ele disse que são todos, por isso tenha calma, espere e Deus fará. A qualquer momento o Senhor voltará e nos levará para o céu. E hoje pela manhã todos viram Ele, O viram disfarçado. Quem ainda não celebrou, celebre porque a vitória de Deus virá. Jesus é a nossa vitória e quem está com Ele já é vitorioso.

 

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO
Lucas 3,1-6 “Esta é a voz de quem grita no deserto: preparem o caminho do Senhor”

Atrás das informações históricas deste texto, referentes às autoridades seculares e religiosas que teriam influência nos primórdios do cristianismo, jaz a realidade trágica da resposta negativa deles à Palavra de Deus e aos seus mensageiros, João o Batista, e Jesus, o Cristo!  Na pessoa do Pôncio Pilatos, a autoridade romana vai agir na decisão de assassinar o Messias;  entre os governantes da Palestina, Herodes Antipas aparece diversas vezes no Evangelho, sempre com juízo negativo, e será o responsável pela morte de João, além de estar presente no sofrimento  de Jesus na Semana Santa;  Anás (Sumo Sacerdote de 6 – 15 d.C) e o seu genro Caifás (Sumo Sacerdote de 18 -37 d.C) só funcionam porque os romanos permitiam e realmente foi a eles que serviam.  Os sumos sacerdotes sempre serão hostis a Jesus e à sua pregação e no fundo eram eles os responsáveis pela sua morte. No meio deste elenco de poderosos corruptos e perseguidores, Deus manda João, o Batista, como arauto do novo tempo de graça e salvação. Deus não permite que a perversidade e a maldade tenham a palavra final na história da humanidade.  Essa será mais tarde a mensagem básica do Apocalipse – o mal já é um derrotado, e embora possa parecer diferente, é Deus e não a maldade que controla a caminhada da história.  Mensagem de conforto às comunidades sofridas do fim do primeiro século.  Mas esta vitória não se concretiza sem que haja luta, sacrifício, e cruz! Lucas põe na boca de João um trecho de Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparem o caminho do Senhor, endireitem as suas estradas.  Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados.  E todo homem verá a salvação de Deus” (v. 4-6). Sem dúvida, podemos entender este trecho num sentido metafórico, como descrição de uma mudança radical no estilo de vida de quem quer aceitar o convite à penitência e ao arrependimento.  Os vales a serem aterrados, as montanhas e colinas a serem aplainadas, os caminhos esburacados a serem nivelados, simbolizam os empecilhos em nossas vidas a um seguimento mais radical e coerente de Jesus. Quem aceita a sua mensagem terá que mudar radicalmente – isso é, na raiz – a sua vida.  Advento, embora não seja tempo de penitência no sentido que a Quaresma é, se torna tempo oportuno para uma revisão de vida, para descobrir quais são as curvas, montanhas, e pedras que teremos que tirar para que o Senhor realmente possa habitar nos nossos corações. O último versículo: “E todo homem verá a salvação de Deus” (v. 6) faz eco ao tema lucano da universalidade da salvação, usando esta frase que não se encontra no texto paralelo de Mc 1, 3. Ninguém é excluída da mensagem e oferta da salvação.  Mas a resposta depende de cada um de nós!

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